John Wick – Um Novo Dia Para Matar

“Pancadaria e violência marcam volta do assassino profissional em trama pouco inovadora.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Em 2014, John Wick (no Brasil, batizado de De Volta ao Jogo) foi uma das mais gratas surpresas do ano. A produção teve relativo sucesso nas bilheterias: custando 20 milhões de dólares, o longa somou US$ 88 milhões no mundo todo. Com uma trama simplória, a obra ganhou a admiração pelas cenas de luta e tiroteio bem coreografadas, pela violência justificada em tela e por ter um protagonista não tanto carismático, mas que devido à ação conseguiu conquistar o público. O filme ainda conquistou uma nova legião de fãs quando chegou ao home video e serviços de streaming, popularizando ainda mais a produção e o personagem principal. O repentino sucesso foi o suficiente para que, três anos depois, a continuação chegasse às telonas.

A estrutura de John Wick: Um Novo Dia Para Matar é basicamente idêntica ao do primeiro filme, sendo que a vingança é o fator que faz o enredo se movimentar. Wick (Keanu Reeves) tenta voltar à vida de aposentado e longe dos assassinatos após os acontecimentos do longa antecessor. No entanto, um antigo membro da misteriosa ordem de assassinos da qual John fazia parte, Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio) aparece para cobrar uma velha dívida de Wick, na qual ele é obrigado a pagar. A “missão” dada ao protagonista fará, ainda,  com que uma recompensa seja anunciada por sua cabeça, obrigando-o a usar todas as suas habilidades para sobreviver.

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O fato da estrutura da narrativa ser uma repetição não é, necessariamente, um problema. Claro, é um tanto preguiçoso a falta de inovação, dando a obra um caráter maçante. Essa sensação ganha força sobretudo nos primeiros 30 minutos, que são bastante arrastados e gastam muito tempo montando uma trama de vingança simples. Felizmente, o ritmo é embalado nos demais dois atos, com o longa entregando o que havia prometido. É quando a história decide ser mais simples que a obra funciona de forma mais eficiente e direta.

O primeiro John Wick estabelece alguns elementos interessantes sobre o mundo criminal da qual Wick fazia parte, como a misteriosa organização que, aparente, é responsável pelo credenciamento de centenas de hitmans no mundo todo. A continuação acerta ao explorar mais a fundo a organização e mostrar seu funcionamento, enriquecendo todo esse universo e trazendo, mesmo que de leve, maior profundidade aos personagens. Ainda penso que esse aspecto poderia ter sido ainda mais bem explorado mas, novamente, falta ousadia para o enredo ir além.

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Uma evolução apresentada está no que o antecessor tinha como melhor característica: a ação. Retornando a direção, Chad Stahelski volta a trabalhar bem fatores que fizeram do primeiro uma surpresa tão boa. Um exemplo é a ação frenética, crua e bem feita, que tem mérito em não deixar o espectador perdido. Ao invés de cortes rápidos e com cloose ups que escondem o que está acontecendo, o diretor é inteligente em apresentar planos mais abertos e estáticos, que conseguem captar todo o tiroteio e porradaria na tela. A luta em si também está mais refinada e visceral, com destaque para as novas e criativas formas de Wick matar seus oponentes.

Quanto às atuações, Keanu Reeves parece ainda mais confortável no papel, roubando novamente a cena (destaque para as cenas em que ele fala russo e italiano) e conseguindo se reencontrar com os bons trabalhos no gênero de ação. Contudo, ele é o único que você provavelmente irá se lembrar. Laurence Fishburne tem uma atuação OK, apesar de rápida, e outros nomes como Ian McShane e John Leguizamo (presentes no primeiro) têm participações pontuais e não atrapalham. Ruby Rose é uma adição curiosa (parece que ela gostou de ação: é o terceiro filme do gênero que ela está presente este ano) e bem vinda, mas é pouca aproveitada. Riccardo Scamarcio se esforça, mas não consegue fazer um antagonista tão interessante e odiável como o de Alfie Allen no primeiro, o que deixa rivalidade entre os protagonistas mais desequilibrada.

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O uso de espelhos e reflexos no clímax do filme é deixa a ação ainda melhor. Dá gosto de ver!

A trilha de Tyler Bates (Guardiões da Galáxia) repete a pegada predominante do antecessor, mantendo competência para embalar a história e dar a imersão necessária a este universo. O bom desta repetição é que ele utiliza uma velha característica sua, da inserção de músicas para além do instrumental, dando um toque especial ao quesito – sério, ouvir Plastic Heart ao subir dos créditos traz uma sensação de satisfação muito grande.

John Wick: Um Novo Dia Para Matar é, no fim das contas, o Busca Implacável 2: repete a fórmula do original e, mesmo que peque na inovação, entrega com maestria seu principal atributo e aquilo que o público mais quer ver. Se Wick é uma versão mais nova – e violenta – de Bryan Mills, excelente! Que o terceiro filme do Baba Yaga possa acontecer logo, porque John Wick está de volta ao jogo.

Nota: 7,5/ 10.

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2 comentários sobre “John Wick – Um Novo Dia Para Matar

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