Lion: Uma Jornada para Casa

Por Luís Gustavo Fonseca

Em um espaço de 25 anos, “mundos inteiros mudam.” Será que depois de tanto tempo, é possível reencontrar a família deixada para trás? Esse é a história de Saroo Brierley (interpretado por Sunny Pawar quando jovem e Dev Patel na fase adulto), um garotinho indiano que acidentalmente entrou em um trem que o levou da Índia para Bangladesh, separando-se da mãe, do irmão e da irmã. Sem ao menos lembrar o nome da cidade natal e sem condições de retornar para casa, ele acaba adotado por um casal australiano, Sue (Nicole Kidman) e John (David Wenham), e passa a viver na Tasmânia. Já adulto, e com ajuda do Google Earth, Saroo fará de tudo para voltar para casa.

Indicado a seis estatuetas, esse talvez seja o longa mais fraco dos concorrentes a Melhor Filme deste ano, ao menos entre os que foram lançados no Brasil. Não que Lion não tenha suas qualidades. A história, indicada a Melhor Roteiro Adaptado, é poderosa e tocante, sabendo explorar e desenvolver a dor e o drama do protagonista. Contudo, o ritmo, bastante cadenciado, faz com que pesem as quase duras horas de produção. Se o texto acerta ao explorar o drama pessoal de Saroo, ele acaba deixando de lado um maior desenvolvimento e exploração de outros personagens chaves, como a de sua mãe adotiva, Sue, ou de sua namorada, Lucy (Rooney Mara, que aliás, é bastante desperdiçada). Não há um envolvimento tão grande com os personagens como há com as protagonistas de Estrelas Além do Tempo, por exemplo, ou com toda a história mind blowing de A Chegada – outros dois rivais em Melhor Roteiro Adaptado.

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Isso acaba atrapalhando as atuações, que são boas, mas poderiam ter ido além. Dev Patel até merece a indicação a Melhor Ator Coadjuvante, já que de fato é um bom trabalho do ator. Entretanto, não só acho atuação do jovem Sunny Pawar mais interessante, como prefiro o Patel de Quem Quer Ser um Milionário?. Nicole Kidman está OK, mas acho um pouco forçado sua indicação a Melhor Atriz Coadjuvante.

A direção de Garh Davis não ousa e entrega o básico de maneira honesta, mas sem brilho. Já a fotografia de Greig Fraser, também indicada ao Oscar, deslumbra e realça as cores dos ambientes, principalmente das paisagens naturais em planos mais abertos. A sexta indicação da obra vai para a trilha, outro reconhecimento merecido, já que ela  é responsável por engrandecer os momentos mais tocantes da obra, aparecendo sempre no momento mais oportuno.

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Lion consegue emocionar e tem uma bela história, mas a quantidade de indicações talvez seja um exagero. O aspecto mais legal do longa está, curiosamente, nos seus créditos, que informam a quantidade de crianças que desaparecem na Índia anualmente e oferece uma forma do telespectador ajudar a alterar a situação. O site da produção, http://lionmovie.com/#charity, instrui como você pode assistir  as instituições de caridade que tentam reverter a situação e ajudar milhares de pessoas. Iniciativa nota 10 e filme…

Nota: 6,5/ 10.

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