Independence Day: O Ressurgimento

“Vinte anos depois, continuação não consegue reproduzir tom aventuresco do original”

Por Luís Gustavo Fonseca

Independence Day deve ser, após Jurassic Park, o maior ícone do cinema blockbuster e Pipocão dos anos 90. Sim, Pipocão com P maiúsculo. Recheado de ação, efeitos de tirar o fôlego (ao menos, na época) e de uma boa dose de humor, o longa carrega toda a áurea das grandes produções da década. Com uma bilheteria de US$ 816 milhões de dólares no mundo todo, Independence se consagrou como um dos maiores símbolos do seu tempo.

Vinte anos depois (e aproveitando a febre em Hollywood que já reviveu franquias como Jurassic Park, Mad Max e Star Wars), a obra ganha uma continuação, em um momento bem diferente do de 1996. Os alienígenas não ficaram felizes com a derrota no passado, e retornam agora em um ataque ainda mais poderoso. Lutando pela nossa sobrevivência, temos, mais uma vez, o doutor David Levinson (Jeff Goldblum) e o ex-presidente Whitmore (Bill Pullman), além da inserção de novos combatentes, como os pilotos Jake Morrinson (Liam Hemsworth), o filho do personagem de Will Smith, Dylan Hiller (Jessie T. Usher) e da filha de Whitmore, Patricia (Maika Monroe).

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Além do retorno de velhos personagens, o filme tem a direção, novamente, do senhor do Apocalipse, Roland Emmerichdo senhor do Apocalipse, Roland Emmerich. E as velhas características do diretor também marcam presença: a destruição grandiosa, exageradíssima e bem feita; o caráter global, de uma ameaça que una todos os humanos; o humor, bem distribuído durante as duas horas de fita.

Mas, infelizmente, é só. O principal problema de O Ressurgimento é não ter uma identidade tão clara e marcante como a do original. Não apenas porque os gostos e anseios do público mudaram, mas devido a áurea demasiadamente genérica da obra. O ritmo não flui como em seu antecessor (o primeiro ato é extremamente lento); a destruição, apesar de bem feita, poderia ser mais bem explorada (salvo o devastamento de Londres, que o trailer já mostra algumas cenas, pouco é mostrado); o 3D não apenas não acrescenta nada, como escurece demais o filme; e o próprio visual dos alienígenas, estranhamente, me incomoda. Não porque o CGI seja ruim, mas porque as criaturas não parecem tão verossímeis como no original, em que você sente que o Will Smith, de fato, deu um soco no ET.

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Outro grave problema: falta carisma. Os novos personagens não são tão carismáticos quanto os protagonistas originais, o que dificulta a criação de um vínculo emocional com eles. O trabalho do roteiro em cima do trio principal é superficial, e a fraqueza no quesito reflete na atuação dos atores, sem destaque. O maior brio vem justamente dos veteranos Jeff Goldblum, Bill Pullman, Judd Hirsch (que faz o pai do doutor Levinson) e Brent Spiner (o doutor Okun), mas também, nenhum trabalho excepcional. Ao menos, a trilha composta por Harald Kloser recupera um pouco do espírito do filme de 96, dando maior fôlego à produção.

Por fim, é uma pena que O Ressurgimento não consiga igualar o nível do entretenimento do original. A deixa para a continuação (já anunciada) está lá, na última cena, mas tudo dependerá da arrecadação na bilheteria. O longa corre o risco de, ao destruir o planeta, ter destruído o seu próprio futuro.

Nota: 5 / 10.

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