A Piada Mortal

Por Luís Gustavo Fonseca

A Piada Mortal é um dos maiores clássicos do quadrinhos, contendo, em menos de 100 páginas, uma das mais célebres histórias do Morcego de Gotham contra o Palhaço do Caos. Com roteiro do consagrado Alan Moore e arte de Brian Bolland, a graphic novel apresenta o Coringa com um novo objetivo: provar que as pessoas só precisam de um dia ruim para se tornarem tão insanas quanto ele. O objetivo colocará à prova as sanidades de Batman, Jimmy e Bárbara Gordon.

Por ser uma história tão querida pelos fãs, a expectativa era enorme pela animação, que tomou a decisão correta de ter censura de 18 anos, explorando sem receio a violência e o tom pesado da trama. Além da censura, outros acertos podem ser atribuídos a trilha sonora, a ação do desenho, a fidelidade ao material original e ao trabalho de dublagem de Kevin Conroy e Mark Hamill, que retornam às vozes de Batman e Coringa, respectivamente.

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Se o desenho, ao menos nos close-ups dos personagens, tem um bom traço, que colabora para demonstrar suas emoções, em planos mais abertos, ele passa a sensação de estar mal finalizado, pecando em um cuidado maior com os detalhes. A dinâmica e o ritmo do longa também tem altos e baixos. A história de origem do Coringa, por meio de flashbacks, não é um incômodo quando você faz a  leitura, mas na animação, a sua inserção atrapalha o ritmo, pois são longas e com uma dinâmica diferente do enredo principal. Talvez fosse o caso de passar um único flashback com toda a trama? Difícil pensar em outras alternativas.

O que mais me incomoda, contudo, é o primeiro ato do filme, que é roteirizado por Brian Azzarello, um dos quadrinistas de maior prestígio na DC atualmente. Por ser uma história tão curta, a produção optou por uma introdução, focada na relação entre o Batman e a Batgirl, dando maior espaço para a personagem. A ideia era justamente explorar o relacionamento dos dois vigilantes, proporcionando maior gravidade para as ações derradeiras da história, ao mesmo que procura aproximar o telespectador da heroína, que não desfruta da mesma popularidade que o Cavaleiro das Trevas. Ideia boa, mas decisão e condução equivocadas. O modo como essa relação é trabalhada, julgo, em nada acrescenta no decorrer do enredo, além de diminuir a própria Bárbara Gordon, mostrando-a como se fosse uma garotinha que faz tudo apenas para ter a atenção do Batman. Sem contar que é… Estranho (para não dizer idiota) o modo como se dá a relação dos dois. Nunca pensei que a relação dele com ela, no contexto da Batfamília e de como o Morcego se relaciona com seus protegeés, poderia debandar para esse lado. Um tiro pela culatra.

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Por fim, a animação pode até não corresponder as expectativas e se igualar ao patamar do material original, mas consegue proporcionar a satisfação para os fãs da história. Mais importante: é a melhor animação da DC – que sempre mandou bem nesse quesito, mas que vem vacilando recentemente – dos últimos dois, três anos. Mas, ainda, dá para melhorar consideravelmente.

Nota: 7/ 10.

P.S: Fiquem atentos pois há uma cena pós-créditos!

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3 comentários sobre “A Piada Mortal

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