Passageiros

“Inconsistência e roteiro problemático marcam obra estrelada por Jennifer Lawrence e Chris Pratt.

Por Luís Gustavo Fonseca

Passageiros tinha os ingredientes necessários para se tornar mais um grande filme sobre o espaço, seguindo os passos de outros longas recentes com a mesma temática, como Gravidade, Interestelar e Perdido em Marte. Os papéis principais pertencem a Jennifer Lawrence e Chris Pratt (duas das maiores estrelas de Hollywood atualmente), e a direção é de Morten Tyldum, em seu primeiro trabalho desde O Jogo da Imitação, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

A premissa da obra também era interessante: uma nave conduz, por meio de sono induzido, cinco mil passageiros a uma colônia terrestre em outro canto da galáxia, numa viagem com duração de 120 anos. Entretanto, Aurora Lane (Lawrence) e Jim Peterson (Pratt) despertam após 30 anos, e, agora, precisam encontrar uma forma de voltarem a dormir. Ou passar o resto de suas vidas presos na espaçonave.

passengers-02

Mesmo com esses aspectos favoráveis, o resultado final é inconsistente, de altos e baixos. A direção de Tyldum é o que melhor transmite essa sensação. Por um lado, ele acerta nas filmagens em ambientes fechados, aproveitando-se de situações como gravidade zero para criar cenas interessantes e de prender o fôlego. A ambientação da nave também é um ponto positivo, já que ele consegue transmitir a solidão que uma estrutura tão grandiosa passa para apenas duas pessoas.

Entretanto, o diretor peca ao não explorar a beleza do Universo nas cenas externas do veículo (sendo que há momentos na história que servem unicamente para aproveitar essas tomadas exteriores), o que poderia ser uma oportunidade para aproveitar melhor a fotografia do filme. Tyldum também desperdiça, nesses momentos, o que poderiam ser boas tomadas para o uso do 3D – que, no fim, torna-se dispensável.

passengers-01

As atuações, de forma geral, são razoáveis. O roteiro cria uma relação estranha (ou mesmo problemática) entre Jennifer Lawrence e Chris Pratt, mas há momentos em que a interação e a química entre eles funciona perfeitamente, mesmo estando longe de serem seus trabalhos mais memoráveis. Quem rouba a cena é Michael Sheen, que dá vida a um robô garçom do lugar e serve tanto como alívio cômico da obra como suporte emocional para os protagonistas.

Finalmente, o roteiro… Essa é a parte que deixa Passageiros com um gosto estranho na boca. A primeira meia hora é mais bem aproveitada, tendo um ar de Lunar que me agrada e, sinceramente, queria que o filme tivesse explorado melhor. Todavia, há uma guinada na narrativa, envolvendo uma questão ética, que deixa os outros dois atos do filme estranhos. A mudança brusca na história não apenas leva o enredo para um caminho que não tem as melhores possibilidades da narrativa (apesar de permitir um conflito interessante), mas também atrapalha o desenvolvimento de um dos protagonistas. O terceiro ato até consegue recuperar um pouco do fôlego, mas a sensação de vazio permanece.

Chris Pratt; Jennifer Lawrence; Michael Sheen

Acredito que, talvez, a premissa do longa pudesse ser melhor aproveitada em um livro, que poderia trabalhar a narrativa de maneira não linear, conseguindo desenvolver melhor a ideia principal da trama.  No cinema, infelizmente, o resultado fica aquém do esperado.

Nota: 5,5/ 10.

Anúncios

Um comentário sobre “Passageiros

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s