Roland Emmerich: o senhor do Apocalipse

Por Luís Gustavo Fonseca

Que Michael Bay é considerado o rei das explosões, da megalomania e da ação desenfreada, isso todos já sabem. A sua filmografia – encabeçada pela franquia Transformers – está aí para provar isso. Apesar disso, toda a destruição causada pelo americano ainda não se compara ao verdadeiro senhor do Apocalipse, daquele que sabe como ninguém realizar o fim do mundo, a gigantesca catástrofe em escala mundial: Roland Emmerich.

O diretor alemão retorna ao gênero apocalíptico na próxima quinta feira, quando Independence Day: O Ressurgimento estreia nos cinemas brasileiros. Antes disso, o currículo de Emmerich já apresentava outros espetáculos demolidores, desde maneira mais “contida”, como em O Ataque, até acontecimentos globais como visto em 2012 e O Dia Depois de Amanhã.

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Os roteiros dos longas podem até não fazer nenhum sentido científico (né não, 2012?), sendo recheados por um exagero que força a barra. Mas, putz, como ele SABE fazer uma destruição, visualmente, grandiosa e bem feita (Terremoto: A Falha de São Francisco poderia ter aprendido um pouco com os filmes do diretor). Critique 2012 como quiser, mas sequências como a do teto da Capela Sistina caindo sobre a multidão, as águas do oceano cobrindo o Himalaia ou a limousine (!) dirigida por John Cusack escapando por pouco do chão se abrindo em Los Angeles são cenas que ficam gravadas na mente. Em O Dia Depois de Amanhã, há exemplos como as águas invadindo as ruas de Nova York, ou do posterior petroleiro (ou seria um cargueiro?) que fica encalhado em uma das avenidas da cidade. A verdade é que Emmerich sabe como entreter.

O maior e melhor exemplo é justamente Independece Day, lançado há 20 anos e que já apresentava algumas das características vistas nos longas seguintes. Sim, se por acaso você o reviu como preparação para O Ressurgimento, deve ter reparado que a obra não envelheceu bem. Os efeitos estão datados, mas continuam impactantes, proporcionando cenas clássicas como a destruição do Empire State Building e da Casa Branca. Os méritos da direção não ficam restritos apenas ao visual da produção, mas a condução que Emmerich dá ao filme. O ritmo é dinâmico e fluído sendo que a ação bem elaborada e não te deixa perdido. A trilha de David Arnold só colabora para dar contornos ainda mais épicos a esta ação.

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Como esquecer esse momento?

Acho bacana como o diretor se preocupa em dar um caráter global em suas obras, mesmo que o foco da trama se passe, essencialmente, em solo americano. Por meio dessa estratégia – e Independence Day é o melhor exemplo disso – ele consegue produzir um sentimento que dialoga e permite a identificação de espectadores de qualquer canto do mundo. É a visualização da ideia de nós, humanos, contra a ameaça, não importando quais sejam as nossas diferenças.

Outro fator interessante é que, mesmo que Independence não tenha atuações espetaculares, há vários personagens carismáticos e pelo quais você se importa, fruto de um roteiro que trabalha sua humanização. O boa pinta e destemido Steven Hiller de Will Smith, o “louco” Russel Casse de Randy Quaid (“Hello, boys! I’m baaaaaack!”) ou o inteligente e afetuoso David Levinson de Jeff Goldblum são alguns desses exemplos.

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Independence Day: O Ressurgimento é a tentativa de perpetuar a atual aposta da indústria no fator nostalgia, para revitalizar velhas franquias, aproveitando o embalo de obras como Star Wars: O Despertar da Força, Jurassic World e Mad Max: Estrada da Fúria. Porém, também é a mais nova oportunidade para conferir uma destruição grandiosa e, esperamos, bem feita (não sei se vocês repararam, mas no trailer, há “apenas” o edifício Burj Khalifa indo de encontro a Londres. Precisa de algo mais?). Vamos torcer para que, pelos vários e vários anos que estão por vir, ainda tenhamos um Roland Emmerich que acorde e pense: “De que forma eu gostaria que o mundo terminasse hoje?”.

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