Truque de Mestre: O 2º Ato

“Com falta de truques e ritmo cadenciado, continuação não consegue igualar nível de seu antecessor”

Por Luís Gustavo Fonseca

Eu sempre fui fascinado por mágica (não à toa, fui um dos milhões que teve a vida alterada por Harry Potter) e pelas apresentações que os mágicos exibiam na televisão (Mister M é um clássico!). No cinema, não foi diferente: obras como O Ilusionista e O Grande Truque saltam aos olhos, permitindo que você se encante não apenas com o modo com que a mágica te ilude e engana, mas como o roteiro procura explicá-las.

Quando foi lançado em 2013, Truque de Mestre me surpreendeu por misturar essa temática de magia com o gênero de assalto. Apesar do seu exagero e espetacularização demasiada, a produção cumpria sua proposta, entregando um longa divertido. Três anos depois, Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), Merritt McKinney (Woody Harrelson), Jack Wilder (Dave Franco) e Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) retornam para apresentar mais uma variedade de truques, em um novo grande plano.Ou, ao menos, deveriam.

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O grande problema da continuação é que ela parece esquecer tudo que deu certo no primeiro filme. Jon M. Chu assumiu a vaga de Louis Leterrier, e a troca não se revela benéfica. Chu não tem o mesmo esmero nas cenas de ação, com cortes rápidos que deixam a sequência um tanto confusas (uma pena, pois penso que ele acerta neste aspecto em G.I Joe: Retaliação). Pior: Chu não reproduz a sensação de espetáculo e de ilusão do original.

Problema que está ligado, também, ao roteiro. Focado em retomar algumas pontas soltas do primeiro filme (e, assim, aprofundar mais alguns personagens), a continuação deixa o espetáculo de lado, direcionando seu tempo em sub tramas que se arrastam. Isso prejudica a primeira metade, escassa em magias e truques, desperdiçando todo o potencial da produção. O ponto alto acontece após a primeira hora de projeção e, ao mesmo tempo que renova o fôlego, relembra o que deveríamos estar acompanhando desde o começo. Embora tenha as mesmas duas horas do antecessor, O 2º Ato não tem a mesma dinâmica e fluidez, prejudicando o resultado final.

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Sequência com essa carta é a melhor do filme.

Nem mesmo o elenco (que ainda conta com o retorno de Michael Caine e Morgan Freeman) salva. A química entre o grupo ainda funciona, e os trabalhos são razoáveis, mas nada além disso. Daniel Radcliffe poderia ter sido melhor explorado, restando apenas a piada pronta entre o tema do filme e o personagem vivido pelo ator. Ao menos, a substituição de Isla Fisher por Lizzy Caplan não compromete, já que a atriz traz o humor necessário para o enredo.

Em um ano em que as continuações estão tendo dificuldade para reproduzir o sucesso de obras anteriores, Truque de Mestre: O 2º Ato corre o risco de não igualar a bilheteria do longa de 2013 (US$ 351 milhões no mundo todo). Dependendo do rendimento, pode ser o fim do que viria a ser uma nova franquia. Porém, se for para repetir tropeços como esse, talvez esse seja o melhor caminho.

Nota: 4,5 /10.

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