Demolidor – Season 2

“Diferente e com novos elementos, seriado do Homem sem Medo mantem sua extrema qualidade.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Nas adaptações audiovisuais dos super heróis, o segundo filme costuma ter um resultado superior ao original. X-men 2, Homem Aranha 2, Capitão América: O Soldado Invernal, O Cavaleiro das Trevas (e, porque não, Batman: O Retorno) são alguns dos exemplos que mostraram evolução em relação ao primeiro filme. Claro, não é uma regra: há mais esdrúxulos, como o segundo Quarteto Fantástico, e mesmo de filmes bons que não repetiram o impacto de seu antecessor, como Homem de Ferro 2 e Vingadores: Era de Ultron.

Em contrapartida, a sensação que tenho é que as segundas temporadas (de super herois ou não) tendem a não repetir o nível estabelecido pela temporada debutante. É o caso, entre os exemplos mais recentes, da badalada True Detective. Até mesmo seriados que mantiveram um alto nível de qualidade,como de House of Cards, Game of Thrones, Sherlock e Fargo, também causaram menos furor em seu segundo ano (cruzando os dedos para que não seja o caso de Mr. Robot).

Posto esse “paradoxo”, é com alívio que chegamos ao fim da season 2 de Demolidor, produzida pela Netflix. Sensação no último ano, a nova temporada de Matt Murdock (interpretado por Charlie Cox) prometia uma expansão do microcosmo urbano da Marvel, com a introdução de personagens icônicos como Justiceiro (Jon Bernthal) e Elektra (Elodie Yung). O advogado de Hell’s Kitchen deve conciliar os novos elementos de sua vida com as tensões na relação com os amigos Karen Page (Deborah Ann Woll) e Foggy Nelson (Elden Henson), além de enfrentar novos (e velhos!) inimigos.

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O uniforme do personagem deu uma refinada…. E esses olhos vermelhos ficaram ótimos!

Em certos aspectos que circundam, principalmente, o roteiro, Demolidor falha, de fato, em repetir a qualidade vista em 2015. Talvez seguindo o exemplo de Era de Ultron, o seriado peca pelo excesso de pontas soltas mostradas em sua jornada. Pontas que poderão ser aproveitadas em futuras produções do serviço de streaming, como Luke Cage, Punho de Ferro e, principalmente, Os Defensores., mas que atrapalham o desenvolvimento deste segundo ano. Além disso, o último arco desta temporada, embora bem escrito e amarrado, não apresenta um climáx com uma curva de expectativa tão bem realizada como feito na season 1. A sensação é reforçada por este momento final ficar aquém de outros grandes momentos que acompanhamos ao longo do seriado. Muito provavelmente, isso acontece em detrimento da falta de um rosto vilanesco neste arco (convenhamos, o Justiceiro não é vilão), sendo que um dos melhores trunfos do primeiro ano era a presença de Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio).

Por outro lado, o mesmo roteiro é certeiro em vários dos pontos chaves da narrativa. O que beneficia isso, arrisco, é a mudança na estrutura da história ao longo dos 13 episódios, que renova a forma de mostrar o personagem. O primeiro ano de Demolidor se assemelha mais com uma grande graphic novel, um arco único maior, que encontra espaço para subtramas que sustentam a história. Já esta segunda temporada parece mais com a sequência de um título de HQ convencional do personagem: do episódio X até Y, você tem um determinado arco, que se fecha. Na edição, ou melhor, no episódio seguinte, um outro arco se inicia, e ele se estende até alguns episódios a frente. Claro, isso tudo é permeado por um enredo maior, e o roteiro não abdica de retomar e trabalhar elementos já apresentados, o que amarra a história de uma forma mais ampla. O bom trabalho do enredo alcança o objetivo de, mesmo de maneira diferente, igualar o patamar da história na primeira temporada.

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Encantadora e letal: Elektra é um dos destaques desta temporada.

Há a presença de outros bons aspectos presentes na narrativa, que reforçam sua qualidade. A relação de Matt com Foggy, por exemplo, é uma delas. A dupla já havia passado por um momento crítico antes (ganhando um episódio inteiro para isso), mas as novas tensões não cansam, tendo um desenvolvimento natural e que leva a caminhos interessantes. Já o relacionamento do protagonista com Karen é outro ponto bem  conduzido, alternando entre várias situações (boas e ruins) e que ajuda a dar consistência aos personagens. Aliás, o desenvolvimento de Karen é excelente, tornando-a uma das melhores figuras do seriado. A boa evolução dela é, provavelmente, fruto do feedback positivo que outras boas personagens mulheres conseguiram no último ano, como Jessica Jones, Rey (Star Wars: O Despertar da Força) e Furiosa (Mad Max: Estrada da Fúria).

O roteiro corrobora, por fim, para termos ótimas atuações. Além do trio de mocinhos, que mantiveram (ou aprimoraram) o trabalho da primeira temporada, a inserção de Jon Bernthal e Elodie Yung não poderia ser mais certeira. O primeiro é, de longe, a melhor representação no audiovisual que temos do Justiceiro, trazendo a tela uma atuação sóbria, fria e que transmite a áurea sombria do personagem E o bacana é que ainda teve espaço para trabalhar um lado mais dramático, traumatizado do personagem, o que ajuda aprofundá-lo. Que os deuses da TV façam a série solo dele acontecer. Já Yung nos apresenta uma Elektra de diferentes facetas. A princípio, mais saidinha, um tanto engraçadinha, o que confesso que me irritou um pouco. Mas a medida que a trama se desenvolve, a personagem evolui e mostra um novo lado, transição que a atriz realiza de forma competente.

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Agora, fica a pergunta: quando o personagem ganhará sua série solo?

Finalmente, rapidamente sobre dois aspectos. Ao contrário do que comentei na primeira temporada, a trilha de John Paesano não causa o mesmo impacto desta vez, sendo, muitas vezes, subaproveitada. Em contrapartida, a direção, embora deslize vez ou outra com uma fotografia excessivamente escura, ainda é um primor nas cenas de luta, que continuam excelentemente coreografadas e viscerais. Quando você acha que a cena do corredor não poderia ficar melhor…

Apesar das diferenças, Demolidor não deixa a peteca e cumpre seu principal objetivo: reafirmar o nível de qualidade da produção. As possibilidades para o futuro são grandes e diversas, e mal posso esperar para retomar ao “mundinho” do maior acerto do Universo Cinematográfico da Marvel até agora.

Nota: 9/ 10.

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