X-men: Apocalipse

“Novo capítulo da franquia mutante entrega um bom resultado, mas desperdiça potencial”

Por Luís Gustavo Fonseca

Em um ano em que temos um segundo Batman nos últimos 11 anos – e o terceiro Homem-Aranha desde 2002 -, chega a ser curioso pensar que a saga mutante dos cinemas continua firme e forte. Claro que ela passou por mudanças desde seu lançamento, em um “distante” ano 2000. A maioria esmagadora do elenco mudou, eles voltaram no tempo, houve uma espécie de reboot, mas o Bryan Singer (e o Hugh Jackman!) ainda estão presentes. Afinal, convenhamos: nós adoramos essa maluquice cronológica que são os X-men nas telonas.

No sexto capítulo da equipe, ambientada nos anos 80 (como é legal a ideia das tramas se passarem a cada 10 anos), o mundo está prestes celebrar a paz entre os humanos e os mutantes, após os acontecimentos de Dias de um Futuro Esquecido. O trio principal desta “nova” trilogia se encontra separado: Charles Xavier (James McAvoy) administra sua escola para pessoas super dotadas; Magneto (Michael Fassbender) vive em paz com sua nova família no interior da Polônia; e Mística (Jennifer Lawrence) se tornou uma espécie de “mercenária salvadora” de mutantes marginalizados, ajudando-os a ter uma vida melhor. Contudo, as investigações da agente Moira MacTaggert (Rose Byrne) levam ao despertar de um antigo mutante. Aliás, o primeiro deles: En Sabah Nur (Oscar Isaac), o Apocalipse, que pretende estabelecer um novo e melhor mundo, onde só os mais fortes sobreviverão.

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O maior problema deste novo longa é que ele é pouco inovador, apostando no clássico “arroz com feijão”. Não acho que isso transforme o resultado final em algo negativo, pelo contrário. Singer, dirigindo pela quarta vez a saga, repete acertos como a introdução (os primeiros minutos sempre são um prazer visual); a cena com o Mercúrio (algo que deveria ser obrigatório, aproveitando que o da Marvel Studios está morto); a condução da obra que, confesso, tem momentos que fica inconstante, mas sem ter uma edição confusa; e as cenas de ação, como as da batalha final. A produção conta com uma interessante e surpreendente adição: uma violência mais explícita, visual, com membros sendo retorcidos e corpos sendo esmagados. O melhor é que ela tem seu propósito, ao incomodar mesmo ao não ser mostrada, deixando-a de ser meramente gratuita.

Entretanto, a sensação de dejá vu e repetição se encontra no roteiro, assinado por Singer e Simon Kinberg. Não há nada que você já não tenha visto, em maior ou menor grau, em qualquer outro X-men. É um enredo marcado pela previsibilidade, e também pela simplicidade na tomada de algumas decisões, o que diminui, por exemplo, o peso do clímax. Mais grave do que isso, talvez, sejam a maior parte dos arcos dramáticos do longa, que apresentam dificuldade em fazer com que o telespectador se importe com os personagens, com exceção dos do Magneto e do Mercúrio.

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Nem tudo no quesito está errado: a história é clara e não tem furos gritantes como é comum ver nas obras da franquia; o plano do Apocalipse, assim como sua visão de mundo, é interessante e boa de acompanhar; a introdução dos novos personagens, principalmente os mais jovens, como Cíclope, Jean e Noturno, é bem feita, assim como a maneira que eles devem aprender a lidar com seus poderes e com quem são. Falta, porém, dinamizar a química entre eles, que ainda transmite a sensação de ser um tanto deslocada.

Por fim, atuações, de uma maneira geral, estão aceitáveis, sem nada que destoe o filme de forma negativa. As melhores cabem a Michael Fassbender (que, sinto, fica cada vez melhor dentro do papel) e Oscar Isaac, que entrega um vilão satisfatório e que atende a proposta. A trilha de John Ottman (X-men 2 e Dias de um Futuro Esquecido) poderia ser mais presente, mas aparece nos momentos chaves. E o visual é mais um ponto positivo, tanto em relação aos efeitos quanto na caracterização de vários personagens (uma pena que para acertos como o visual da Psylocke e da Tempestade, tivemos pouco de Fera e Mística em sua forma original).

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Se X-men: Apocalipse não traz muitas evoluções, ao menos é competente em fazer o dever de casa e proporcionar um bom entretenimento. A ponta deixada para a sequência é das mais aguardadas, e agora, fica a expectativa que a FOX e Singer adaptarão um certo arco da forma correta.

Nota: 7/ 10.

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