2016: o ano difícil para as continuações

Por Luís Gustavo Fonseca

O ano de 2016 tem se mostrado difícil para os executivos de Hollywood… Ao menos, para aqueles que apostaram no sucesso de continuações das franquias já estabelecidas. Saturação de gêneros, como os de super herói e de adaptações de livros infanto juvenil? Cansaço do público em relação ao que já vimos? Desejo por histórias originais? Muitos são os fatores que podem ter levado a este quadro.

Vamos há alguns exemplos. Alice Através do Espelho faturou, em seus 10 primeiros dias de lançamento no mercado doméstico (aquele que só leva em conta a bilheteria dos EUA e Canadá), meros 51 milhões de dólares. Isso é menos que um quarto do que o filme de 2010 tinha feito no mesmo período. Aliás, a abertura por lá de Alice no País das Maravilhas há 6 anos foi de US$ 116 milhões – número que a continuação não deve alcançar. O cenário na bilheteria mundial é igualmente desanimador: US$ 176 milhões, muito aquém do 1 bilhão de dólares do antecessor. Outra continuação de um conto de fadas este ano foi Caçador: A Rainha de Gelo. O longa arrecadou US$ 163 milhões ao redor do globo, menos da metade dos US$ 400 milhões que Branca de Neve e o Caçador conquistou em 2012.

Alice 02

O pessoal da Lionsgate deve estar arrependido da ideia de dividir o último livro da série Divergente em dois longas. O primeiro filme arrecadou, em 2014, US$ 288 milhões no mundo todo; ano passado, Insurgente teve resultados até melhores: quase US$ 300 milhões. Esse ano, contudo, a febre parece ter ido embora: US$ 176 milhões – na bilheteria doméstica, o resultado é mais desastroso: 66 milhões de dólares para Convergente contra US$ 130 milhões de Insurgente. Não há Tris que consiga salvar a situação.

A comédia foi outro campo com algum desgaste. Em 2014, Vizinhos, estrelado por Seth Rogan e Zac Efron, foi um hit inesperado ao arrecadar US$ 270 milhões no mundo (US$ 150 milhões só no montante doméstico). Já sua continuação não conseguiu reproduzir o sucesso: US$ 90 milhões na bilheteria total, e menos que US$ 50 milhões na bilheteria doméstica. Apostar na nostalgia, também, não compensou: Casamento Grego, em 2002, alcançou a marca de US$ 370 milhões no mundo. Sua continuação, lançada este ano? Não passou dos 90 milhões de dólares.

A bilheteria de Kung Fu Panda 3 está longe de ser ruim: a terceira aventura de Po acumulou US$ 518 milhões internacionalmente. Uma boa grana. Pena que o valor é inferior aos outros dois longas: o original arrecadou US$ 631 milhões, enquanto o segundo faturou US$ 665 milhões. Ainda não foi a virada que a Dream Works precisava.

kung fu panda 3

Sobrou até para os super heróis. Em 2014, X-men: Dias de um Futuro Esquecido arrecadou quase US$ 750 milhões no mundo todo, se tornando o filme da franquia de maior bilheteria (ao menos, da equipe, já que Deadpool ultrapassou a marca). X-men: Apocalypse, contudo, não está destinado a repetir o sucesso: atualmente com US$ 400 milhões no mundo todo, a produção não deve faturar muito além de 600 milhões. Nos EUA, a expectativa é que o filme termine sua estadia nos cinemas em torno dos US$ 165 milhões. Isso são 70 milhões a menos que Futuro Esquecido, 15 milhões menos que Homem Formiga e seria cerca de 5 milhões a mais que o X-men original – que não contava com 3D nem com o atual preço do ingresso, cerca de três dólares mais caro hoje em relação à 2001.

Mas são nos super heróis que também há as exceções…. Mesmo que elas, talvez, não tenham correspondido as expectativas. Batman v Superman: A Origem da Justiça superou o montante de O Homem de Aço (US$ 872 vs 668 milhões), mas isso é aquém do que os executivos da Warner Bros. esperavam, já que a produção tinha potencial para entrar na casa de um bilhão de dólares arrecadados. Já Capitão América: Guerra Civil superou, e muito, o valor de O Soldado Invernal: US$ 1,132 milhões (até agora) contra US$ 714. Contudo, se você considerar que Guerra Civil está bem perto de ser um filme dos Vingadores, o cenário muda. O terceiro filme do Capitão deve terminar sua estadia nas telonas com um valor aproximado de 1,2 bilhões de dólares. Era de Ultron arrecadou 1,4 bilhão mundialmente no último ano.

Apesar de todo esse cenário, algumas velhas apostas de Hollywood ainda dão certo. Se o gênero de super herói demonstra certo cansaço, Deadpool trouxe novo fôlego ao fazer US$ 772 no mundo todo (quase metade disso veio da bilheteria doméstica), e isso, sendo um filme de classificação para maiores! A Disney apostou em um live action de seus clássicos que trouxe excelentes frutos: Mogli – O Menino Lobo tem, até agora, US$ 895 milhões. E ainda tem gás para superar a barreira dos 900. O maior sucesso, porém, veio de uma história original: Zootopia ultrapassou, neste fim de semana, a barreira de US$ 1 bilhão internacionalmente. É a quarta animação que consegue tal feito (depois de Toy Story 3, Frozen e Minions), e se tornou a animação original de maior arrecadação de todos os tempos. Uma demonstração clara do que as audiências almejam dos lançamentos de hoje.

zootopia 03

Ainda estamos na metade do ano, mas as demais continuações de 2016 devem abrir o olho: Invocação do Mal 2, Truque de Mestre: O Segundo Ato, Tartarugas Ninjas: Fora das Sombras, Star Trek Beyond, Caça Fantasmas, Independence Day: O Ressurgimento, Jason Bourne, Era do Gelo 5 e até mesmo spin-offs como Animais Fantásticos e Onde Habitam e Rogue One: Uma História Star Wars estão sujeitos ao tropeço e a surpresas nada agradáveis. Se a tendência permanecer, é chegada a hora de Hollywood, FINALMENTE, apostar com mais força em novas histórias e tramas.

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