Rogue One: Uma História Star Wars

“Spin-off mostra um lado diferente de uma galáxia muito, muito distante, entre erros e acertos”.

Por Luís Gustavo Fonseca

Prepare-se para ficar mal acostumado(a), pois agora teremos Star Wars todos os anos e, cada vez mais, descobriremos detalhes sobre uma galáxia muito, muito distante. Não há como negar a influência da franquia em toda a cultura pop nos últimos 40 anos.  Muito menos a qualidade da trilogia original que, mesmo com efeitos datados, é super divertida, tem uma construção de universo muito bem feita e contém personagens cativantes. Uma história fácil para interessar e gostar. História que se expandiu para além das telas, em ramificações, inclusive nos quadrinhos, livros, games, desenhos animados e outras mídias, criadas nas últimas décadas.

O novo longa traz para as telas o texto introdutório de Uma Nova Esperança, mostrando o esforço e os sacrifícios da Aliança Rebelde para conseguir os planos da Estrela da Morte e, assim, iniciar a derrocada do Império. A realização desta tarefa vital fica ao encargo do esquadrão Rogue One, liderado por Jyn Erso (Felicity Jones), filha do engenheiro por trás da construção da arma Galen Erso (Mads Mikkelsen).

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Ele está de volta!

A produção é marcada por altos e baixos, talvez mais altos e baixos que os demais filmes BONS da franquia (melhor nem entrar muito no mérito de uma c e r t a trilogia que é mais vergonhosa que o nosso 7×1). Um dos principais acertos de Star Wars é a facilidade em construir protagonistas carismáticos, seja o trio Luke-Leia-Han nos originais ou Ray-Finn-Poe no ótimo O Despertar da Força. Além disso, a facilidade de construir uma boa relação entre esses protagonistas, de forma que seja possível não só garantir uma boa química entre eles, como desenvolvê-los. Isso é algo que sinto falta em Rogue One.

Há bons personagens, como a própria Jyn, Chirrut (Donnie Yen), Baze (Wen Jiang) e o dróide K-2SO (Alan Tudyk). Mas falta um esmero maior, por parte do roteiro, em trabalhar melhor a relação e a interação desse grupo, que ainda conta com o soldado Rebelde Cassian (Diego Luna) e o piloto desertor do Império Bodhi (Riz Ahmed). Talvez seja culpa do tamanho da equipe, já que cada um tem seu papel no cumprimento da missão, assim o tempo de tela acaba sendo muito dividido e não tão bem aproveitado.

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Donnie Yen é uma das melhores coisas do filme!

Outro aspecto que corrobora para essa sensação é a apresentação desses personagens e como esse grupo acaba se formando. O primeiro ato da obra é marcado por uma “pulação” de um planeta para outro, de maneira um tanto quanto perdida, não sabendo introduzir perfeitamente as motivações de cada um. A situação os coloca juntos e, de repente, todos se gostam, sem que haja maiores conflitos em um grupo com pessoas tão distintas. Não chega a ser algo que destrói o filme, mas que, particularmente, me incomoda.

Para além da construção desses laços, outro problema que desagrada BASTANTE é o CGI utilizado para restaurar o rosto do general Tarkin, em um resultado extremamente pífio. A Marvel já conseguiu, tanto com Michael Douglas em Homem-Formiga, quanto com Robert Downey Jr. em Capitão América: Guerra Civil, utilizar a mesma estratégia e apresentar um resultado centenas de vezes melhor. A falha grotesca acaba tirando o espectador da imersão do longa em toda cena que o personagem aparece.

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No entanto, o filme tem as suas qualidades. O tom mais sóbrio, pé no chão, da obra revela ao público um lado da guerra contra o Império que ainda não tínhamos visto. Ele é mais sujo, mais chocante e menos seguro do que estamos acostumados dentro da série intergalática. O roteiro ganha pontos ao explorar uma área mais cinza e menos heróica da Aliança, adicionando camadas mais profundas ao movimento e a alguns de seus personagens.

Justamente dentro desta proposta diferente que o diretor Gareth Edwards (Godzilla) consegue proporcionar excelentes e grandiosas cenas de ação. Poderia aproveitar mais do talento de artes marciais de Donnie Yen? Poderia. Mas, ao menos, ele não corta as cenas de luta de forma desenfreada, nem tem uma câmera tremida para as batalhas. Se o longa começa cambaleante, ele vai ganhando forma em seu decorrer, aprimorando sua dinâmica e resultando em um excelente terceiro ato – um dos melhores que tivemos este ano e que me agrada mais do que o d’ O Despertar da Força, por exemplo. Edwards garante uma escala de grandeza na última meia hora nunca antes vista dentro da série, fazendo com que o clima de guerra e do conflito seja mais imersivo e que os eventuais sacrifícios tenham maior impacto.

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Você se sente dentro da batalha.

Não há uma direção primorosa dos atores e, por isso, acaba desperdiçando bons nomes, como é o caso do Saw Gerrera, interpretado por Forest Whitaker, e do Galen Erso, de Mads Mikkelsen. Felicity Jones, Donnie Yen e Alan Tudyk acabam sendo os melhores trabalhos, junto ao Ben Mendelsohn, interprete do diretor do Império Orson Krennic, que, apesar de alguns momentos de exagero, consegue ser uma contraparte a altura do esquadrão de heróis.

Claro que dezenas de easter-eggs e referências não poderiam faltar, sendo que novas informações e aspectos são apresentados e oficializados (já que a Disney descartou boa parte do Universo Expandido da franquia). O maior deles é a presença de Darth Vader, com uma imponência poucas vezes vista antes e que corresponde a todo o folclore que se criou em torno do personagem em uma cena espetacular. Se, por um lado, o filme é inteligente ao incorporar diversos elementos da mitologia da série, ele acaba não sendo tão abrangente para as novas gerações como O Despertar da Força. Desse modo, o recurso acaba não surtindo o mesmo efeito no espectador mais casual, menos ligado a franquia.

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Brevemente, sobre outros aspectos da produção: o 3D nem fede, nem cheira e pode ser dispensável. Mas os efeitos especiais são ótimos e mostram como a tecnologia atual faz bem para a franquia. O figurino e o design dos seres estão no nível do resto da série, o que sempre foi uma de suas melhores qualidades. A trilha de Michael Gianchinno é satisfatória, mas está longe das obras compostas por John Williams. Fico feliz, contudo, de não se assemelhar com a trilha de Star Trek (também composta por ele) e do compositor usar os temas clássicos com moderação, evitando repetir o erro que o próprio Gianchinno cometeu em Jurassic World, quando ele recorria ao tema do parque a todo momento.

Mesmo com os tropeços, Rogue One: Uma História Star Wars consegue ser várias coisas boas em uma só: é um spin-off que justifica a sua existência, o que é um sinal positivo para os que estão por vir; conserta a falha, até então bizonha, que havia na Estrela da Morte em Uma Nova Esperança, tornando a trama mais crível. E, ainda, apresenta informações que, de alguma forma ou de outra, talvez possam ser aproveitados em outros filmes, inclusive nos vindouros episódios VIII e IX. O mais bacana de tudo é que você pode conferir as “continuações” logo depois de sair do cinema. Acredite, dá vontade.

Nota: 7/ 10.

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4 comentários sobre “Rogue One: Uma História Star Wars

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