“Rakka”: um recomeço para Neil Blomkamp

Por Luís Gustavo Fonseca

Neil Blomkamp teve um começo avassalador em Hollywood. O seu filme de estreia, Distrito 9, foi indicado a quatro estatuetas do Oscar, incluindo o prêmio de Melhor Filme. Apadrinhado por Peter Jackson (produtor do longa), a produção conseguiu o clamor da crítica e também do público, o que criou uma expectativa gigante para os futuras obras comandadas pelo sul-africano. Entretanto, os trabalhos posteriores não causaram o mesmo impacto: tanto Elysium quanto Chappie tiveram uma recepção morna dos críticos e não causaram, também, o mesmo BAFAFÁ no público, gerando dois resultados fracos de bilheteria.

Apesar de achar ambos os filmes bem decentes (como você pode conferir clicando aqui e aqui), não dá para negar que, mesmo que talvez de forma injusta, esperava-se mais de Blomkamp. Não conseguindo emplacar mais nenhum sucesso nas telonas, o diretor viu as portas se fechando em Hollywood. Ele até teve a ousadia (ou cara de pau, como preferir) de se candidatar a ocupar a direção de Alien 5, mas como a história do xenomorfo agora está focada em acontecimentos pré o primeiro Alien (como visto mais recentemente em Covenant), o projeto acabou não indo para frente.

Se o cenário desenhado indicava que o nome do diretor encaminhava-se para o esquecimento por parte do público, com ele fadado a ficar no limbo dentro da indústria, eis que sua história parece ter sofrido uma guinada para lá de interessante. No último mês, ele divulgou um trailer de seu novo projeto, o Oats Studios, um estúdio independente dedicado a produção de curtas experimentais de sci-fi. O mais interessante é que tais curtas, ao menos a princípio, serão disponibilizados gratuitamente na Steam e no Youtube. Abaixo, você pode conferir o primeiro deles, Rakka – Volume 1, lançado na última quarta (14) – infelizmente, não há legendas disponíveis, nem mesmo em inglês.

As primeiras impressões que um fragmento de história de quase 22 minutos causaram em mim foram bem positivas. Algumas das características de Blomkamp que sempre admirei se fazem presentes, principalmente aqueles ligados ao design dos cenários, construções e das criaturas de outro mundo. Mesmo tendo só três filmes na carreira, acho que ele tem uma assinatura visual muito própria e rica, conseguindo produzir alienígenas bem orgânicos e realistas, mesmo aqui, com ele trabalhando com um orçamento bem em conta. Todo esse esmero na parte visual ajuda a criar uma ambientação mais crível e convincente, o que torna o conflito e as relações humanas (argumentos que também atravessaram suas obras anteriores) mais palpáveis e reais.

Se a intenção era chamar a atenção para o projeto, Blomkamp conseguiu. A julgar pelo trailer do projeto (além da já apresentada Sigourney Weaver, Sharlto Coopley é outro nome que deve dar as caras), acredito que mais um ou dois curtas devem ser lançados em breve, oferecendo uma amostra inicial do que o Oats almeja. A proposta destaca-se por ser feita de maneira mais independente e autônoma, com vários novos diretores e fora tanto do modelo tradicional de cinema, dos grandes estúdios, como do modelo de streaming pago, como é o caso da Netflix.

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Blomkamp já falou que os curtas podem, um dia, tornarem-se filmes, mas aí vai depender do engajamento do público. Aliás, para que as futuras produções aconteçam e continuem de graça, o diretor conta com a ajuda dos telespectadores. Na Steam, você pode comprar o conteúdo adicional do curta, que contém  artes conceituais, manuscritos do projeto e modelos em 3D, por R$10,49, com a possibilidade de mais extras também serem oferecidos no futuro. Ainda é cedo para dizer se a empreitada dará certo, mas aparenta ser um recomeço promissor para Neil Blomkamp. Que venha logo o Volume 2.

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