O Quarto de Jack

“Atuações dos protagonistas são o coração de uma das obras mais poderosas deste Oscar”.

 

Por Luís Gustavo Fonseca

Entre os oito indicados a categoria de Melhor Filme desta edição do Oscar, O Quarto de Jack tem, sem dúvidas, uma das mais cativantes e impactantes histórias do grupo. O enredo narra a história de Ma (Brie Larson), uma jovem de 24 anos que está a sete anos sequestrada, mantida em cárcere privado. A situação ganha um contorno mais dramático pelo fato dela ter que cuidar de Jack (Jacob Tremblay), seu filho de cinco anos, que nunca saiu do quarto onde a dupla é mantida.

A empatia pela dupla é imediata não somente por causa da situação, mas pelas excelentes atuações de Larson e Tremblay. Entre as indicadas a categoria de Melhor Atriz, a atuação de Larson é a que mais me agrada e a mais poderosa entre as candidatas. Ela acerta o tom não apenas nos momentos de maior tensão, mas ao mostrar toda a sensibilidade e carinho de mãe por sua criança. A química com o jovem Tremblay funciona perfeitamente, potencializando o trabalho de ambos.

Room 1

Por falar nisso, o jovem ator deve ser uma das maiores revelações do último ano, e poderia facilmente estar entre os indicados a Melhor Ator desta edição. Imponente, ele rouba a cena com um personagem carinhoso, mas ao mesmo tempo, com profundidade. As atuações ainda contam um bom trabalho de Joan Allen, mas é uma pena que os demais atores não tenham sido igualmente explorados, sobretudo Sean Bridgers, que vive o papel do raptor.

O roteiro, um dos indicados a Melhor Roteiro Adaptado, é escrito pela própria autora da obra que é baseado, Emma Donoghue. Destaca-se, além do cuidado em desenvolver a relação entre mãe e filho, a inteligência ao tratar temas tão complicados e pertinentes, como cárcere privado e contínuos assédios sexuais. O modo como Ma cria todo um universo dentro do quarto, para que o filho possa entender, é outra sacada interessante da obra, assim como é um ótimo acerto a condução do longa em sua segunda metade, em uma dinâmica diferente da primeira parte.

Room 2

A direção de Lenny Abrahamson (do curioso e interessante Frank) é até justa de sua indicação a Melhor Diretor, mas se destaca, sobretudo, no primeiro ato, quando ele tem o desafio de filmar em um espaço pequeno. Algo semelhante pode ser dito para a trilha do filme, que tem os seus momentos, mas não chega a ser marcante.

Finalmente, O Quarto de Jack pode até sair da edição deste ano sem nenhuma estatueta. Mas tem o potencial para ser um dos filmes mais queridos do público, assim como foi o caso de Whiplash. E isso, talvez, seja o maior prêmio que o filme possa ganhar.

Nota: 8/ 10.

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