Star Trek: Sem Fronteiras

“Terceiro longa do remake de clássico do sci-fi mantém o bom ritmo nos 50 anos da franquia.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Neste mês de setembro, Star Trek completa cinco décadas de existência. Ao longo dessa extensa trajetória, a série cultivou inúmeros admiradores no mundo todo, teve diversos filmes e produções para a TV e consolidou-se como um dos maiores expoentes do gênero sci-fi e da cultura nerd de todos os tempos.

Meu contato com a franquia, contudo, não se deu por meio desses clássicos, mas sim pelo remake idealizado pelo diretor J.J. Abrams (Star Wars: O Despertar da Força) em 2009, que apresentou este símbolo para um novo público. O longa, assim como sua continuação, Além da Escuridão: Star Trek, são marcados pela dinamicidade e o universo bem construído, tendo uma boa assinatura visual (apesar que, não minto, o lans flare característico de Abrams me cansa no primeiro) e, acredito eu, respeitando o material original. O objetivo de reviver a série e conquistar novos fãs havia sido cumprido com sucesso.

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Esse poster é um dos mais bonitos que tivemos este ano.

A terceira parte desta nova jornada nos confins do espaço não conta com a direção de Abrams, que deixou o cargo para ser responsável pela revitalização de outro símbolo máximo da cultura nerd, Star Wars. No seu lugar, entrou Justin Lin, diretor de quatro filmes da franquia Velozes & Furiosos (e que, convenhamos, foi o que transformou a série estrelada por Vin Diesel e Paul Walker no monstro de bilheteria que é hoje). A missão de Lin não era fácil, já que esta terceira aventura  é responsável por, finalmente, vermos a esperada missão de cinco anos realizada pela tripulação da U.S.S. Enterprise.

O roteiro escrito por Doug Jung e Simon Pegg tem o grande mérito da obra. Apesar de seu ritmo cadenciado nos dois primeiros atos, bem diferente do ritmo mais frenético de Além da Escuridão, o texto acerta ao explorar novos nuances dos personagens principais e de suas relações. Ao sair do foco Kirk-Spock (Chris Pine e Zachary Quinto, respectivamente), eixo principal das produções anteriores, a trama aproveita para solidificar a ideia de família que há entre os tripulantes, explorando melhor os demais coadjuvantes. Dos novos filmes, é o que melhor aproveita e destaca personagens como Sulu (John Cho), Chekov (Anton Yelchin, que infelizmente faleceu mais cedo este ano) e até mesmo o Dr. McCoy (Karl Urban) que apresenta um novo lado ao ter que interagir mais com Spock do que com Kirk. Não à toa, é o melhor trabalho dos atores na franquia até o momento.

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Mais do que uma tripulação: uma família.

Talvez este destaque tenha prejudicado, por outro lado, personagens que antes tinham participação mais decisiva, como Uhura (Zoe Saldana) e Scotty (Simon Pegg). Entretanto, a introdução de novos, como Jaylah (Sofia Boutella), ajuda a compensar isso, reforçando uma característica forte destes três episódios: a facilidade em criar personagens que o público goste e se importe. Até mesmo com a Enterprise, que, intencionalmente, é tratada como uma personagem também.

O humor é distribuído na dose certa ao longo da produção, que ainda consegue equilibrar diversão, ação e homenagens em uma história que se sustenta sozinha. Arcos dramáticos pessoais, como o de um Kirk que questiona a sua vida como capitão, ou a de um Spock que deve encarar uma nova realidade, também têm o seu espaço e acrescentam para a consistência do texto. O aspecto também permite um melhor  trabalho de ambos os atores.

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A maquiagem de Krall e de outros alienígenas é muito boa.

Ainda me agrada mais a condução dos longas anteriores, já que, na maior parte do tempo deste novo, não percebi força e presença no antagonista da obra, Krall (Idris Elba), sobretudo por suas motivações ficarem mais claras e bem trabalhadas apenas no clímax. Porém, surpreendentemente, esse desenvolvimento repentino no fim é realizado de maneira satisfatória, dando mais camadas ao vilão e aproveitando melhor o talento de Elba, bem desperdiçado nos outros dois atos da história. Aliás, algo curioso: o plot twist envolvendo Krall traz mais impacto para os personagens do que a revelação de Khan em Além da Escuridão, que funciona mais como fan service do que dentro da narrativa.

A ideia de família e união entre os tripulantes (aspecto que é apontado de maneira explícita na obra) é o maior benefício que Justin Lin traz de Velozes para Star Trek, já que sua direção é inconsistente. A fotografia é predominantemente escura, lembrando os momentos nas naves dos Romulanos no longa de 2009, o que ainda é prejudicado pela projeção 3D. As cenas de ação em ambientes fechados também incomodam, com cortes rápidos e tomadas estranhas, que atrapalham entender o que está acontecendo. Felizmente, em planos mais abertos e ambientes mais claros, presentes no fim da trama, Lin acerta a mão na ação e entrega bons momentos.

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Por fim, estou um pouco desapontado com o 3D, que estava muito mais arrojado na produção antecessor. Até mesmo o IMAX não estava tão imersivo quanto eu imaginava. Em contrapartida, o visual dos personagens é melhor bem aproveitado, havendo uma maior variedade de alienígenas e mostrando a competência do departamento de arte e dos efeitos visuais. A trilha de Michael Gianchinno (Divertida Mente) continua em um bom nível (o tema da Enterprise é muito bom), mas talvez seja o seu trabalho mais fraco com a série até o momento (apesar de Hitting the Saucer a Little Hard ser uma das melhores faixas da atual trilogia).

Star Trek: Sem Fronteiras não deixa a peteca cair (ao menos, na qualidade, já que é o com menor bilheteria dos novos até o momento) e continua a caminhada para explorar a fronteira final por, quem sabe, mais 50 anos. Mais importante do que isso: dá fôlego para o objetivo de atrair novos fãs com o intuito de, além de conferir o novo material, eles possam correr atrás das séries e filmes antigos (algo que, inclusive, eu deveria fazer). Outra motivação? No início do próximo ano, a CBS irá exibir um novo seriado da franquia, que estarão disponíveis na Netflix 24 horas depois de serem exibidas na TV. Parece que teremos uma vida longa e próspera para Star Trek nos próximos anos.

Nota: 7/ 10.

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4 comentários sobre “Star Trek: Sem Fronteiras

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