Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e as Suas Adaptações

Por Matheus Araujo

Quando a continuação de Harry Potter foi anunciada, varinhas e chapeis pontiagudos foram lançados ao céu tamanha a excitação. Todavia, uma interessante preocupação acompanhou a notícia que informava que o bruxo de J.K. Rowling invadiria os palcos de teatro: como nós, fãs ao redor do mundo trouxa, assistiríamos à continuação? Logo, as pressões para a maior disseminação da história começaram…

Dada a firme declaração da mãe do Mundo da Magia de que Harry Potter e a Criança Amaldiçoada deveria ser entregue somente como peça teatral, os potterheads se desesperaram. Mas bons fanáticos como são, conseguiram, a partir de muita encheção de saco, que o script fosse publicado parelho a estreia da peça. Eis que li o tal roteiro e discorrerei se concordo ou não com a posição da autora, sem spoilers, a seguir.

A enormidade de Harry Potter nos cinemas e a aparente falta do quê fazer da equipe dos “oito” filmes provocam que tão logo despontem os rumores sobre o retorno da saga às telas. Neste caso, concordo veementemente com a posição de não transpor ao cinema já que, dada a projeção do que é esta peça em minha cabeça, não penso que poderíamos ter o devido impacto através da cinematografia. Não me entenda mal, eu amo cinema e acredito em seu poder. Acontece que Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é uma história de celebração à saga e como artifício para tal retornamos por vezes e vezes a momentos e personagens que jamais teremos acesso novamente no cinema. Não é possível (felizmente) ressuscitar a interpretação do jovem Daniel Radcliffe e colocar um ator qualquer o substituindo maltrataria toda a intenção de J.K. em verdadeiramente reviver as cenas. No teatro, não temos parâmetros. A imersão não é quebrada pelas diferentes interpretações. Ademais, limitações como ao falecimento de Alan Rickman (Severo Snape) tornam o projeto ainda menos viável.

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Por outro lado, só o roteiro de teatro não apetece um potterhead. Li e preciso da peça. Preciso das nuances da interpretação de cada ator. Preciso de cenários. Preciso de trilha sonora. A descrição nos escritos publicados é limitadíssima e, dessa forma, responsabiliza o leitor pelo sucesso da história. Okay. Scripts são assim. Mas em nada perderíamos se a própria J.K. lapidasse o roteiro de Jack Thorne e o romanceasse no futuro. Da forma como está, e dado o caráter de ode, acredito que o resultado siga a seguinte equação: quanto mais envolvido com o Mundo Mágico, mais especial será a experiência da leitura do roteiro, uma vez o leitor preencherá as várias lacunas com todo o seu amor por Harry Potter.

Por mais que deseje esta versão, não estou aqui para inventar falsas esperanças. É muito provável que ficaremos apenas com o roteiro – que vale, comprando-se sua proposta, muitíssimo a pena. Aliás, após sua leitura, aumentei e muito minhas expectativas quanto à execução de Cursed Child no palco. Mesmo o enredo sendo desenvolvido tendo em mente a limitação do palco, tentar imaginar como certas cenas foram executadas é bem desafiador. Enfim, vamos aceitar a imperativa, porém expansiva, criatividade de J.K. Rowling e celebrar Harry Potter nos livros, filmes e teatro!

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2 comentários sobre “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada e as Suas Adaptações

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