Convergente: precisamos mesmo dividir tudo em partes?

Por Luís Gustavo Fonseca

Na última quinta (10), além do novo trailer de Capitão América: Guerra Civil, que parou a Internet ao revelar o novo visual do Homem Aranha, tivemos também o lançamento de A Série Divergente: Convergente, a terceira parte da saga teen estrelada por Shailene Woodley e Theo James.

De uma maneira geral, mantenho o que eu penso sobre a franquia. Não consigo enxergar, nesse novo capítulo, o mesmo nível de evolução percebido em Insurgente, mas a produção permanece com algumas qualidades interessantes. Primeiramente, a manutenção na atenção, no meu interesse pela história e a curiosidade em saber como ela vai terminar. Talvez esse seja o maior mérito da obra, em atingir um público para além dos que leram os livros. Outros destaque vai para a apresentação de algumas novas discussões sociais, que compõe o plano de fundo, como, por exemplo, a  engenharia genética na busca pelo ser humano perfeito.

Contudo, o maior problema de Convergente, ao que me parece, nem é o seu flerte com a mediocridade, que impede que a produção saia do nível “Hm, isso aí tá OK” para algo “Wow, que maneiro!”. Mas é o fato da obra ter seguido uma das modas mais irritantes de Hollywood nos últimos tempos: dividir o último livre em duas partes.

Convergente 1

Tudo isso começou com Harry Potter, um dos maiores fenômenos literários e cinematográficos da história. O último livro, Relíquias da Morte, foi dividido em dois filmes, acarretando um faturamento de mais de 2 bilhões de dólares, na soma das bilheterias. Com um valor tão chamativo assim, é claro que todos os executivos em Hollywood acharam que seria uma boa fazer isso com praticamente tudo que veio depois. É o caso de Crepúsculo, Hobbit, Jogos Vorazes, Convergente e, ao que tudo indica, Animais Fantásticos e Onde Habitam.

OK, vamos lá. O Animais Fantásticos, baseado num livro minúsuculo, é possível argumentar que não se encaixe totalmente no grupo, já que ele será roteirizado pela própria J.K Rowling.  Ela irá criar todo um background para a história, trazendo vários elementos originais para o universo bruxo que ela mesmo construiu, em vez de “só” pegar o que tá escrito e dividir em 3 partes. Aliás, Relíquias da Morte é um dos poucos exemplos bons da lista. Acontece muita coisa em suas quase 600 páginas, como o trio principal viajando para lá e para cá, investigando Horcruxes, invadindo o Ministério da Magia, fugindo de Gringotes, brigando entre si, etc., que justifica a divisão da história. Em vez de condensar tudo isso em um único filme de 2h30 (onde muito do tempo teria que ser destacado para a grande batalha final, que ocorre em Hogwarts), divide tudo em dois filmes e conta tudo isso com maiores detalhes.

Agora, quase como uma antítese a isso, temos O Hobbit. Com suas 300 páginas, o livro, originalmente, seria dividido em duas partes. Tudo bem, eles iriam retratar a Batalha dos Cinco Exércitos, que também iria exigir muito tempo de tela, mas a ganância cresceu e resolveram fatiar a obra em 3 longos filmes, totalizando mais de 7 horas de filme. Porém, a trama do livro não é tão abrangente e profunda assim (não se comparada a Senhor dos Anéis), e uma aventura divertida se transformou em um enredo para lá de arrastado e, em alguns aspectos, desastroso (mas já falamos como poderia ser consertado).

Convergente 2
Só de lembrar da trama política da Cidade do Lago…

Jogos Vorazes é outro exemplo de qualidade dúbia. Até acho interessante que, com divisão do último livro (de 400 e poucas páginas), os produtores tenham resolvido abordar a parte política em A Esperança – Parte 1, trabalhando um dos principais aspectos da história. Mas também, ao ver A Esperança – O Final, bate aquela sensação de vazio, de arrasto. Sensação que a primeira parte também causa, já que para trabalhar a parte política, o filme abdica da ação, tornando o enredo um bocado “chato”.

Por não ter lido os livros, fica difícil falar se a divisão de Convergente é justificada, mas não é a sensação que essa primeira parte me passa. O filme tem um bom ritmo em sua primeira metade, apresentando novos personagens e uma nova sociedade, além de realizar um curioso movimento de dar o protagonismo para Quatro (HAHAHA, excelente nome!) ao invés de Tris. Mas na última meia hora, a impressão que dá é que a história não sabe para onde ir, e que o filme não sabe como terminar, tirando o impacto de sua parte final. E quando você pensa que ainda teremos mais duas horas de história, é hora de começar a rezar para que o ato final compense tudo isso.

Enquanto continuar dando lucros, é dificil imaginar que essa tendência (cada vez mais, uma regra) irá sumir da indústria americana. Ela já tem até uma próxima e poderosa “vítima”: Vingadores: Guerra Infinita também será dividido em duas partes. Resta apenas a esperança que seja uma divisão que valha a pena.

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