A Garota no Trem

“Emily Blunt é o grande trunfo em suspense cativante e bem feito.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Rachel Watson (Emily Blunt) é uma mulher que passa por um momento delicado em sua vida. Desde o divórcio com o seu ex-marido, Tom (Justin Theroux), ela se afogou no alcoolismo e na rotina de, todos os dias, pegar um trem para Manhattan, sem um propósito definido. A dificuldade em seguir adiante com sua vida é reforçada pelo fato de o trem passar ao lado da casa onde morava com Tom, onde ele agora vive casado com Anna (Rebecca Fergunson), cuidando da pequena Eevie. Em suas viagens de trem, Rachel vê no casal vizinho, formado por Megan (Haley Bennet) e Scott (Luke Evans), a idealização de um relacionamento perfeito, no qual ela não mais faz parte – se é que algum dia fez. O desaparecimento de Megan, contudo, acaba por unir ainda mais a vida dessas três mulheres, em uma trama que nada é o que parece.

O primeiro ato da obra é marcado por uma dinâmica um tanto desajustada, no qual os pontos de vista das três personagens principais se alternam de forma brusca, se passando tanto no presente quanto no passado. A medida que o filme avança, contudo, a alternância se torna mais natural, com a mudança de uma perspectiva para outra acontecendo de maneira mais fluída e, principalmente, conseguindo amarrar as tramas das três personagens e as pistas para a resolução do grande mistério do longa.

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O roteiro é um dos pontos fortes da produção, já que a construção dos suspense e do clima de incerteza é bem feita. Para quem não leu o livro, como eu, é importante que a matada da charada não aconteça antes da hora, para preservar o plot twist da trama. Nesse sentido, o melhor recurso utilizado pelo texto são os flashbacks de Rachel e de Megan, que conseguem, ao mesmo tempo, instaurar a dúvida no espectador, ao mesmo tempo aprofundar as personagens, explorando seus conflitos.

Conflitos que ganham maior impacto pelas atuações. O grande destaque fica para Emily Blunt (No Limite Do Amanhã, Sicario – Terra de Ninguém), no que, penso, é a sua melhor atuação nos últimos anos. A atriz transmite com maestria os tormentos causados pelos problemas que afetam Rachel, como o alcoolismo e o fato de não conseguir deixar o relacionamento com seu ex-marido para trás. Apesar de achar difícil, não seria injusto se Blunt conseguisse indicações na temporada de prêmios que está por vir. Elogios ainda se estendem às demais protagonistas, Rebecca Fergunson (Missão: Impossível – Nação Secreta) e Haley Bennet (Sete Homens e Um Destino), além de Justin Theroux (The Leftovers), decisivo na segunda metade da produção.

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Por fim, a direção de Tate Taylor (Histórias Cruzadas) é razoável, com o grande destaque ficando para a fotografia, cinzenta e melancólica e que combina com o tom do filme. Acho que a trilha de Danny Elfman (Grandes Olhos, Alice Através do Espelho) poderia ter bebido mais da fonte de Trent Reznor de A Garota Exemplar, mas o compositor concebe uma boa atmosfera em sua trilha.

A Garota no Trem mantém a sequência de bons thrillers que tivemos nos últimos anos nesta época do ano, como Os Suspeitos (2013), A Garota Exemplar (2014) e Sicario – Terra de Ninguém (2015). E mesmo que, ao contrário dos outros, o longa não consiga nenhuma indicação ao Oscar (o que de fato, acho improvável), o maior mérito do filme talvez seja criar interesse para que você corra atrás do livro, mesmo sabendo como a trama termina. Em vista da minha experiência com A Garota Exemplar, garanto que vale a pena.

Nota: 7,5/ 10.

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