Transformers: O Último Cavaleiro

“Em seu quinto capítulo, franquia comandada por Michael Bay chega ao seu ponto mais baixo”

Por Luís Gustavo Fonseca

Parece que foi há uma eternidade – sobretudo, porque a duração dos filmes é gigante -, mas o primeiro Transformers dirigido por Michael Bay completa uma década este ano. Tendo um visual deslumbrante, com os efeitos especiais envolvendo os Autobots e os Decepticons impressionando pela excelente qualidade e pela expressão dos personagens máquinas, a franquia teve um início promissor, conquistando um novo número de fãs para os brinquedos criados pela Hasbro. De lá pra cá, contudo, a saga foi ladeira abaixo. Tirando o segundo longa, eu realmente consegui me diverti com os outros, inclusive o quarto, com suas intermináveis 2h45 – na época, escrevi uma carta aberta (!) para o sr. Bay, como você pode conferir aqui. Depois de quatro filmes e dez anos, fica a pergunta: nós precisamos de mais?

Para Michael Bay, a resposta é sim, e assim temos O Último Cavaleiro. Desta vez, ele mira uma expansão da mitologia do universo, ao trazer Cybertron (o planeta natal dos queridos carros-robôs) em rumo de colisão com a Terra. “Dois mundos em colisão, apenas um sobreviverá”, diz a voz de Anthony Hopkins no trailer. Enquanto Optimus Prime procura os seus criadores no espaço (jornada que o colocará contra os seus aliados), Cade Yager (Mark Wahlberg) acaba sendo o escolhido para impedir a destruição de nosso planeta. Para isso, ele contará com ajuda de Vivian Wembley (Laura Haddock), descendente do mago Merlin, e de Sir Edmund Burton (Hopkins) para impedir a catástrofe.

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O Último Cavaleiro acaba sendo uma repetição de tudo de bom e de tudo ruim que a franquia acumulou até agora. Visualmente, não há o que colocar defeito: os efeitos especiais estão num alto padrão de qualidade, o 3D é bem utilizado e deixa o longa mais imersivo (sobretudo, porque a produção foi quase inteiramente filmada usando câmeras 3D IMAX, o que valoriza a experiência para quem vê no formato), a fotografia reforça as cores – e as EXPLOSÕES – presentes. As cenas de ação, inclusive, estão menos confusas, já que Bay utiliza menos o movimento de de câmeras rotatórias durante os combates, além dos milhares de cortes secos e desenfreados durante as mesmas. Como nos anteriores, a série não decepciona em relação ao espetáculo que proporciona.

Mas é isso: um espetáculo vazio. A essa altura do campeonato, talvez até seja um pouco de mau caratismo falar mal do roteiro, já que fazer uma boa história nunca foi um dos objetivos principais dos longas. Isso, contudo, não torna a experiência menos sofrível. A edição é tenebrosa, fazendo com que a de Batman v Superman pareça boa, com a obra se dividindo em três ou quatro núcleos, mas não desenvolvendo nenhum deles de forma minimamente aceitável. Pode-se dizer que a franquia Velozes & Furiosos lida com um problema semelhante, mas apresenta resultados bem mais aceitáveis, tornando a tarefa de acompanhar Toretto e sua turma mais prazerosa.

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A ideia de explorar melhor a mitologia envolvendo o universo é ótima, mas mal executada, apresentando informações demais e de forma desconexa. E, como no fim, tudo é culminado em um duelo grandioso entre robôs, recheado de explosões e outras pirotecnias, você se pergunta se todo esforço de aprofundar as coisas realmente importa. Confesso que isso torna o último ato até mesmo sonolento, apesar de toda a ação em tela. Você acompanha aquilo tudo, mas pouco se importando com as consequências.

Como sempre, os humanos são desinteressantes, e tudo envolvendo eles não causa impacto emocional. Personagens são apresentados e esquecidos logo depois, voltando apenas lá na frente em participações especiais. É o caso da novata Izabella (Isabela Moner), que parecia ser uma adição interessante, com o intuito de proporcionar uma carga emocional maior a obra, devido a sua relação com os transformers e, posteriormente, com Cade. Entretanto, após o primeiro ato, ela é chutada para escanteio, jogando fora o que estava sendo uma boa atuação.

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Falando no quesito… Bem, não há muito o que dizer. Nenhum dos trabalhos salta aos olhos, e acredito que nem seja culpa dos atores, uma vez que o roteiro não procura desenvolvê-los direito. A química para as várias piadas às vezes funciona, às vezes não (uma boa exceção é o mordomo robô Cogman, dublado por Jim Carter, que consegue arrancar vários risos). O destaque, que pode ser uma surpresa ou não, é Anthony Hopkins. O ator parece genuinamente se divertir com toda a espalhafatosa produção, transmitindo a sensação de estar mais interessado na obra que os demais. Mesmo na bagunça, ele consegue ficar acima da média.

Veja: eu não condeno a franquia e sou daqueles que acha que ela é um exemplo do que está errado com Hollywood, que o cinema vai morrer por causa disso e outros cenários apocalípticos. Mesmo sendo exaustiva, a franquia cumpre a promessa de divertir e criar um espetáculo visual gigantesco. Mas ao final de O Último Cavaleiro, com o já clássico discurso motivacional do Optimus Prime sendo dito, é a primeira vez que não me sinto empolgado a voltar a este universo. A saída de Michael Bay da franquia – ao menos, ele prometeu que esse seria o seu último – pode ser benéfica, por mais que ele seja o grande responsável por cunhar a série. Mas é chegada a hora de, mais do que nunca, repensar em como fazer os próximos Transformers.

Nota: 4/10.

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