Filmaiada Awards 2017

Por Luís Gustavo Fonseca e Matheus Araujo

Já estamos praticamente em Março, o ano começa a partir da próxima quarta-feira (com o triste fim do Carnaval) e até mesmo a cerimônia do Oscar já aconteceu, no último domingo (26). Então, aos 49 do segundo tempo e com o banco de reserva já pedindo para o jogo terminar, é chegada a hora de darmos uma última olhada para o ano cinematográfico de 2016, e escolhermos o que tivemos de melhor (e pior!) no ano que se passou. Depois de muita análise e discussão, negociatas, acordão com o Supremo para estancar a sangria, chegamos aos vencedores do que melhor foi lançado no Brasil no último ano (ou seja, tudo que rolou entre 1º de janeiro e 31 de dezembro) – e sem confusão no final para premiar o melhor filme =D. Discorda da gente? Deixe nos comentários sua opinião sobre quem deveria, de fato, levar o GRANDIOSÍSSIMO prêmio do Filmaiada Awards!

Melhor Filme

A Grande Aposta

Entendemos que A Grande Aposta pode não ser o grande queridinho do público no ano passado. É capaz, até, que muitos o tenham esquecido após as premiações do ano passado, quando o longa levou um dos cinco Oscars que foi indicado (Melhor Roteiro Adaptado). Contudo, ele é uma das obras mais interessantes lançadas no Brasil em 2016. Sim, o roteiro do filme tem um excesso de termos técnicos (apesar do esforço da obra em explicar, didaticamente, cada um deles), o que pode deixar o espectador confuso.

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Estamos igual o Ryan Gosling ouvindo as críticas após essa escolha do A Grande Aposta

Por outro lado, a proposta do filme talvez seja seu maior mérito. Apesar de seu tom sério e explicativo, o filme tem um lado cômico arrojado, que lembra o humor presente nos filmes dos irmãos Coen. A quebra da quarta parede, principalmente com intromissões do tipo “Margot Robbie te dando uma aula de economia enquanto bebe champagne em uma banheira” é o que dá o requinte ao quesito. O que colabora para o esmero do texto é a edição (que também foi indicada à estatueta), que se alterna entre os três principais núcleos do filme de maneira inteligente, tornando o resultado dinâmico.

Além de uma direção certeira, outro grande mérito do filme está em suas atuações. Sobretudo, a de Steve Carell, uma das mais consistentes do último ano e que injustamente não recebeu uma indicação ao Oscar. Erro que reparamos aqui no Filmaiada Awards, como você pode ver abaixo.

Melhor Atuação Ator

Steve Carell (A Grande Aposta)

O longa demonstra a versatilidade e competência de Carell, que consegue combinar o humor já conhecido de sua filmografia com uma faceta mais dramática, como foi visto, por exemplo, em Foxcatcher, e que talvez o grande público não esteja acostumado. O ator explora o melhor personagem de A Grande Aposta, esbanjando sua capacidade de condensar o discurso mais interessante de 2016, um contrastante dilema entre a ascensão individual e a decadência da coletividade – justificando a escolha de sua performance sobre outros grandes trabalhos, como Leonardo DiCaprio (O Regresso) e Jacob Trambley (O Quarto de Jack). A cena decisiva para a escolha é esta:

Melhor Atuação Atriz

Brie Larson (O Quarto de Jack)

Larson dita a crença do público em O Quarto de Jack numa interpretação poderosa e repleta de presença dado o contexto trágico da narrativa. O enredo pode ser ficcional, mas serve como retrato para histórias factuais semelhantes, sendo Larson a responsável pelo tom de realismo desta situação. Ela acerta não apenas nos momentos de maior tensão, mas ao mostrar toda a sensibilidade e carinho de mãe por sua criança. A química com o jovem Tremblay funciona perfeitamente, potencializando o trabalho de ambos.

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Uma das melhores duplas do último ano

Melhor Diretor

Denis Villeneuve (A Chegada)

A Chegada consagra o momento da ficção científica atual (após Gravidade, Interestelar e Perdido em Marte), reoxigenando o gênero ao valorizar a importância da linguagem e da comunicação como ciência. A excelente direção de Villeneuve permeia o desempenho geral e de diversos especificidades na película: orientando o trabalho de Amy Adams, proporcionando a força de seu protagonismo; o domínio da narrativa necessária para a representação em tela do brilhante roteiro; na edição, outra grande responsável pelo brilho do storytelling; além da trilha sonora e do visual certeiros em estabelecer a ambientação e propor a pontual suspensão de descrença para a adaptação da literatura às telas.

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Denis Villeneuve com a atriz Amy Adams

Melhor Roteiro

A Chegada

A estrutura não linear de A Chegada propicia o casamento entre o roteiro e edição, rendendo uma das características que o torna um do melhores filmes do ano passado. A história é bem escrita e, principalmente, bem amarrada. O enredo consegue deixar o espectador curioso, construindo o primeiro contato de forma inovadora e, isso, combinado a ambientação de Villeneuve, proporciona a imersão necessária para que sejamos facilmente abduzidos pela narrativa e o GRANDE, porém não gratuito, plot twist tenha o efeito desejado.

