Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

“Adaptação de game da Blizzard peca no roteiro, mas é diversão garantida para fãs da franquia.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Talvez não seja o filme que mais tive hype na vida – afinal, como não contar os dias para ver os Vingadores unidos pela primeira vez, lá em 2012? – mas, sem dúvidas, a produção de Warcraft é a que mais aguardo nesses 22 anos. É um sonho de criança se tornando realidade.

Warcraft faz parte da minha história há mais de uma década. Se eu não joguei os dois primeiros games da franquia, “compensei” isso em centenas de horas bem aproveitadas nas campanhas e single matches de Warcraft 3; na interminável e contagiosa aventura que é World of Warcraft; e no vício doentio do bom e velho Dota. Tudo isso embalado em um carrossel de emoções: alegria, raiva (malditos kitters do Garena!), frustração, satisfação. Amizades (temporárias ou permanentes) foram feitas, e o balanço disso tudo não poderia ser mais positivo. Ao lado de Harry Potter, WoW é a grande paixão da minha vida.

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Pois bem. Após anos de espera, chegou a hora do grande momento. Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos chega para contar o ponto de partida da história que, um dia, chegará a personagens célebres, como Arthas e Thrall. Neste início de trajetória do convívio (e do conflito) entre orcs e humanos, acompanhamos os esforços do orc Durotan (Toby Kebbell) e do humano Lothar (Travis Fimmel) para impedir que Gul’dan (Daniel Wu) espalhe a Vileza pelas  terras de Azeroth.

Minha maior esperança na adaptação da história era o envolvimento da Blizzard, produtora dos jogos e que esse ano voltou com tudo com Overwatch. Nós conhecemos a qualidade da Blizzard, que faz verdadeiras obras de arte em suas cinematics. Alguns até preferiam que o filme fosse feito dessa maneira. Daria certo? Provavelmente sim. Mas é um investimento alto e arriscado demais para uma empresa que não é um estúdio de cinema.  A parceria com a Universal era a melhor saída.

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A minha segunda maior esperança era o longa estar nas mãos de Duncan Jones. Filho de David Bowie, o diretor é um fã declarado dos jogos e possui dois excelentes filmes pequenos em sua iniciante carreira: Lunar e Contra o Tempo. Em seu primeiro blockbuster, ele representa boas qualidades: um bom enquadramento de câmera; fotografia clara e limpa; e uma boa direção de atores (voltarei nisso mais tarde). Mas ele mostra uma nova e interessante característica: boa condução e execução nas cenas de ação. O espectador não fica perdido nas diversas cenas de batalha e isso, aliado a fotografia, deixa os quadros mais lapidados, bonitos. A produção ousa em uma violência até muito pesada, dada a classificação indicativa, mas a sanguinolência não é meramente gratuita, proporcionando maior impacto durante os confrontos.

Duncan também tem mão no roteiro, que escreve ao lado de Charles Leavitt. Aqui mora o ponto mais fraco do longa. O texto possui bons momentos: sabe divertir, distribuindo bem o humor ao longo das duas horas de filme; a introdução de orcs e humanos é bem feita, e o primeiro arco passa voando; a divisão do tempo dedicada a mostrar os dois lados do conflito é realizada de forma competente, o que permite que todos os pequenos núcleos sejam explorados.

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Contudo, há a prevalência de erros. O texto trava no segundo arco, apresentando um ritmo estranho que prejudica a dinâmica da história como um todo (o que, felizmente, não prejudica o clímax). As subtramas, apesar de serem interessantes, são prejudicadas pela falta de padrão. A edição, que fica pulando entre os diversos núcleos, perde a mão em certos momentos. E o principal: o enredo esquece de atingir, justamente, aqueles que não estão familiarizados com esse universo. Como fã, eu já levo uma bagagem para a sala de cinema que me permite entender e reconhecer vários elementos presentes. Mas para o público em geral, muitas ficam mal explicadas. Falta clareza e mais detalhes sobre as motivações dos personagens chaves para a trama. O background de outros, como Khadgar (Ben Schnetzer), Medivh (Ben Foster) e Garona (Paula Patton) também fica incompleto, o que dificulta a criação de um vínculo com eles por parte desta nova audiência. É estranho dizer isso, mas ao ser muito voltado para os fãs, a obra mais erra do que acerta.

Houveram muitas reclamações em relação aos efeitos especiais da produção. Nunca entendi qual parecia o problema neste quesito. Em tela, o CGI funciona perfeitamente, e não sou capaz de perceber defeitos. Os orcs e outras criaturas fantásticas são críveis, e sua interação com os humanos, ao menos para mim, não causa estranheza. Gosto da ideia do tom ser mais colorido, com cores vivas, até mesmo com um ar cartunesco em planos mais abertos. O visual e o figurino são outros dois acertos, havendo momentos que, de fato, parece que estamos vendo uma cinematic da Blizzard.  A trilha sonora composta por Ramin Djawadi (Circulo de Fogo, Game of Thrones) é muito boa e faz o cinema tremer, mas senti falta de temas específicos para representar a Aliança e a Horda.

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Em relação às atuações, não há ninguém que brilhe, mas as atuações são satisfatórias, em sua maioria. Acho muito interessante como Duncan Jones consegue tirar uma boa carga emocional de seus protagonistas. Fez isso com Sam Rockwell e Jake Gyllenhal em Lunar e Contra o Tempo, respectivamente, e repete aqui com Tobby Kebbel e Travis Fimmel.

Por fim, Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos tem seus defeitos, mas garante a diversão. Para os fãs de longa data, o resultado faz jus aos jogos. Para os demais, é a chance de conhecer uma franquia que tem uma história tão rica. Resta saber se a repercussão da obra será o suficiente não apenas para assegurar uma continuação, mas também, para dar início a uma nova era de adaptações de games em Hollywood.

Nota: 6,5/ 10.

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2 comentários sobre “Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

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