Até o Último Homem

“Andrew Garfield tem atuação de peso em história edificante baseada em fatos reais.”

Por Luís Gustavo Fonseca

“Tempos de paz são quando os filhos enterram os pais. Tempos de guerra são quando os pais enterram os filhos.” A Segunda Guerra Mundial foi um dos momentos mais tristes da história humana, onde o pior que há no ser humano foi posto em evidência. Mas, em um contexto tão horrendo, o período também foi capaz de proporcionar histórias esperançosas, que mostram o quanto podemos aprender com os exemplos praticados por outros.

Até o Último Homem nos revela uma delas: Desmond Doss (Andrew Garfield) se alista no exército americano com intuito de proteger seu povo e seu país. Entretanto, como um cristão de crença fervorosa, ele se recusa a pegar em armas e matar pessoas. Apesar desta condição, ele é enviado para o Japão, onde deve auxiliar os seus colegas de combate como médico. É num ambiente tão tenebroso e horrível que Doss pratica atos de heroísmo e entra para a história.

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Das seis indicações que o longa recebeu ao Oscar, ao menos três delas têm caráter mais incontestável. O primeiro é o trabalho de Andrew Garfield, indicado a Melhor Ator, no que talvez seja uma de suas melhores interpretações. O papel exige esforço físico e uma carga dramática muito forte, e ele consegue lapidar esses momentos (que estão em destaque, sobretudo, na hora do conflito) com seriedade, mas sem deixar de manter uma leveza, uma inocência, ao personagem. Outro que, surpreendentemente, me agradou, se destaca é Vince Vaughn, que geralmente está ligado a papéis cômicos, e aqui mescla essa comicidade com o ar durão da clássica imagem associada ao sargento de exército.

Outras duas indicações costumam andar juntas, e elas são parte importante do longa: Edição de Som e Mixagem de Som. Filmes de guerra, muitas vezes, conseguem indicações aqui (não à toa, 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi e até mesmo Rogue One: Uma História Star Wars foram indicados a Melhor Mixagem de Som). E isso se justifica, já que são esses aspectos que ajudam a colocar o espectador dentro do ambiente de conflito, engrandecendo as cenas de batalha e tornando cada tiro, cada explosão, algo mais urgente e assustador. Outro mérito da parte sonora vai para a trilha composta por Rupert Gregson-Williams, que aparece com força nos momentos certos e ajuda a dar contornos épicos a ação.

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Já o de Melhor Edição, eu descartaria (ou colocaria, por exemplo, Animais Noturnos no lugar). O enredo, apesar de ser bem construído e saber como desenvolver a personalidade de Doss, tem um ritmo um tanto arrastado, e a obra poderia ser até 15 minutos mais curta. Quando o grande conflito se inicia, a questão do ritmo se resolve. Outro pecado do roteiro é apresentar vários dos colegas do protagonista, mas pouco desenvolvê-los, de forma que é difícil se importar com eles na hora das batalhas.

Após dez anos afastado da direção, e com perda de moral permanente com parte de seu antigo público, Mel Gibson está de volta, já recendo indicação a Melhor Diretor. E o australiano volta em boa forma e apresenta, mais uma vez, algumas de suas melhores características. Ele conduz as cenas de ação com precisão e com um ótimo posicionamento de câmera, sem deixar o espectador perdido e, principalmente, sem nunca esconder a violência, o que proporciona mais dramaticidade e peso às cenas. Outros aspectos que elevam o trabalho da direção é a fotografia (que apresenta uma paleta de cores vívidas ao conflito) e o trabalho de maquiagem e efeitos com os feridos, que tornam cada ferimento mais visceral e perturbador.

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Ao encerrar com o depoimento do próprio Doss, Até o Último Homem passa um ar edificante e mesmo positivo, apesar do seu contexto conflituoso. Mesmo que seja contestável sua indicação a Melhor Filme, a obra nos mostra que, mesmo nas situações mais adversas, o ser humano pode ser alguém melhor e, consequentemente, fazer bem ao próximo.

Nota: 7,5/ 10.

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2 comentários sobre “Até o Último Homem

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