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Melhor Animação

Zootopia

Zootopia talvez consista na animação mais densa dessa ótima fase que a Disney vive nos últimos anos. Mensagens importantíssimas numa roupagem divertida, tornando a sala de cinema o canal perfeito para ilustrar às crianças (e aos adultos!) a necessidade de rever e desconstruir os preconceitos intrínsecos em cada um. A animação ganha mais importância ainda devido a grande polaridade de opiniões e posicionamentos que tomam conta do Brasil e de outros lugares do mundo, evidenciando a necessidade de repensar atitudes e restabelecer o diálogo com o outro.

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Melhor Visual

Mogli

Desbancando o psicodelismo de Doutor Estranho e a audácia de Rogue One, Mogli traz uma proposta igualmente interessante, embora com menos deslizes que seus melhores competidores. Tentar se convencer de que o garoto encenou sozinho, e que mal havia um cenário para tanto, é complicadíssimo dado ao gigantesco êxito na criação dos artistas visuais. Além do antropomorfismo extremamente realista dos animais, os detalhes são assustadores, como os pelos das criaturas se movendo individualmente por entre os dedos do menino lobo. É claro, existem momentos nos quais os olhos não se enganam, todavia essa artificialidade é rara se comparada às maiores realizações na área durante o ano anterior.

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Melhor Trilha Sonora

Os Oito Odiados

Após 40 anos sem compor uma trilha para faroeste, Ennio Morricone retorna ao gênero que o consagrou em grande estilo. A presença da música no longo filme de Quentin Tarantino sempre aparece nos momentos mais oportunos, com o compositor se aproveitando de instrumentos de sopro, violino e piano para criar o ambientação de suspense (e mesmo claustrofóbica) do palco principal de Os Oito Odiados.

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A união dos sonhos.

Melhor Cena

Darth Vader com sabre (Rogue One: Uma História Star Wars)

A cena em que a reação de todas as pessoas foi um simples “Foda pra caralho!!!!1!”. O momento confirma todo folclore que foi construído sobre o personagem ao longo das últimas quatro décadas, sendo, talvez, sua grande aparição em toda a saga Star Wars. A composição de toda a sequência e a presença avassaladora (um cara interessante ♫) do vilão é de agarrar o assento com as nádegas e torcer, apesar do episódio IV estar aí há 40 anos, pelo melhor. Retratado como um verdadeiro monstro do cinema, a figura negra utiliza toda a sua força (RA!) para acabar com qualquer resistência rebelde em seu caminho, tornando os corredores de Star Wars ainda mais horríveis que os de Alien.

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*Heavy breathing*

Melhor Personagem

Deadpool (Deadpool)

A incorporação do Deadpool a cultura pop  talvez se deva mais à campanha marketing e a interação direta que o público teve com o personagem do que propriamente o filme. O ponto é, se distinguindo de qualquer outro bom personagem do ano, o anti-herói atravessou com bastante personalidade a barreira do cinema, conseguindo cair no gosto mesmo daqueles que não estão familiarizados com o personagem. A violência e irreverência de Deadpool o diferencia não apenas de outros heróis como de outros bons personagens que tivemos, fazendo com que ele quebre a quarta parede e invada nossos corações.

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Prêmio Pérola

Marketing do Deadpool

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Deadpool foi um divisor de águas no mundo dos super heróis. Sucesso de bilheteria, o longa foi a prova que é possível realizar produções do gênero voltado para um público mais “adulto” – mesmo que o enredo esteja lotado de piadas de adolescentes. Contudo, um fator que colaborou para tal sucesso foi o marketing da produção, que soube atrair o espectador de diferentes formas: trocadilhos com o título do filme, como na imagem acima; tv spots contendo mensagens especiais e educativas do protagonista, como a do anti herói alertando para a necessidade de realizar o exame de próstata; cartazes como se o longa fosse uma comédia romântica, já que seu lançamento foi no Valentine’s Day (dia dos namorados em outros países – já comprou o seu presente deste ano?); e durante a época de premiações, quando filme foi indicado a dois Globos de Ouro e tinha (?) a possibilidade de receber indicações ao Oscar, realizando um “for your consideration” de forma diferente.

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Programação perfeita para fazer ao lado do amor da sua vida

Prêmio Jar Jar Binks

DCpção (combo Batman v Superman + Esquadrão Suicida + A Piada Mortal)

WE WANT TO BELIEVE!, mas tem que ter muito amor e esperança (O S no peito!) para conseguir defender a DC. Na teoria, era para ser seu ano, trazendo o duelo de dois dos mais icônicos heróis de todos os tempos, além de uma versão “sombria” dos Guardiões da Galáxia. Contudo, tudo deu errado: roteiros prejudicados por uma edição confusa e sem foco, subtramas desinteressantes e mal articuladas, personagens esquecíveis (abraço, Katana!), vilões muitíssimo mal trabalhados (cagaram no Coringa e mijaram no Lex) e até mesmo na animação, algo que tradicionalmente a DC acerta, ela conseguiu errar feio (como gostar daquela meia hora introdutória da Batgirl em Piada Mortal?!?!). Estragar O Cavaleiro das Trevas e A Piada Mortal num mesmo ano é digno de prêmio.

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