A Lenda de Tarzan

“Rei das Selvas volta sem brilho às telonas.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Tarzan é um daqueles personagens que habita o imaginário popular. O “Rei das Selvas”, criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs, surgiu na revista pulp All-Story Magazine, em 1912. Desde então, o herói ganhou diversas continuações, adaptações para a TV e para o cinema, merecendo destaque a primeira vez que o famoso grito do personagem surgiu, em Tarzan, o Homem Macaco, de 1932, pela voz de Johnny Weissmuller.

A nova aventura de Tarzan, contudo, não foca em sua origem ou no começo de sua relação com Jane – momentos presentes em forma de flashbacks ao longo do filme -, mas, sim, no seu retorno à selva. Agora, vivendo na Inglaterra confortavelmente com a herança deixada por seus pais, o herói, vivido por Alexander Skarsgård, recebe o convite do americano Dr. George Williams (Samuel L. Jackson) para retornar à África. O objetivo? Investigar as denúncias contra o Rei Leopoldo II, da Bélgica, que estaria usando trabalho escravo em suas operações no Congo, por intermédio de seu braço direito, Leon Rom (Christoph Waltz).

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A melhor palavra que caracteriza a produção é inconsistência. O longa conta com bons momentos mas, de uma forma geral, desperdiça potencial para realizar algo mais marcante. A ideia de contar uma trama posterior à formação da “lenda” de Tarzan é interessante, possibilitando que o roteiro trabalhe o protagonista por um novo ângulo. Nesse aspecto, se destaca a maneira deslocada e triste na qual Tarzan vive na Inglaterra, sensação reforçada pelo contraste que a fotografia proporciona entre a ambientação de sua mansão britânica e os cenários cheios de cores na África.

Outros pontos positivos estão ligados à trilha sonora, que tem seus pontos altos, e aos efeitos especiais, já que o visual dos animais é incrivelmente bem feito, com as criaturas tendo uma aparência bastante verossímil e crível. Uma pena que o 3D pouco aproveite esse aspecto, mesmo na projeção da sala IMAX (ao menos, o formato não prejudica a fotografia da obra).

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Em contrapartida, o desenvolvimento da história não tem a mesma qualidade. A edição é confusa, pois além de se dividir entre os núcleos de Tarzan e o Dr. Williams e o de Leon com Jane (Margot Robbie), ainda tem que encontrar espaço para colocar os flashbacks sobre o passado do Rei das Selvas, o que atrapalha a dinâmica como um todo. A boa trupe de atores realiza um trabalho satisfatório, mas a sensação de desperdício novamente acontece, pois você sabe que eles são capazes de mais.

O mais irritante e prejudicial da obra é a direção de David Yates, em seu primeiro trabalho desde Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. O tempo parado parece ter enferrujado o diretor, que peca em excesso na hora de comandar a ação. Ao invés de aproveitar os momentos de conflito corpo a corpo, Yates esconde, na maioria dos casos, esse confronto. Quando Tarzan vai dar um soco em alguém, ele corta para mostrar a reação de outro personagem, ou para um enquadramento de câmera que tira a força das batalhas, com close-ups muito fechados nos rostos dos personagens.

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A Lenda de Tarzan, apesar de suas falhas, serve como termômetro e como prévia do tom e da assinatura visual que veremos, em 2018, em O Livro da Selva, produção da Warner Bros que marcará a estreia na direção  Andy Serkis. Uma caracterização bem diferente do que a Disney vem realizando em sua leva recente de live actions de clássicos infantis. Tarzan serve de termômetro, também, para outro filme: Animais Fantásticos e Onde Habitam, dirigido por Yates e que estreia em novembro de 2016. Fica a esperança de que, ao retornar ao mundo mágico, Yates não repita seus erros e apresente um trabalho mais satisfatório.

Nota: 5/ 10.

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