Steve Jobs

“Atuações, direção, roteiro… Até o perfeccionista Jobs os aprovaria”.

Por Matheus Araujo

Desde o falecimento de Steve Jobs, uma espécie de desespero para louvá-lo se instalou – certos fanboys da Apple são quase fanáticos religiosos. Não direcionando a culpa, mas este comportamento ansioso não rendeu a retratação que o visionário merecia. Definitivamente, o mesmo não será dito do recente longa-metragem de Danny Boyle.

 “O que você faz? Você não é um engenheiro. Você não é um designer. Você não consegue bater um prego. Eu construí a placa de circuito. A interface gráfica foi roubada! Então como é que dez vezes por dia eu leio que Steve Jobs é um gênio? O que você faz?”

A fala acima (que está no trailer, nada de spoilers) ilustra que o filme não é simplesmente um agrado aos fãs. Ele questiona e de forma bastante pertinente! Afinal, a devoção a Jobs é um fenômeno que para os não-fãs precisa de explicação. Óbvio, a obra toma não outro caminho que justificar a excepcionalidade do visionário, todavia é competente em criar uma persona complexa, repleta de uma humanidade que alguns de seus admiradores se recusam a perceber.

steve-jobs-movie-michael-fassbender
Os pouco agradáveis pingos nos “i”s já eram esperados, uma vez que o roteiro é do mesmo cara de A Rede Social

Uma mensagem tão eficiente é reflexo dos esforços principalmente de Aaron Sorkin (roteiro) e Danny Boyle (direção). Honrando a inventividade de Jobs, a estrutura da obra consiste em três momentos de sua carreira e se passa quase totalmente nos bastidores das famosas convenções de lançamento de produtos. É incrível como em um ambiente tão limitado, a figura de Jobs seja tão bem delineada.

Mas os impecáveis diálogos de Sorkin pouco impactariam sem intérpretes à altura. Michael Fassbender revela uma interpretação cativante, entregando tanto o gênio difícil do executivo, quanto o carinho intempestivo do pai. O êxito do protagonista deve agradecer cada nome com quem contracenou. Kate Winslet o ampara delicadamente a cada segundo e é responsável por Steve se relacionar razoavelmente com qualquer um (inclusive, os espectadores). Por fim, os embates com Seth Rogan, Jeff Daniels e Michael Stuhlbar são igualmente espetaculares.

Steve Jobs é sobre o homem, não a Apple. Claro, a empresa é inevitável, mas nenhuma ode a ela é feita e nenhuma razão é dada para que os haters empunhem seus androids… De fato, pouco argumento existe contra este grande trabalho. Danny Boyle convence que Steve Jobs era capaz, com alguma dificuldade, de entoar um simpático “hello”.

Nota: 8,0/ 10.

Anúncios

2 comentários sobre “Steve Jobs

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s