O Regresso

“É chegada a hora de, finalmente, o Oscar ter Leonardo DiCaprio”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

No último ano, Alejandro Gonzáles Iñarritu tomou conta dos holofotes no Oscar ao levar as estatuetas de Melhor Diretor e Melhor Filme por Birdman (o longa ainda arrematou os prêmios de Melhor Roteiro Original e Fotografia). Particularmente, adoro o filme do “Homem Pássaro”, mas percebo, por boa parte de amigos e da Internet, uma antipatia enorme em relação à obra estrelada por Michael Keaton. A impressão que ficava é que, qualquer que fosse o próximo trabalho do diretor, essa antipatia poderia atrapalhar a recepção da nova produção.

A solução encontrada? Colocar um dos mais queridos atores de Hollywood no papel principal do novo filme. Se Iñarritu conquistou o prêmio em sua segunda indicação, Leonardo DiCaprio acumulava cinco indicações à estatueta antes de O Regresso, mas bateu na trave em todas. É deste casamento “curioso”, que narra a história de sobrevivência e busca pela vingança de Hugh Glass (DiCaprio) contra John Fitzgerald (Tom Hardy), que o ator e meme da Internet, alcança sua sexta tentativa. E, provavelmente, sua primeira (e merecida) vitória.

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Se em Birdman fiquei deslumbrado com a proposta de filmar o longa em plano sequência, feito alcançado pelos truques inteligentes utilizados por Iñarritu, O Regresso é uma montanha russa de sentimentos. De um lado, destacam-se qualidades que o vencedor do ano passado já demonstrava, como a própria direção do mexicano, preciso no seu posicionamento de câmera, proporcionando uma condução excelente, tanto nas cenas de ação quanto nas cenas contemplativas com um DiCaprio sozinho. Há, novamente, acerto no que tange a direção dos atores, assim como a presença de vários planos sequências bem executados, que marcam presença, sobretudo, na primeira metade do filme.

O diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki, que esteve com Iñarritu em Birdman, caminha para seu tricampeonato na premiação (além da conquista no último ano, também levou por Gravidade), no que talvez seja o seu melhor trabalho desta trinca. Usando apenas luz natural nas filmagens, a escolha permite que haja um realce das paisagens desoladas e remotas da Patagônia e do Canadá. O roteiro conta parte da obra escrita por Michael Punke e, no mais, é satisfatório, destacando-se pela ausência de linhas à DiCaprio, o que lapida, ainda mais, a sua atuação.

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Todavia, a vitória no último ano pode justificar o tom de exagero na obra. Ao longo de suas extenuantes 2h36, o filme parece querer que o espectador se canse tanto quanto seu protagonista. Para cada take deslumbrante dos cenários gélidos, há diversos momentos que não acrescentam nada à narrativa, e poderiam ser facilmente tirados do corte final, reduzindo o seu tempo em 20, até mesmo 25 minutos. A edição até alivia o efeito de arrasto causado, alternando constantemente entre os pontos de vista de Glass e Fitzgerald. Outro ponto que deixa a desejar é a trilha sonora que, apesar de aparece bem em alguns momentos, tem uma pegada bastante semelhante à de Macbeth: Ambição e Guerra, algo que me causou certo desconforto.

Mas vamos falar do grande chamariz deste filme. Apesar de ser o meu ator favorito, o trabalho de Leonardo DiCaprio em O Regresso não é o meu predileto. Prefiro, por exemplo, em obras como O Lobo de Wall Street, Ilha do Medo ou Os Infiltrados. Isso diminui o mérito dele no longa? De forma alguma! Pelo contrário: sem dúvidas, é o seu papel mais desafiador, que levou o astro ao limite: o frio, ursos, estadia dentro de carcaça de animais e ausência de atores para contracenar foram alguns dos desafios que demonstram o tamanho do esforço feito pelo ator. Se a estatueta vier, no próximo dia 28 de fevereiro, será por merecimento. E esse reconhecimento, Leo merece a tempos.

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O elenco conta, ainda, com atuações pontuais de Domhnall Gleeson e Will Poulter. Já Tom Hardy seria o nome que eu cortaria na lista de Melhor Ator Coadjuvante para a entrada de Idris Elba (Beasts of No Nation). Não que o ator esteja mal, mas sua indicação me parece meio forçada, conquistada por meio do hype que cerca o filme. No último ano, me agrada mais seu trabalho não em Mad Max: Estrada da Fúria, mas no britânico Legends. Um filme muito menos brilhante que O Regresso, mas que julgo explorar melhor o talento do ator.

Finalmente, O Regresso tem tudo para ser o filme que seja lembrado como o responsável por dar o Oscar a Leonardo DiCaprio. Outros prêmios importantes, como Melhor Filme e Diretor, também estão no horizonte da obra (apesar da minha preferência por Mad Max em ambos os casos). Além da afirmação da competência de Alejandro Iñarritu, fica a certeza que o longa será mais bem lembrado (e querido!) do que Birdman.

Nota: 8/ 10.

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4 comentários sobre “O Regresso

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