Moonlight: Sob a Luz do Luar

Por Luís Gustavo Fonseca

Entre os nove indicados ao prêmio de Melhor Filme do Oscar deste ano, Moonlight deve ser, ao lado de Manchester à Beira-Mar, o mais inquietante. O enredo, que adapta a história de Tarell Alvin McCraney, acompanha três momentos distintos da vida de Chiron (vivido por Alex R. Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes), em uma jornada que vai da infância até a fase adulta e que mistura preconceito e auto descoberta.

Vários são os motivos que levam o longa a suas merecidas oito indicações à estatueta, começando pelo nome de Barry Jenkins, indicado a Melhor Diretor e quem assina o texto que concorre a Melhor Roteiro Adaptado. No primeiro quesito, destaca-se a sua habilidade de fazer com que a câmera se torne íntima dos personagens, explorando e conseguindo extrair suas emoções nas diversas situações, o que valoriza as atuações do elenco. O movimento e o posicionamento de câmera de Jenkins faz com que essa aproximação não seja invasiva – pelo contrário, é uma movimentação fluida e até mesmo, suave -, mas tenha a medida certa para que o espectador se sinta imerso naquela história. A fotografia de James Lexton (também indicada) é mais um fator que ajuda a embelezar a história, mas sem exagerar em filtros que retirem o tom sério e realista da trama.

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O roteiro é outro acerto de Jenkins, que conduz cada um dos três atos com competência. A curva da narrativa é bem feita e os diferentes arcos têm sua dose de independência, mas vão se complementando e relacionando no decorrer do longa – ponto para a edição, que foi indicada. Cada um destes momentos mostra as diferentes dificuldades vividas pelo protagonista, o que permite um desenvolvimento bem construído do personagem, mesmo que a evolução de Chiron, assim como sua busca em entender quem ele é em seu mundo, aconteça de forma lenta. O modo como a dor e as emoções de Chiron são abordadas e desenvolvidas também é um acerto do quesito. Por fim, o texto não prejudica o ritmo (a sua 1h50 é bem aproveitada), conseguindo prender a atenção do espectador por essa história a todo momento.

A trilha Nicholas Britell (outro concorrente a estatueta) ajuda a potencializar e tornar mais tocante  toda a jornada de Chiron, mesclando um ótimo instrumental (o tema do filme é espetacular) com músicas que dialogam com o personagem e as situações em que ele está envolvido (tem até Caetano Veloso cantando em espanhol!) Aliás, cabe a observação de como as trilhas desse ano estão equilibradas, já que além dessa, temos também as ótimas composições de La La Land e Jackie.

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Por fim, as atuações são o último mérito que transformam Moonlight em uma história tão impactante e uma das melhores do último ano. Os três atores que vivem Chiron dão diferentes nuances ao personagem, sendo consistentes ao transmitem o mesmo tom e intensidade em cada um de seus momentos. Mesmo aparecendo em ⅓ da história, Mahershala Ali (Luke Cage) tem uma forte presença e justifica sua indicação a Melhor Ator Coadjuvante. Outra indicação a atuação coadjuvante vai para Naomie Harris (007 Contra Spectre), que interpreta a mãe de Chiron e também faz um trabalho impactante e marcante, conseguindo esconder seu sotaque britânico e tendo uma versatilidade interessante dentro da obra. Talvez, é a grande rival de Viola Davis (Um Limite Entre Nós) ao prêmio.

Apesar de estar em um circuito limitado, se tiver a oportunidade, não deixe de conferir Moonlight. Uma virada difícil, mas não é impossível que Moonlight tire a vitória a La La Land. E isso estaria longe de ser uma injustiça.

Nota: 9/ 10.

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