Kubo e as Cordas Mágicas

Por Luís Gustavo Fonseca

Confesso que não sei por onde começou, mas a técnica de animações em stop motion sempre foi algo que me agradou. Talvez por ser distinguir do da computação gráfica convencional, ou pela dificuldade e pelo desafio de se elaborar uma obra nesse estilo (se você ainda não viu, veja alguns making offs desses filmes), o modelo é, certamente, uma alternativa interessante para quem procura algo diferente.

Uma das grandes referências da técnica é a Laika, estúdio que já produziu A Noiva Cadáver, Coraline e o Mundo Secreto e ParaNorman. Com Kubo e as Cordas Mágicas, o diretor Travis Knight (produtor de ParaNorman e Os Boxtrolls) narra a história de Kubo, um garoto que vive tranquilamente com sua mãe em uma pequena vila japonesa, ganhando a vida como um contador de histórias. Mas não um contador de histórias qualquer: usando o poder mágico de seu violão, ele dá vida a origamis e narra as épicas histórias de um lendário guerreiro samurai, que vence os mais diversos desafios e precisa encontrar uma armadura mágica para derrotar o seu arqui inimigo. Contudo, mal sabe Kubo que a história de sua vida e a que ele conta tem (e terão) mais semelhanças do que ele imagina, o que o colocará em uma jornada tão épica quanto a do seu herói de papel.

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A animação em si é o grande acerto da produção. Mesmo tendo o mesmo custo das outras animações da Laika, ela aparenta estar melhor finalizada, com uma interação mais fluida e dinâmica entre o stop motion e os efeitos especiais. A ambientação da história e os mitos orientais também é outro grande ponto, já que o design dos personagens e, principalmente, a trilha sonora, ajudam muito a criar a ambientação necessária para o filme.

A história tem altos e baixos. Por um lado, ela acerta em personagens carismáticos e que interagem bem entre si, cativando o público. Além disso, julgo interessante como o enredo se arrisca e permite algumas viradas inesperadas, fora do padrão dos desenhos atuais, o que ajuda a manter a atenção do espectador presa.

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Ao mesmo tempo, a obra peca por apelar para alguns clichês que tornam certos momentos previsíveis, desinteressantes e afetam, sobretudo, o ritmo do longa, tornando-o mais lento (o que conta muito para uma produção de 1h40). As lutas e os duelos, apesar de serem bonitos, poderiam ocupar mais tempo de tela, tendo uma resolução, muitas vezes, rápida. Um bom exemplo disso é o clímax, que fica devendo um pouco em relação à crescente da trama, sendo que poderia ser um pouco mais épico e grandioso.

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Kubo e as Cordas Mágicas pode não ser o melhor exemplo do formato, porém acaba sendo uma boa pedida não só para as crianças (que tiveram o seu dia esta semana), mas também para todos aqueles que apreciam o stop motion. Aconselho, inclusive, a não saírem durante os créditos, que dão um gostinho de como uma obra dessas é feita.

Nota: 6,5/ 10.

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