A Garota Dinamarquesa

“Alicia Vinkader e Eddie Redmayne são as peças chaves em história sobre primeira trans”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

A vitória em um Oscar pode mudar tudo. Após a conquista da estatueta, de certa forma até surpreendente, no último ano, era óbvio que os próximos trabalhos de Eddie Redmayne despertariam a atenção do grande público. Se por um lado, o ator marca presença em blockbusters como O Destino de Júpiter e o vindouro Animais Fantásticos e Onde Habitam, por outro, ele não deixa de lado trabalhos mais artísticos, que podem despertar a atenção da Academia.

A Garota Dinamarquesa narra a história de Lili Elbe (Redmayne) e Gerda Wegener (Alicia Vinkader), acompanhando a relação das duas e a jornada de Lily para se tornar a primeira mulher transexual do mundo. Uma caminhada marcada pela descoberta, tensão e aceitação sobre como a pessoa se identifica.

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O duo principal é o grande acerto da obra. A química entre Redmayne e Vinkader funciona com eficácia e harmonia, permitindo que o talento individual de cada um fosse explorado de maneiras distintas. No caso do ator, destaca-se o esforço no processo de transformação e aceitação pela sua identidade, reforçada pelo competente figurino e maquiagem do longa. Já atriz se firma como o outro pilar importante da trama, se sobressaindo no drama pessoal da personagem em aceitar e apoiar Lili nesta caminhada. Apesar dos bons trabalhos e das justas indicações ao Oscar, não são os trabalhos da dupla que mais me chamam a atenção. Ainda prefiro o Redmayne de A Teoria de Tudo e a Vinkader do surpreendente Ex-Machina: Instinto Artificial.

A atuação dos atores é incrementada pela direção de Tom Hooper (Os Miseráveis), que acerta no tom e na ambientação da obra, e aproveita-se de close ups para explorar o seu elenco. Outro mérito cabe ao roteiro do filme, que não apenas proporciona uma história redondinha e bem contada, mas que se aproveita de breves momentos para mostrar ações que, infelizmente, se repetem até hoje, como o espancamento (em muitos casos, fatal) contra os transexuais e a repressão contra as mulheres.

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Mais do que contar uma importante história, o grande trunfo de A Garota Dinamarquesa é trazer para o grande público a temática trans e a importância de respeitar a identificação do outro. Em tempos cada vez mais intolerantes, o timing para o lançamento da obra não poderia ser mais preciso.

Nota: 7/ 10.

 

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3 comentários sobre “A Garota Dinamarquesa

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