Procurando Dory

“Mesmo sem inovação, continuação da Pixar diverte e cumpre seu propósito”

Por Luís Gustavo Fonseca

Procurando Nemo é uma das melhores animações da Pixar e, consequentemente, da década passada. A história do pai que cruza o oceano para resgatar o seu filho é marcada pela diversão, personagens carismáticos e com um ótimo subtexto, que enfatiza a necessidade de deixar o lado super protetor de lado, permitindo que filhos e filhas possam se tornar independentes e serem os donos de suas próprias vidas. Mas sem significar que essa nova etapa será sem a presença – e o amor – dos pais.

É um enredo fechadinho. Por isso, foi com surpresa que soube que teríamos Procurando Dory. O título do longa até sugere que alguém seria raptado novamente, como em Busca Implacável, mas não é o caso. O novo filme propõe explorar o passado e a origem de Dory, colocando-a em uma jornada em busca de reencontrar os pais dos quais ela mal se lembra.

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Reencontrar Dory, Marlin e Nemo após 13 anos carrega um peso nostálgico poderoso, e essa nostalgia é um fator fundamental nesta continuação. É bom ver o trio novamente, em novas aventuras, destacando como o roteiro é inteligente em criar novas dinâmicas entre eles, aprofundando os personagens e suas relações. O carisma deles (principalmente o de Dory) conta muito para que haja o envolvimento emocional necessário, uma vez que, apesar da diversão e do clima aventuresco que permeia a obra, o longa conta com seus momentos mais dramáticos e tristes. Importar-se com a jornada da protagonista é peça chave para que a animação funcionasse.

A introdução de novos personagens, como do “sectópode” Hank e das baleias Destiny e Bailey, possibilita que o roteiro brinque com novas situações, aproveitando-se das características de cada um dos animais para proporcionar boas piadas e sacadas. Há espaço, também, para referenciar momentos do original (fiquem de olho para o momento em que uma icônica fotografia aparece), o que torna tudo mais divertido.  Um retorno que merece destaque é a trilha de Thomas Newman (007 Contra Spectre), que ajuda a ditar o ritmo do filme

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A produção carece, contudo, de inovação, de ousadia. Não em sua parte visual, já que a animação em si aparenta estar bem finalizada, lapidada (e não quero dizer que o original envelheceu mal, pelo contrário). Mas sim, em relação a história em si. A aventura faz rir, os personagens são legais, você se importa com eles… Mas não há nada fora da caixa, nada além de um (bom) arroz com feijão. Seria mais interessante se houvesse um aprofundamento e expansão de universo, como foi feito em Toy Story e Como Treinar seu Dragão. O tom um tanto casual enfraquece até mesmo a parte adulta da trama que, mesmo estando presente, não tem o mesmo peso de Nemo.

Mesmo sem ser espetacular, Procurando Dory consegue cumprir o seu propósito, divertindo tanto os novos quanto os velhos fãs. Como dito pela música dos créditos (que escolha acertada!), Dory e seus amigos são inesquecíveis, com essa revisitada servindo para reforçar este sentimento.

Nota: 8/ 10.

P.S.: O curta Piper não é o melhor da Pixar, mas é impressionante a qualidade da animação hiperrealista usada nele (algo que, de certa forma, O Bom Dinossauro meio que experimentou). Eu espero para que, nos próximos anos, esse modelo seja explorado em uma animação completa. É fantástico!

P.S.2: Assim como primeiro, há uma cena pós créditos em Dory. Não saiam antes da hora!

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