Deadpool

“Pesado. Divertido. Sanguinolento. Filme do Mercenário Tagarela pode iniciar nova era para os filmes de quadrinhos.”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Há 16 anos, X-men foi o grande responsável (tá, Blade também tem sua cota de importância) por determinar a chegada definitiva da febre de super heróis nas telonas, revolucionando os negócios da indústria cinematográfica. O filme de Bryan Singer foi seguido de um ainda maior e mais estrondoso Homem Aranha de Sam Raimi e, anos depois, Christopher Nolan apresentou uma nova abordagem do tema com sua visão do Batman. Em 2008, a Marvel, que quase havia falido uma década antes, estreava como estúdio com Homem de Ferro, expandindo as fronteiras de possibilidades sobre a temática ao apresentar a ideia de universo compartilhado, que culminou no multibilionário Os Vingadores.

Se não foi uma caminhada livre de tropeços (como esquecer verdadeiras bombas como Demolidor e Quarteto Fantástico?), foram os repetidos sucessos que deram a oportunidade de personagens menos expressivos, como Homem Formiga e Guardiões da Galáxia, terem sua chance de conquistarem o público. E Deadpool deve trazer um gás novo ao “gênero”, que alguns já preveem que irá se desgastar (Steven Spielberg, eu estou olhando para você).

(Dê o play abaixo)

Ryan Reynolds, que interpreta o infame anti-herói, diz que estava há 11 anos tentando fazer o filme acontecer. Acho que 2004/05 não fosse à época ideal para uma obra com esta pretensão ser lançada. Porém, em 2016, ela é mais do que bem vinda. Em uma trama simples, no qual o personagem título tenta se vingar do responsável por desfigurar seu rosto (e, posteriormente, raptar sua namorada), Deadpool se diferencia dos demais em um enredo marcado pela irreverência.

Curiosamente, é no roteiro, assinado pela dupla responsável por Zumbilândia, Rhett Reese e Paul Wernick, que moram os maiores méritos e meu maior problema com o longa. Entre os acertos, doses cavalares de um humor pesado e sacana, acompanhado de dezenas de referências e piadas com Lanterna Verde, sua aparição no infame X-men Origens: Wolverine e as linhas temporais confusas dos filmes do X-men. Tudo isso feito de maneira fluída, aproveitando o timing cômico de Reynolds e do resto do elenco. A quebra da quarta parede, marca registrada do personagem, se faz presente em vários momentos, e a fidelidade com o clima dos quadrinhos é de deixar qualquer fã com um sorriso no rosto.

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Comumente, defendo que, certos filmes, devem apostar no famoso “arroz com feijão”, onde arriscar menos e fazer bem feito é melhor do que querer ser algo super mirabolante. O plot de Deadpool é simplório, atendendo a proposta do longa de se estabelecer como uma nova franquia. Mais do que atingir as pessoas que já conhecem o personagem, o objetivo é conquistar novos admiradores, como a namorada que foi ver “porque o namorado a chamou para ver esse filme de super-herói. Mas eu não sou um super-herói”, como dito pelo próprio personagem.

LEIA TAMBÉM: Deadpool: o início de uma nova era nas adaptações de quadrinhos?

O “problema” é que a história é demasiadamente simples. A trama de vingança e resgate da amada é bem rasa, e poderia ser trocada por um enredo mais ousado e, definitivamente, bem mais louco e nonsense, aproveitando-se das características do personagem (algo que deve ser melhor explorado na sequência). O tempo gasto para contar a origem de Wade Wilson, apesar de necessário, ocupa muito espaço para um filme que não tem nem 1h50. E o ato final soa um tanto deslocado do restante da obra, com toda aquela pancadaria rolando no que parecia (intencionalmente?) um helicarrier sucateado da S.H.I.E.L.D. Algo grande demais para um filme “pequeno”. Aspectos que, contudo, não diminuem os acertos existentes.

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E quem diria que o melhor uniforme de um X-men estaria no filme do Deadpool?

A direção do estreante Tim Miller não chega a ser deslumbrante, mas é necessário destacar a competência nas cenas de luta que compõem a obra, refinadas por toda sanguinolência que faz jus ao personagem. Ainda na parte técnica, é possível citar o figurino e os efeitos, que acertam em cheio no visual de Deadpool e do Colossus (o MELHOR Colossus que já tivemos no cinema), assim como a trilha do DJ Junkie XL, que se mescla sabiamente as batidas ensurdecedoras que caracterizam seu trabalho em Mad Max: Estrada da Fúria com o humor na seleção das músicas, assim como feito em Guardiões da Galáxia.

Com apenas um filme, já é possível dizer que Ryan Reynolds nasceu para ser o anti-herói. O ator incorpora o espírito zoeiro do filme, calibrando muito bem o tom de voz sarcástico do personagem (que, felizmente, aparece boa parte do tempo com a máscara no rosto). O elenco de apoio também não deixa a desejar, com bons trabalhos de Morena Baccarin, T.J. Miller e a dublagem de Stefan Kapicic para o Colossus.

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Custando apenas 58 milhões de dólares (um orçamento modesto, se comparado a outros filmes de heróis), já dá para dizer que Deadpool valeu o investimento, se tornando um sucesso de público imediato. Mais do que dar o pontapé para uma nova franquia, a principal conquista da obra é preencher um vácuo pouco explorado pelas adaptações de quadrinhos: os de filmes mais violentos, voltados para o público mais adulto. 300 e Watchmen foram alguns dos precursores nessa área, que deve ganhar um novo fôlego agora. E fica a pergunta: quando esse marketing ESPETACULAR irá começar a vender a sequência?

Nota: 8/ 10.

 

P.S.: Não se esqueçam de ficar até o fim para a divertida cena pós-créditos. E a aparição do Stan Lee tá no top 5 de seus cameos.

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14 comentários sobre “Deadpool

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