Alice Através do Espelho

“Retorno de Alice ao Mundo das Maravilhas é marcada por previsibilidade e pouca inspiração.”

Por Luís Gustavo Fonseca

A partir do sucesso estrondoso de Avatar, que havia acabado de mudar a indústria cinematográfica ao introduzir de forma definitiva o formato 3D nos grandes blockbusters de Hollywood, é possível compreender o sucesso de Alice no País das Maravilhas. A tecnologia era novidade (e os trailers prometiam uma boa utilização do recurso), e a clássica história de Lewis Carroll ainda contava com a estrela de Johnny Depp e com a direção do veterano Tim Burton. Se hoje, uma das fontes de lucro da Disney são os live actions de suas clássicas animações – como é o caso de Cinderella, Malévola e Mogli -, tudo se deve ao fato de Alice ter feito mais de um bilhão de dólares em sua estadia nos cinemas.

Seis anos após o sucesso de 2010, Alice (Mia Wasikowska) retorna ao País das Maravilhas, dessa vez para salvar a vida do Chapeleiro Maluco (Johnny Depp). Para isso, ela terá que voltar no tempo e descobrir o que aconteceu com a família de seu amigo. Tarefa que não será simples, já que para isso, ela deve roubar a cronosfera do próprio O Tempo (Sacha Baron Cohen).

Alice 02

Tim Burton, desta vez, participa apenas como produtor, mas ainda é perceptível sua presença no projeto, principalmente no que tange ao visual (sua melhor característica). O figurino e a caracterização dos personagens permanecem bem elaborados, mostrando a diversidade criativa para transpor o mundo de Carroll para as telonas. Seu substituto, James Bobin (que dirigiu os dois filmes recentes d’Os Muppets), todavia, não consegue igualar o nível de Burton na direção. O tom aventuresco ainda se faz presente, mas são planos menos ousados, uma condução mais comum.

O maior problema do longa é a trama em si. Eu nunca soube que as obras sobre a personagem tinham se estendido muito além da história que a antiga animação conta e, por isso, a sensação que há é que estão realizando o filme apenas na tentativa de replicar o sucesso do anterior. O enredo é previsível e demasiadamente simplório, e o clímax acontece de forma apressada, produzindo pouco impacto. Há, contudo, bons elementos no texto: os personagens do Chapeleiro, Alice e das irmãs Iracebeth (Helena Boham Carter) e Mirana (Anne Hathaway) são mais desenvolvidos, tendo um background melhor construído. Além de, claro, os vários trocadilhos em relação ao tempo presentes no longa (que são mais divertidos quando o próprio personagem de Bara Cohen os faz).

Alice 03

Por fim ,é uma pena que o 3D, antes um trunfo, pouco acrescenta a produção, desperdiçando um bom potencial. Em relação as atuações, os trabalhos, em geral, estão na média, com poucos destaques. Johnny Depp está bem mais suportável que outros trabalhos de vibe parecida que ele fez recentemente, mas ainda aquém do que foi visto no recente Aliança do Crime. A grande diversão do filme acaba sendo Helena Boham Carter, que consegue se impor no papel de antagonista da obra. Nada que impeça, infelizmente, do retorno ao Mundo das Maravilhas ser inferior ao seu predecessor.

Nota: 5,5/ 10.

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2 comentários sobre “Alice Através do Espelho

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