Um Espião e Meio

“Dupla protagonista é o coração de comédia sobre espionagem”

Por Luís Gustavo Fonseca

Um Espião e Meio tem a união de dois dos atores que podem ser classificados como “investimento seguro” em Hollywood atualmente. Analisando os números da chamada bilheteria doméstica – aquela que contabiliza o faturamento dos EUA e do Canadá – , nota-se como o comediante Kevin Hart tem o seu público por lá. Acostumado a orçamentos medianos (Espião custou “modestos” 50 milhões de dólares), ele emplacou, nos últimos anos, hits como: Policial em Apuros 1 e 2 (juntos, arrecadaram US$215 milhões; custo somado de US$65 milhões), O Durão (US$90 milhões de arrecadação; US$40 milhões de custo) e Pense como Eles (US$91 milhões; 12 milhões). Já Dwayne “The Rock” Johnson é uma estrela global, e traz consigo os três últimos Velozes & Furiosos, além de Terremoto: A Falha de San Andreas (mais de US$470 milhões em todo globo) e G.I. Joe: Retaliação (US$375 milhões).

Na trama, Bob Stone (Dwayne Jonhson) era um garoto acima do peso que foi humilhado por bullies, ao ser jogado pelado na frente de toda a escola (você pode saber mais como eles deixaram o “The Rock” desse jeito na matéria da Entertainment Weekly, em inglês, clicando aqui). O único a não rir de sua tragédia e ajudá-lo é Calvin Joyner (Kevin Hart), o estudante mais popular da escola. Vinte anos depois, às vésperas da reunião da turma formanda daquele ano, o caminho de ambos volta a ser entrelaçado, quando Bob, agora um agente da CIA, precisa da ajuda de Calvin para descobrir quem está por trás do roubo de códigos de satélites secretos estadunidenses. Mais do que isso: é a chance de Bob limpar sua própria ficha, já que ele mesmo é procurado pela agência de segurança, que supõe que o próprio é o responsável pelo roubo.

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A reunião inesperada e todo enredo mirabolante que se segue é marcada por absurdos, soluções simples e as famosas reviravoltas, características das produções de espionagem. A repetição de elementos batidos, entretanto, não se caracteriza como um ponto negativo, já que o longa funciona e, principalmente, diverte desta forma. Na verdade,  foi uma boa surpresa a maneira como o roteiro trabalha a dualidade do personagem de Dwayne Johnson, pondo em dúvida de que lado o personagem realmente estaria.

O humor não é efetivo em todos os momentos, mas o texto ganha pontos ao trabalhar a dinâmica da dupla protagonista. E é a dupla que tem o maior mérito da obra, já que a química entre Hart e “The Rock” funciona perfeitamente e, a partir dela, temos boas atuações e risadas garantidas. Se falta técnica ou talento, isso é compensado pelo grande carisma dos atores, que carregam a obra e ajudam a cumprir o seu principal objetivo: divertir.

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A direção de Rawson Marshall Thurber (Família do Bagulho) não compromete, mas são raros os momentos em que a ação é trabalhada com maior esmero e de forma mais competente, já que os cortes rápidos não favorecem as cenas de combate. Outro aspecto que deixa a desejar a trilha de Theodore Shapiro, que havia mandando bem no ano passado, em A Espiã que Sabia de Menos, longa com temática parecida.

Apostando no poder carismático de suas estrelas, Um Espião e Meio não é brilhante, mas garante o bom entretenimento proporcionado por uma comédia despretensiosa. Além do mais, o retorno financeiro já está garantido: até agora, a obra já arrecadou mais de US$200 milhões no mundo todo. Missão cumprida.

Nota: 6/ 10.

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