Meu Malvado Favorito 3

“Terceiro episódio da franquia apresenta primeiros sinais de desgaste da fórmula”

Por Luís Gustavo Fonseca

Meu Malvado Favorito é uma das séries mais lucrativas do cinema iniciada no século XXI. Desde 2010, foram três filmes lançados (os outros dois MMF e o derivado Minions), resultando um faturamento conjunto de US$ 2,6 bilhões de dólares em bilheterias. Como o orçamento dos longas é baixo para uma animação (a média de custo é de US$ 75 milhões, sendo que um desenho da Disney/Pixar, por exemplo, custa facilmente o dobro disso), a margem de lucro é ampliada. Isso sem contar os caminhões de dinheiro que o licenciamento dos minions gera, já que as criaturinhas amarelas tomaram de assalto a cultura pop e hoje são encontradas em tudo – sério, TUDO mesmo -, desde camisetas até postagens irônicas e motivacionais do Facebook.

Portanto, a ideia é que novas produções não parem tão cedo. Nesse terceiro episódio, o Gru e agora sua esposa Lucy acabam sendo demitidos da Liga Anti-Vilões, após falharem na captura do vilão Balthazar Bratt, que rouba o maior diamante do mundo. Enquanto tentam contornar a situação, não querendo decepcionar as filhas Margo, Edith e Agnes, a vida da família é chacoalhada quando Gru é informado que tem um irmão gêmeo, Dru. Ele não apenas é rico (e tem cabelo!), como deseja seguir o legado do pai na carreira de vilania. Querendo se vingar de Balthazar e almejando recuperar o antigo emprego, Gru concorda com o irmão a voltar ao mundo do crime – mesmo que temporariamente.

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Características consagradas da série se fazem presentes mais uma vez, como o traço propositalmente cartunesco e exagerado dos personagens, deixando eles mais divertidos. Após a temática de lucha libre do vilão El Macho, Balthazar Bratt é o estereótipo dos anos 80, com direito a ombreiras, mullets, roupa cintilante e um arsenal de músicas que marcaram a época, além de um plano super mirabolante para se vingar de Hollywood. As sequências surreias de ação, desafiando todas as leis da física possíveis, são bem vindas novamente, remetendo àqueles cartoons antigos como Coyote & Papa Léguas. O uso de referências à outras obras, como Procurando Nemo e Star Wars, continua sendo uma boa sacada, rendendo mais uma porção de momentos divertidos.

Porém, esse é o primeiro filme que transmite uma sensação de desgaste da fórmula. Apesar de ser o mais curto de todos (1h30), a produção cansa, principalmente por ter uma edição ruim. Há um momento em que a história chega a se dividir em quatro núcleos (o de Gru e Dru; Lucy e Margo; Edith e Agnes; e os minions), o que prejudica o desenvolvimento do arco dos personagens, já que as sequências não ficam bem encaixadas. Com isso, boas ideias acabam tendo seu potencial desperdiçado, como é o caso da relação entre os irmãos gêmeos (que mesmo esperando alguma previsibilidade, poderia ir além) e, principalmente, no arco de Lucy, que na trama se esforça para entender e assumir o papel de mãe. Acho que aqui é onde a animação poderia ter sua parte mais tocante, já que o fato das meninas serem adotadas sempre foi uma premissa legal e diferente, mas acaba que esse desenvolvimento da relação entre Lucy e as garotas (especialmente, Margo) acaba soterrado por outros plots.

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Outra questão que fica mal encaixada é o aproveitamento dos minions. Os seres amarelos eram coadjuvantes no início, e sempre funcionaram bem na função, um dos pontos mais fortes dos primeiros dois longas. Mas após o spin off próprio, que fez mais dinheiro que os outros MMF, eles acabam ganhando cada vez mais espaço dentro da narrativa, tendo um enredo praticamente próprio. Eles ainda são capazes de provocarem risadas (dessa vez, incluindo até montagens musicais), mas a narrativa opta por deixar eles separados de Gru em boa parte da história, sendo que era justamente a química entre eles e o protagonista que rendia vários dos melhores momentos cômicos. A introdução de Dru tenta substituir essa dinâmica, chegando a oferecer uma contra parte válida para Gru e a sua evolução ao longo dos filmes, mas a relação não causa o mesmo efeito cômico.

Por fim, os efeitos especiais ficam um pouco aquém do segundo Malvado, uma vez que lá o 3D é bem utilizado e aqui ele fica devendo, tornando-se dispensável. A dublagem brasileira, encabeçada pelo Leandro Hassum e a Maria Clara Gueiros, continua boa, uma vez que, felizmente, o Hassum  tem trabalho dobrado ao dublar o irmão gêmeo do ex-vilão, conseguindo fazer uma voz distinta para o Dru. Evandro Mesquita, que dá voz a Balthazar, também acerta na dublagem, proporcionando um resultado que não é tão caricato quanto seu personagem, mas que ainda representa a áurea do personagem.

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Meu Malvado Favorito 3 acaba sendo o mais fraco da franquia até agora (e isso vem de alguém que realmente conseguiu achar Minions interessante), mas o sucesso que acompanhou os anteriores deve se repetir aqui. As piadas ainda estão lá, o público – principalmente as crianças – certamente irão se divertir bastante, mas para dar continuidade a história, repensar em como trabalhar esses personagens seria bom para dar novo fôlego aos longas.

Nota: 5/10.

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