O que o novo Caça-Fantasmas pode aprender com os antigos

Por Luís Gustavo Fonseca

O novo Caça-Fantasmas é um dos filmes mais comentados do ano… Seja para o bem ou para o mal. A sequência / reboot de uma das mais clássicas franquias de Hollywood é mais uma da moda que tomou conta da indústria cinematográfica, que já ressuscitou, recentemente, outras sagas, como Star Wars, Jurassic Park e Mad Max. Contudo, o caso de Caça-Fantasmas se destaca negativamente: o longa conseguiu a marca de ser a produção com maior número de dislikes em um trailer no Youtube. Uma crucificação mesmo antes de qualquer um ter ideia do resultado final.

Particularmente, acho que há um exagero muito grande em todo esse ódio, misturado com misoginia pelo fato do novo time ser formado exclusivamente por mulheres. OK, os trailers não dão a impressão de que será “o melhor filme do ano!”, mas também não acho que será um desastre, algo do nível de Pixels, por exemplo. Claro, eu concordo que a franquia não deveria voltar agora. Assim como Gremlins e De Volta Para o Futuro, Caça-Fantasmas é uma daquelas franquias que pertencem aos anos 80, e deveriam continuar por lá. Mas a partir do momento que Star Wars: O Despertar da Força e Jurassic World se tornam, respectivamente, a terceira e a quarta maior bilheteria de todos os tempos, eu consigo entender o pensamento dos executivos da Sony para tocarem o projeto pra frente.

Também estou longe de ser fã do humor da Melissa McMarthy, o grande nome do novo esquadrão. Mas alto lá! Ela, ao lado de Kristen Wiig, Kate McKinnon e Leslie Jones, assim como o diretor Paul Feig, merecem uma chance. Para reverter esse clima de pessimismo, o segredo é perceber o que os dois primeiros longas podem ensinar.

1- Não tenha medo de ser brega

Mais de 30 anos separam o original desta nova produção e, obviamente, o público e suas aspirações mudaram. Mas Caça-Fantasmas não é algo sério, ou sombrio, ou comprometido com a realidade. É por ser algo tão descompromissado, leve, que ele é bom. E o novo filme não pode ter medo de ser “brega”, bobo, de resgatar esse humor mais pastelão, em contraposição ao humor recheado de referências pops da maioria das comédias atuais. Breguice que não deve se restringir aos diálogos e às situações de roteiro, mas também ao visual: os efeitos dos dois primeiros estão bem datados, mas o visual dos fantasmas é divertido e combina com a proposta estabelecido. Pelo que vi dos trailers, a produção, claro, explorou o que o CGI pode fazer hoje, mas há um “Q” da leveza daquela época. E o caminho é esse.

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2- Ciência com moderação

Em tempos em que ficções científicas de sucesso como Perdido em Marte e Interestelar se dedicam a explicar toda a ciência envolvida do que acontece em tela, é até tentador que Caça-Fantasmas siga o exemplo. Mas não é por aí. Raymond e Egon dão alguns detalhes do funcionamento das máquinas, usam alguns termos específicos, mas nada muito profundo. Só o básico para tornar a situação crível. E não saber, exatamente, como todo esse mundo funciona é divertido, abrindo espaço para a imaginação e também evitando explicações demasiadamente elaboradas e entendiantes.

3- Tenham personalidade

Os caça-fantasmas são carismáticos e a química do grupo funciona direitinho. Mas, mais do que isso, cada um de seus integrantes tem personalidade, tem características que diferenciam um dos outros. Um dos trunfos dos filmes é justamente ver a mistura de personalidades tão diferentes em um mesmo grupo. Os trailers já apontam para a variedade de personalidades das novas caça-fantasmas, mas atenção: o mais bacana seria se elas tivessem personalidades distintas da equipe original, e não fossem apenas suas versões femininas. E isso, é algo que eu ainda não tenho certeza que irá acontecer.

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4- Tragam alguma mensagem

Eu prefiro o primeiro filme ao segundo, mas a continuação me surpreendeu positivamente em um aspecto: a ideia de relacionar o fluxo de gosma, que traria Vigo de volta a vida, a intolerância, violência e falta de empatia que havia em Nova York. Tudo bem, pode ser algo bobo e clichê, é verdade, mas a iniciativa é interessante. Se o novo filme conseguir conciliar o humor com algum tipo de mensagem em seu texto, é mais um passo na direção certa.

5- Precisamos de um romance?

Mais do que aprender com os acertos, esse Caça-Fantasmas pode aprender também com os erros. E aqui, talvez eu tenha uma opinião mais impopular do que não odiar a nova produção: o fato de não gostar do romance de Venkman com Dana. Beleza, é uma forma de humanizar o fanfarrão doutor vivido por Bill Murray, além de Dana ser peça chave em ambos os longas. Contudo, sinto que a relação dos dois atrapalha a dinâmica e ritmo dos filmes, ficando muito deslocado do resto do enredo. Penso que seria mais interessante dedicar o tempo desse romance às aventuras da equipe, capturando fantasmas igual acontece no hotel ou na corte. E isso seria algo que gostaria de ver no novo: menos romance de apenas uma das integrantes, mais interação da equipe em situações espalhafatosas.

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Bem, o “mapa da mina” para um resultado minimamente razoável está dado. Faltando poucos dias para o seu lançamento, as meninas terão que enfrentar uma ameaça bem maior que o Stay Puft Marshmallow Man. Mas, até agora, a melhor definição para o novo Caça-Fantasmas é que ele é como um gato de Schöndinger: bom e ruim ao mesmo tempo… Ao menos, até ser visto.

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