Vida

Por Luís Gustavo Fonseca

Confesso que não tinha muita expectativa por Vida. Pelo trailer, a impressão é que se tem era de que o filme seria uma mistura genérica e sem inspiração de Gravidade e Alien. Inclusive, ao olhar mais de perto o plot, a obra de fato apresenta similaridades com o segundo: um grupo de seis cientistas da Estação Espacial Internacional consegue amostras trazidas por uma sonda de Marte. No meio delas, eles encontram uma espécie de pequeno protozoário, o que seria uma prova irrefutável de que há vida fora da Terra. Entretanto, à medida que os estudos avançam, o misterioso ser se transforma de algo inofensivo para uma criatura cada vez mais inteligente, o que colocará a vida da tripulação (e talvez do planeta) em risco.

O maior desafio enfrentado por Vida é tentar fugir das alegorias e previsibilidades já consagradas por obras semelhantes no passado, como o próprio Alien. Algo que não é tarefa fácil e que nem sempre o longa realiza com sucesso, uma vez que o direcionamento da trama é, de um modo geral, esperado, além do fato de se exigir do telespectador a boa e velha suspensão de descrença para as decisões tomadas pelo enredo.

Sim, essa “coisinha” vai se transformar no pior pesadelo da tripulação.

Contudo, a história consegue se sustentar. Se não há nada de revolucionário na produção, ela reutiliza os elementos certos para criar o clima de tensão e suspense adequado. Com um bom ritmo (o filme conta com 1h44 bem aproveitados), a história estabelece, mesmo que minimamente, os personagens principais, o suficiente para criar-se uma relação com ao menos alguns deles. Há uma ou duas viradas de tramas e tomadas de decisões, por parte da equipe, que são bem pensadas e executadas, o que compensa o desenvolvimento acelerado da criatura (e de sua inteligência), algo que  é  sim bem forçado, mas que não estraga a história.

Se as atuações não são de grande destaque – Ryan Reynolds (Deadpool) é desperdiçado, enquanto Rebecca Fergunson (Missão: Impossível – Nação Secreta) e Jake Gylenhaal (Animais Noturnos) estão OK e ajudam a carregar o longa -, o que faz a obra funcionar é a direção de Daniel Espinosa (Crimes Ocultos). O diretor cria com méritos um ambiente claustrofóbico e aterrorizante, apresentando a tensão necessária para prender a atenção do público. Além de não exagerar no uso de jump scares, Espinosa sabe quando mostrar e não mostrar o monstro, valorizando, assim, os momentos em que ele aparece, o que reforça a sensação que o ser pode estar a espreita em qualquer canto. O diretor peca apenas na fotografia, com algumas cenas exageradamente escuras que atrapalham no entendimento do que está acontecendo. Algo que reforça esse clima de terror e medo da direção é a trilha de presença e impactante composta por Jon Ekstrand, parceiro de Espinosa em outras produções do diretor.

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Vida acaba sendo uma homenagem honesta ao filme de Riddley Scott, não deixando de ser um esquenta para Alien: Convenant, que estreia no próximo mês. Segure-se na cadeira, pois o longa promete mexer com suas emoções até o fim.

Nota: 7,5/ 10.

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