Animais Noturnos

Por Luís Gustavo Fonseca

Susan Morrow (Amy Adams) é dona de uma galeria de arte e conquistou sucesso em sua carreira, mas atravessa um momento distante  com seu atual marido, Hutton Morrow (Armie Hammer). A vida vazia e à deriva que ela leva é chacoalhada quando recebe o romance Animais Noturnos, escrito pelo seu ex-cônjuge Tony Hastings (Jake Gyllenhaal). A trama do suspense, ambientada no interior do Texas, é recheada de violência e vingança, e mexe com os sentimentos de Susan, a medida que ela se projeta no livro ao lado de Tony, como os protagonistas da história.

O filme marca o retorno de Tom Ford à direção, após um hiato de sete anos, quando ele estreou com o longa Direito de Amar (produção que rendeu a Colin Firth uma indicação ao Oscar). Seu trabalho como diretor está mais aprimorado, com destaque para seu posicionamento de câmera, colocado próximo aos rostos dos personagens, de forma que ele possa aproveitar ao máximo as expressões dos atores – elas que, muitas vezes, são responsáveis por ditar as emoções presentes em uma cena, ao invés de linhas de diálogo.

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O trabalho de Ford com a fotografia (um dos pontos positivos de seu último filme) também é algo que salta aos olhos, já que ele contrasta de forma interessante e eficiente a trajetória de Susan – marcada por cores mais frias – com a dos personagens do livro, mostrados com uma paleta de cores mais quente.

O roteiro do filme funciona porque a edição é eficiente e, mesmo com as alternâncias entre as histórias real e do livro, não deixa o espectador perdido. E olha que o texto corria o risco de causar tal confusão, já que além das duas tramas, ele ainda insere flashbacks com o passado de Susan. O roteiro ainda é inteligente ao amarrar e relacionar ambas as narrativas, além de explorar e aprofundar os personagens principais, sabendo desenvolver suas emoções e como elas refletem nas ações dos mesmos. Não à toa, Tom Ford foi indicado ao Globo de Ouro, tanto na roteiro como na direção. 

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As atuações são satisfatórias. Amy Adams e Jake Gyllenhaal conseguem carregar a trama, apesar de não serem seus melhores trabalhos dos últimos anos (a primeira, por exemplo, está melhor em A Chegada). Os destaques ficam nas atuações coadjuvantes, com Michael Shannon (O Homem de Aço) e Aaron Taylor-Johnson (Vingadores: Era de Ultron), sendo que o último conquistou uma indicação ao Globo de Ouro (merecida, diga-se de passagem). Ambos vivem personagens do livro em papéis contrapostos, mas que se complementam e enriquecem a narrativa, valorizando também a interpretação de Gyllenhaal.

Talvez Animais Noturnos funcione ainda melhor como o livro que originou a obra, Tony e Susan, escrito por Austin Wright. O resultado conquistado por Ford, contudo, é o suficiente para colocar o longa como um dos melhores thrillers do ano. Que o diretor não faça outro hiato de um período tão longo.

Nota: 7,5/ 10.

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2 comentários sobre “Animais Noturnos

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