Velozes e Furiosos 8

“Em seu oitavo capítulo, franquia comprova que consegue ir adiante sem a presença de Paul Walker

Por Luís Gustavo Fonseca

Há dois anos, às vésperas do lançamento do sétimo filme da série, escrevi como Velozes e Furiosos se transfigurou ao longo de mais de uma década. A franquia saiu de um ambiente de nicho, que priorizava a cultura de tunning dos carros e dos rachas ilegais, para algo cada vez mais espetacular e grandioso, envolvendo agências do governo e criminosos com grandes planos. O último longa, justamente o que marcava a despedida de Paul Walker, já que o ator faleceu em um acidente de carro em novembro de 2013, foi o ápice dessa jornada: US$1,5 bilhão de bilheteria arrecadada, um salto gigante se comparado ao anterior.

Se o sétimo foi o de homenagens a Walker e o de sua despedida, a nova produção tem a missão de provar que a série poderia ter continuidade sem um de seus pilares. Mais do que isso: após sete capítulos, como ela poderia se reinventar, trazer algo de novo? Talvez dessa dupla necessidade que tenha surgido uma proposta mais ousada: a ciberterrorista Cipher (Charlize Theron) chantageia Dom (Vin Diesel) para que ele retorne ao mundo do crime. A atitude o colocará contra sua família, que agora precisam agir contra o amigo para impedir que os planos da vilã se concretizem.

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Velozes e Furiosos cresceu e se solidificou ao longo dos anos e Justin Lin (Star Trek: Sem Fronteiras) foi o grande responsável por dar uma assinatura a franquia, já que dirigiu quatro dos longas. No último, James Wan (A Invocação do Mal) conseguiu manter o padrão dado por Lin, ao mesmo tempo que revitalizava a ação como um todo, acrescentando novos elementos. E a entrada do diretor F. Gary Gray, do ótimo Straight Outta Compton – A História do N.W.A, mostra como essa alternância na cadeira da direção pode ser algo benéfico para a série.  O tom e o direcionamento é o mesmo do que já foi visto antes (e essa manutenção é, no geral, uma boa notícia), mas há espaço para que que Gray coloque algo de si na produção. Sua maior contribuição são as boas viradas na trama que ele proporciona, o que acaba dando  mais profundidade a história. Algo que está presente em outras obras de sua filmografia, casos de Código de Conduta e Uma Saída de Mestre.

Sim, Velozes e Furiosos continua apostando em uma trama simples, recheada de ação absurda e mirabolante e que aperta de novo na tecla da “família”. Mas essa mistura e esse “arroz com feijão”, mesmo em seu oitavo capítulo, a franquia comprova que consegue fazer com excelência e de forma honesta, bem executada. Inclusive, acho destacável chegarmos ao filme oito sem uma sensação de cansaço e de fadiga. Isso se deve ao fato do enredo sempre procurar se reinventar de alguma forma. A Cipher é uma personagem mais interessante e com uma filosofia própria mais chamativa do que os vilões dos dois últimos, tendo um plano mais bem elaborado e que traz uma sensação de perigo e urgência maior.

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A sacada de colocar Toretto contra seus amigos também é ótima e bem explorada, pois permite que uma nova dinâmica se estabeleça no grupo, como é o caso da entrada do ex-vilão Deckard (Jason Statham) na equipe, o que acirra sua rivalidade com Hobbs (Dwayne ‘The Rock’ Johnson). O melhor é que o roteiro reaproveita pontas deixadas nas obras anteriores, o que reforça toda uma “mitologia” dos filmes, algo que é bem bacana de ser percebido – isso, se você lembrar de todos os detalhes.

Em relação às atuações, não há nada que esteja num nível espetacular, mas dão para o gasto. É uma interpretação mais dramática de Vin Diesel, que consegue acertar o tom, mas o lado mais leve da produção acaba perdendo um pouco com isso. Para mim, as piadas de Ludacris e Tyresse Gibson não funcionam com o mesmo efeito de outras vezes. Em contrapartida, a parte cômica ganha e muito nas cenas envolvendo Statham e The Rock, que demonstram uma química afiada e um timing certeiro para o humor, assim como é o caso de Kurt Russell, que talvez tenha tido este lado um pouco mais explorado desta vez. Por fim, Charlize Theron demonstra presença e consegue se impor dentro em tela, o que acrescenta ao resultado final.

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Apesar das cenas de ação e perseguição ainda serem empolgantes e um espetáculo à parte (algo que a série sempre acertou, aliás), há momentos que, acredito, a obra erra a mão no uso do CGI e proporciona um ar exageradamente falso em algumas cenas. Um bom exemplo disso é o momento “carros zumbis”, que parte de uma ideia SENSACIONAL (e eu achando que o submarino correndo contra carros seria o mais absurdo do longa), mas apresenta alguns trechos em que os efeitos não ficam legais – e o 3D em nada ajuda, sendo totalmente desperdiçado, mais uma vez. AInda sobre a ação, lamento mais ainda por ser o primeiro filme pós Mad Max: Estrada da Fúria, e, quando comparados, acho que os efeitos práticos da produção de George Miller poderiam ensinar muita coisa a Velozes e Furiosos.

Este oitavo capítulo prova que série ainda tem gasolina no tanque (RÁ!), e que pode ir adiante sem a presença de Paul Walker. Mais dois filmes estão planejados para 2019 e 2021, e a expectativa é que cada nova produção seja maior, mais absurda e mais mirabolante, mas sempre trazendo algo de novo. E isso é bom, mesmo que para muitas pessoas, a franquia já deveria ter acabado. O fato é que Velozes e Furiosos está cada vez mais consolidada, tornando-se o blockbuster pipocão mais honesto do cinema atual.

Nota: 7/ 10.

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