Sete Homens e um Destino (2016)

“Releitura de faroeste acerta na ação, mas  não iguala patamar do filme de 1960.”

Por Luís Gustavo Fonseca


Esse ano, tive a excelência oportunidade de conferir, pela primeira vez, dois filmes clássicos, no próprio cinema: Os Sete Samurais e Sete Homens e um Destino. Sim, apesar de escrever os textos aqui pro site, tem muitas obras consideradas “clássicas” e “essenciais” que eu ainda não tive a chance (ou, confesso, o animo) para ver. Contudo, essas lacunas deixadas ao longo da vida que permitiram experiências como essas, na qual é possível uma “simulação” de como teria sido ver o longa na época, sem saber seu enredo ou o desenrolar da história.

Em suma, dois filmaços. Akira Kurosawa realizou uma obra encantadora e memorável, recheada de personagens interessantes e que tinham uma boa química entre si, o que torna muito mais proveitosa a jornada de mais de três horas de Sete Samurais. A união desses personagens, aliada às características específicas e definidoras de cada um deles, é o grande legado que Sete Homens e um Destino adota. O faroeste pode não ter o mesmo brilho ou o trunfo do ineditismo, mas adapta de forma satisfatória o longa japonês, respeitando o original (algo que os créditos iniciais já referenciam), mas conseguindo criar uma nova ambientação e roupagem que se justificam  e se sustentam por si só.

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Cinquenta e seis anos depois, Antoine Fuqua (O Protetor, Nocaute) comanda uma nova leitura da história que conta como sete caubóis, liderados por Chisolm (Denzen Washington), têm a difícil missão de protegerem um vilarejo da exploração destrutiva do magnata Bartholomew Bogue (Peter Saargard). Eles contarão apenas com suas habilidades e a ajuda dos moradores do lugar para conseguir tal feito.

Infelizmente, ao contrário da produção de 1960, esta nova abordagem não se justifica (ou não se sustenta de forma tão interessante quanto a sua outra versão). É a direção mais instável de Fuqua entre seus últimos trabalhos. Por um lado, ele continua acertando na filmagem da ação e na condução da mesma, em sequências bem maiores e ambiciosas do que vistas em Protetor e Nocaute. Por outro, tem uma fotografia desnecessariamente escura, subaproveitando as tomadas em ambientes interiores.

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A trama em si não chega a atrapalhar, mas também não brilha. Apostando no “arroz com feijão”, ela opta por um enredo simplório, que caricatura um vilão, tornando-o muito simples e diminuindo seu peso como antagonista. Não há riscos, não há o intuito de fazer algo diferente, mais ousado ou inesperado. É tudo dentro dos conformes (e isso não é necessariamente ruim, mas não deixa de ser uma chance perdida). O que mais me incomoda neste quesito é que as personalidades dos protagonistas, tão importantes nos originais, não são o ponto principal, o que torna a obra especial. Tudo bem, eles apresentam os seus diferenciais, como o mestre das facas, o malandro do velho oeste ou o índio arqueiro… Mas a liga entre eles, se acontece, é pouco aprofundada, além de serem raros os momentos de brilho e de destaque de cada um deles.

Isso acaba refletindo, por fim, no trabalho dos atores. As atuações, no geral, são medianas, desperdiçando o calibre de um elenco que conta, além de Washington, com Chris Pratt (Jurassic World, Guardiões da Galáxia), Ethan Hawke (trilogia Antes) e Vincent D’Onofrio, o ponto alto do quesito, sendo o personagem mais carismático da produção, além de apresentar um lado bem diferente do que vimos em Demolidor. Um gostinho que prova que Sete Homens e Um Destino poderia ser melhor, apesar de ainda valer o ingresso para os fãs de faroeste.

Nota: 5,5/ 10.

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