A Luz Entre Oceanos

Por Luís Gustavo Fonseca

Após a Primeira Guerra Mundial, o ex-combatente Tom Sherbourne (Michael Fassbender) é contratado para administrar um isolado farol em uma remota ilha australiana, que marca a divisão dos Oceanos Pacífico e Índico. O que era para ser uma vida pacata e solidária é alterada quando ele se apaixona por Isabel Graysmark (Alicia Vinkander), casando-se com ela. O casamento e o isolamento na ilha estreita os laços dos casal, que procura ter uma vida feliz e construir uma família, mas a relação é posta à prova pelos traumas de duas gestações frustradas e por um bebê, milagrosamente vindo do mar, que mudará as suas vidas.

A produção, que adapta o livro de M.L. Steadman, é dirigida e roteirizada por Derek Cianfrance, diretor de curta filmografia e que, até então, ainda não conhecia.  Vendo duas de suas obras anteriores, Namorados Para Sempre (2010) e O Lugar Onde Tudo Termina (2012) – dois bons filmes, por sinal -, é fácil perceber algumas características do diretor que, felizmente, se repetem em A Luz Entre Oceanos.

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Destaca-se, em sua direção, o modo como ele trabalha as emoções, de duas formas distintas: uma, com a câmera próxima ao rosto dos atores, explorando as feições de seu elenco (estratégia que acaba aproveitando ainda mais os atores, potencializando seus trabalhos); outra, em takes mais amplos e que retratam os personagens em espaços abertos, enquadrando-os com a natureza e causando sensações como tristeza, solidão e melancolia – o que é bem compreensível para uma trama aborda, sobretudo, a vida de um casal em uma pequena ilha, longe do restante da sociedade. A fotografia acinzentada e a trilha sonora mais contundente são outros fatores que ajudam a lapidar o quesito.

Uma pena que o roteiro de Cianfrance não esteja na mesma qualidade da direção. Por um lado, o trabalho e o desenvolvimento do relacionamento do casal protagonista é bem feito (o que, novamente, reforça a atuação do duo), assim como o sentimento de família que permeia o enredo. Contudo, a produção, com seus 133 minutos, cansa. O longa peca, sobretudo, em sua edição, com alguns desenvolvimentos narrativos acelerados e até mesmo desconexos, o que faz a atenção ser dissipada em certos momentos. O que surpreende, já que Namorados Para Sempre e O Lugar Onde Tudo Termina tem edições mais arriscadas e desafiadoras, mas têm êxito maior neste aspecto.

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Mesmo que não estejam no nível de atuações que rendeu indicação e prêmio do Oscar, respectivamente, a Michael Fassbender (Steve Jobs) e Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa), o trabalho da dupla é o grande trunfo da obra ao lado da direção. Uma pena que a oscarizada Rachel Weisz (Oz: Mágico e Poderoso) acaba desperdiçada, não tendo seu talento aproveitado. Por fim, talvez mais do que ser um drama interessante e bem atuado, A Luz Entre Oceanos serve como convite para que o telespectador também conheça os demais trabalhos de Derek Cianfrance. Um nome que, certamente, deve ser guardado.

Nota: 7/ 10.

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