Caça-Fantasmas

“Esquadrão feminino deixa sua marca em remake de clássico dos anos 80”.

Por Luís Gustavo Fonseca

Em 1984, quatro homens salvaram Nova York de um boneco marshmallow gigante e entraram para a história. Divertido, descompromissado e com uma das mais marcantes músicas temas de todos os tempos, o Caça-Fantasmas estrelado por Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson, além de Sigourney Weaver, se tornava um símbolo de seu tempo, e um dos filmes mais queridos da década, recebendo uma continuação em 1989.

Mais de 30 anos depois, contudo, o cenário é bem diferente. O novo Caça-Fantasmas alcançou a infame marca de filme com maior número de dislikes da história do Youtube. O remake, comandado por Paul Feig (As Bem Armadas, Spy – A Espiã que Sabia de Menos) e estrelado por Melissa McCarthy, Kriste Wiig, Kate McKinnon e Leslie Jones, apresenta uma nova origem e um novo cenário para a equipe para qual você irá ligar caso tenha problemas sobrenaturais.

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Apesar de toda a áurea negativa que a cerca, a produção está longe de ser esse desastre imaginado por alguns. Não chega a ser impecável, claro: algumas piadas são ineficazes e, em outras passagens, há até a ausência do humor, em momentos bem sóbrios; o longa poderia ser de dez a quinze minutos mais curto, dando melhor ritmo a história; e, basicamente, joga no seguro, carecendo de  maior ousadia para arriscar algo diferente de outras comédias da atualidade.

Por outro lado, é justamente por fazer esse “arroz com feijão” que a obra cumpre seu propósito de divertir. A química entre as quatro protagonistas funciona, os diálogos possuem boas sacadas e situações divertidas, as referências são na medida certa. Há um respeito pelo material original (e a participação de atores dos originais talvez seja o melhor exemplo disso), mas Paul Feig se preocupa em criar uma identidade própria para a produção. Seja pela personalidade das mulheres (que, como eu disse aqui, era um ensinamento que o remake poderia aprender com os antigos), seja por sua interação, ou pelo visual e o tom da obra. Este é – vejam só – mais sombrio que os originais em alguns momentos, mas mantendo a identidade “boba” e espalhafatosa do visual dos fantasmas.

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Outra qualidade de Feig que se destaca é sua direção de atores. Assim como outros exemplos de sua filmografia, ele tem um bom direcionamento com mulheres em papéis principais, possibilitando melhores trabalhos de sua trupe, mesmo que não haja nenhuma atuação excepcional. Do quarteto, Kate McKinnon é a que mais arranca risos. O bom trabalho de Feig com atores em papéis coadjuvantes é outro trunfo na manga, dessa vez com Chris Hemsworth, seguindo o exemplo Chris O’Dowd em Missão Madrinha de Casamento e Jude Law e Jason Statham em A Espiã que Sabia de Menos.

Por fim, a produção ainda conta com a boa trilha de Theodore Shapiro e com um surpreendente 3D bem utilizado, que acrescenta algo e não prejudica a fotografia. Mesmo que, de fato, passará longe de ter a mesma iconicidade do original, o novo Caça-Fantasmas entrega um resultado satisfatório. Cabe apenas ao público dar a chance que o filme merece.

Nota: 6,5/ 10.

P.S.: Há uma cena pós-créditos, fiquem ligados!

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