La La Land

“Musical sobre a necessidade de perseguir sonhos pessoais é a consagração de Damien Chazelle.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Em 2014, Whiplash – Em Busca da Perfeição causou barulho para além do ritmo alucinado da bateria tocada por Miles Teller – e que era “not quite my tempo” para J.K. Simmons. Mesmo sem ter um desempenho grandioso nas bilheterias, a obra conquistou um largo número de fãs, que aumentou ainda mais após as três vitórias no Oscar daquele ano. As ótimas atuações de Teller e Simmons (este, inclusive, levou uma estatueta para casa) são acompanhadas da mais da grata surpresa do filme: o diretor Damien Chazelle.

Três anos depois, ele retorna agora com La La Land. O musical acompanha a trajetória da atriz iniciante Mia (Emma Stone) que, durante sua busca em se tornar uma estrela de cinema, conhece e se apaixona por Sebastian (Ryan Gosling), um pianista que almeja, um dia, abrir seu próprio clube de jazz, tornando-se tão popular quanto outros músicos consagrados do gênero.

(Eu recomendo de verdade você dar um play abaixo antes de continuar!)

Responsável pelo roteiro e direção da produção, Chazelle obtém êxito em ambos os quesitos. A história é extremamente bem amarrada, com uma mescla agradável entre o drama e a comédia, tendo ritmo balanceado e que sabe os momentos adequados para utilizar e destacar a música e as canções. A relação entre a vida dos dois protagonistas e as estações do ano (aliás, me pergunto se esta divisão na história seria uma referência aos concertos compostos por Vivaldi)  é uma sutileza bem trabalhada pelo texto. Esse paralelo ajuda a evidenciar tanto o desenvolvimento da relação do casal como as dificuldades enfrentadas e a evolução pessoal de cada um deles. A temática sobre sonhos pessoais e o porque devemos persegui-los  é bem aproveitada, havendo uma alternância de papéis, com cada um dos protagonistas apoiando o sonho do outro em momentos distintos da trama.

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A trilha é outro quesito formidável, apesar de ter uma duração surpreendentemente “curta”: são 45 minutos para pouco mais de 2h de longa. Composta por Justin Hurwitz (o mesmo de Whiplash), ela se destaca pela leveza e encanto das faixas, pela maneira como ela combina com a personalidade dos protagonistas e como ela cria uma ótima ambientação para a produção, tendo ares de musical clássico muito bem vindo. Assim como no último filme, temos um ode ao jazz, e é impressionante como o fascínio dos personagens  pelo ritmo contagia também o espectador, mesmo para aqueles que não costumam ouvir o estilo. Eu lhe desafio a sair da sessão sem ficar assobiando alguma das músicas temas, como City of Stars.

O visual da obra como um todo é outro ponto forte, seja nas locações e no figurino, ou na combinação deles com a fotografia, que realça os tons de azul e violeta – sem deixar que o filme se torne “frio” por essa escolha. Chazelle tem méritos, também, na direção, com destaque para os diversos momentos em que ele utiliza plano sequência, um desafio maior para os números musicais e que engrandecem ainda mais o feito. Ele ainda demonstra habilidade na direção de atores, aproveitando ao máximo Emma Stone e Ryan Gosling. Ainda é cedo para dizer que outros prêmios, além do Globo de Ouro, a dupla pode ganhar, mas são duas das melhores interpretações da carreira de cada um deles.

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A cena dos dois dançando no Planetário já nasceu clássica.

A conclusão é que Damien Chazelle, de apenas 31 anos e com três filmes na carreira, é uma das melhores coisas que aconteceu ao cinema nesta década. A expectativa é que La La Land alce voos ainda mais altos que Whiplash, conquistando, talvez, o prêmio de Melhor Filme no Oscar, onde um musical não vence desde Chicago, em 2003. Eu torço para que Chazelle trabalhe outras temáticas, já que seu talento na direção e no roteiro lhe dão crédito para experimentar coisas novas – enxergo até a possibilidade de ele se tornar um novo Spike Jonze (Ela). Mesmo que isso não aconteça, a torcida é que, embalado pelo jazz ou não, os próximos longas de Chazelle continuem sendo um grande serviço à música e a sétima arte.

Nota: 10/ 10.

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