Esquecidos 2016

Por Luís Gustavo Fonseca e Matheus Araujo

Em decorrência dos grandes lançamentos, os holofotes no último ano estiveram voltados para produções como Batman v Superman, Capitão América: Guerra Civil, Animais Fantásticos, Rogue One, entre outros. Contudo, alguns filmes provavelmente passaram despercebidos pelo público. Seguindo sua tradição, o Filmaiada separou seis filmes que foram lançados em solo brasileiro no último ano e que merecem a sua atenção. Confira!

Raça

O último ano foi de Olimpíadas e fomos brindados com a possibilidade de ver o jamaicano Usain Bolt faturar mais três medalhas de ouro, totalizando nove em sua carreira, sendo que nunca foi derrotado. Diante de tal feito, é mais do que justo que tivéssemos, também, um filme sobre Jesse Owens, campeão olímpico dos Jogos de 1936, sediados na Alemanha Nazista.

O longa aborda, além dos Jogos, os anos de preparação do atleta e as dificuldades que ele enfrentou em conciliar o esporte com sua vida pessoal, já que existe o conflito, por exemplo, da corrida com a vida ao lado da namorada e da filha. Para além do feito, o filme possibilita o espectador conhecer mais sobre “JC”, assim como as dificuldades enfrentadas para ele ser aceito na Universidade como um negro, a pressão pelos resultados e os bastidores sobre o debate se a comissão americana deveria ou não participar dos jogos sediados por Hitler.

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Por um lado, o final do longa peca ao ser tanto anticlimático, não reproduzindo toda a grandeza das conquistas do atleta. Em contrapartida, temos boas atuações nos papéis principais: Stephen James como Owens e Jason Sudeikis como Larry Snyder, o treinador do corredor. A atuação de Sudeikis surpreende pelo ator revelar o seu lado dramático, conseguindo deixar de lado a imagem cômica associada a sua filmografia.

O Homem nas Trevas

Um Suspense com S maiúsculo, um dos mais interessantes do último ano, ao lado de Rua Cloverfield, 10. Três jovens resolvem invadir a casa de um velho veterano de guerra, que mora sozinho e é cego. Entretanto, o solitário homem não é tão indefeso quanto parece, e o que parecia ser um crime fácil se transforma em um pesadelo para os três transgressores.

Stephen Lang;Dylan Minnette

O mérito da obra reside em sua ambientação e na maneira como o diretor Fede Alvarez aproveita o ambiente interno da residência, criando um clima claustrofóbico e apavorante. Plano sequência, tomadas em visão noturna e jump scares bem distribuídos são alguns dos ingredientes que tornam a obra tão apreensiva. O roteiro é simples, extremamente eficiente e que garante um ótimo ritmo a produção, sendo inteligente ao colocar o espectador para “torcer” pelos jovens bandidos. A atuação de Stephen Lang como o homem velho é o elemento que coroa o suspense.

Hardcore Henry

Em 2013, o clipe de Bad Motherfuckers, da banda russa Biting Elbows, causou certo rebuliço na internet devido a sua boa execução, a violência e, principalmente, pelo modo como foi filmado: em primeira pessoa. A ideia pode não ser original, mas o clipe, dirigido Ilya Naishuller, conseguiu frissom suficiente para que um filme no formato fosse realizado. E então, surgiu Hardcore Henry.

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A sinopse da co-produção russa norte-americana é “Henry é ressuscitado dos mortos sem memória, e agora deve salvar a sua mulher de um chefão do crime, que tem um planos para criar um exército de soldados por bioengenharia”. O exagero do enredo, contudo, casa perfeitamente com a maneira que é filmado, dando ar de video game a produção. O melhor é que o formato não chega a cansar, aproveitando-se da ação absurda para manter o bom ritmo e as coisas interessantes. A atuação de um louco Sharlto Copley também é digna de nota no que deve ser seu melhor trabalho nos últimos anos.

Invocação do Mal 2

Para grande parte dos cinéfilos, o terror de maior relevância de 2016 é A Bruxa. Este posicionamento é compreensível dadas as “novidades” que a película traz, no entanto acredito que o “diferente” d’A Bruxa não o torna necessariamente um bom filme, mas um com excelentes ideias. Aceitá-lo como o melhor do terror em 2016, para mim, configura-se quase como um apelo desesperado ao “novo”, clamando que o clássico terror está obsoleto. E isto não é verdade.

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A Invocação do Mal 2 é capaz de superar seu antecessor – quem sabe aí está uma verdadeira novidade para o gênero. Bastante inspirado, James Wan representa o quão relevante é a sua direção e demonstra que até mesmo os famigerados jump scares podem funcionar. Predicados não faltam para seu trabalho irretocável: uma brilhante condução de atores; um ritmo que não teme desenvolver personagens e cenários, montando um palco indefectível para o clímax; a atmosfera naturalmente incômoda, perigosa, repleta de inquietações que permitem o sobrenatural cada vez mais crível; esmero técnico incomum ao gênero; além de certa inventividade em cenas, resultando numa fácil criação de novos ícones do terror.

Dois Caras Legais

Eis uma comparação um tanto perigosa: Dois Caras Legais é o Hot Fuzz americano. Isto é, uma espécie de ode às duplas de policiais – e faz todo sentido dado que o diretor, Shane Black, é mais conhecido por sua colaboração na clássica franquia Máquina Mortífera. A grande diferença é o humor não-britânico, o que também aprecio, uma vez que torna a comicidade simples, meio inocente até, resultando em um roteiro investigativo incapaz de se levar a sério.

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Esta proposta acaba apostando muito nas atuações de Russel Crowe e Ryan Gosling, que esbanjam carisma, por mais que o segundo, vez ou outra, soe desconfortável em meio a tanta comédia. O maior trunfo do filme, desta forma, recai sobre a direção de Black, que num conjunto de cenas dá aula sobre como aproveitar seus cenários, orquestrando situações memoráveis e caprichando em cada um de seus desfechos (cômicos).

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico coleciona motivos para ser visto imediatamente: Estrelado por Aragorn, filho de Arathorn, é um road movie da família tradicion ideologicamente revolucionária, com fotografia e trilha sonora que só um indie pode propiciar, e com um discurso que problematiza os significados da paternidade.

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Por não ter filhos, não faço ideia dos impactos da discussão dessa obra sobre seu público-alvo. Todavia, é impossível não ser seduzido pela filosofia do tal Capitão Fantástico e se perguntar o quão fantasiosa ela é. O encantamento não se dá apenas pelos pensamentos em si, mas, sobretudo, pela maneira como são expostos através do elenco, desde o veterano Viggo Mortensen à caçula Shree Crooks. Ademais, admiro bastante como Matt Ross, diretor e roteirista, abre espaço para que suas ideologias sejam contestadas ainda em tela, deixando bem claro que Capitão Fantástico não te proporciona um novo método para criar seus filhos, mas proporciona o questionamento e, consequentemente, um dos melhores filmes de 2016.

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