Cães de Guerra

“Atuações e equilíbrio entre drama e absurdo são os grandes trunfos de história real.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Quando é dito que “Na guerra, não há vencedores.”, é com o intuito de destacar os danos causados pelos conflitos armados que resultam na morte de milhares de pessoas e na destruição em larga escala, mesmo quando um dos lados sai como “vitorioso”. Mas nos embates da contemporaneidade, há, sim, aqueles que saem como vitoriosos (ou seriam aproveitadores?): os barões da indústria bélica faturam quantias absurdas de dinheiro pela venda de armas para todos os cantos do mundo, independentemente dos interesses ou dos objetivos de quem as compra.

Cães de Guerra procura mostrar uma das facetas por trás desta indústria. Não a dos grandes barões, mas do “pequeno mercador”, daqueles que conseguem um bom lucro em contratos com o governo americano apenas com as “migalhas” e negociações menores. Baseado em uma história real, a trama acompanha David Packouz (Miles Teller) e Efraim Diveroli (Jonah Hill), dois jovens que conseguem faturar uma boa grana neste ramo, até que conseguem fechar um contrato de US$300 milhões com o governo de EUA, em um carregamento de armas para ser enviado na guerra do Afeganistão.

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Todd Phillips é o diretor e um dos roteiristas da obra, sendo bastante interessante ver ele se concentrando e desenvolvendo o lado mais dramático desta jornada. Não segue, por exemplo, a estratégia utilizada por Michael Bay em Sem Dor, Sem Ganho, em que um crime real e bárbaro é amenizado pelo tom humorístico e pela comédia de erros causadas pelos criminosos. Apesar de ser conhecido pela trilogia Se Beber, Não Case e Um Parto de Viagem, Philips toma o cuidado de se distanciar do ritmo divertido e frenético de sua filmografia, realizando um filme diferente de seus outros trabalhos.

Não que o humor ou momentos mais inacreditáveis não estejam presentes. O diferencial é que a dosagem deles no decorrer do enredo é feito de maneira certeira, de modo que não prejudique nem ritmo da trama e tampouco cansa o telespectador. O tom mais sério permite mais camadas sobre o tema e as discussões que o acompanham, além de um maior desenvolvimento da relação entre a dupla principal. Mesmo que o roteiro recorra a um arquétipo de narrativa conhecido, a da ascensão e queda de seus protagonistas, ele tem êxito em construir uma história consistente e personagens que, mesmo moralmente dúbios, você se importa.

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A ligação com os protagonistas ocorre, sobretudo, pelas atuações. Sim, Miles Teller já teve trabalhos melhores, como em Whiplash e O Maravilhoso Agora. Mas, ao contrário de Quarteto Fantástico, o seu talento é bem aproveitado pela obra, e a química dele com Jonah Hill funciona perfeitamente. Aliás, é a atuação de Hill que mais me agrada desde Moneyball: O Homem que Mudou o Jogo. Penso que ele funciona melhor quando há um equilíbrio entre seu lado cômico e seu lado dramático, ao invés de algo focado mais exclusivamente na comédia, como em Anjos da Lei e O Lobo de Wall Street.

Finalmente, Cães de Guerra se revela uma das grandes e boas surpresas deste ano. Objetiva e equilibrada, a obra consegue causar reflexão sobre um aspecto que pode passar despercebido quando se fala sobre guerra, ao mesmo tempo em que permite certo escapismo e diversão. Dá para dizer que o telespectador sai como vitorioso.

Nota: 7/ 10.

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