Ranking Christopher Nolan: Do Pior ao Melhor

Por Luís Gustavo Fonseca

Ao longo de quase duas décadas, Christopher Nolan tornou-se um dos cineastas mais conhecidos e importantes da indústria. Emplacando sucessos de bilheteria para além da franquia Batman, ele consolidou seu nome como uma marca, conquistou milhares de fãs e, por isso, cada novo projeto do inglês é cercado de expectativa. Com a estreia de Dunkirk, que aconteceu no Brasil no último dia 27, o seu 10º longa, é chegada a hora de fazer uma pergunta difícil: qual é o melhor filme da carreira dele? Será mesmo Dunkirk? E qual de suas dez produções pode ser considerada a pior? Em uma postagem que está fadada a polêmica, listei a filmografia de Nolan, indo do pior para o melhor. É bem provável que você discorde, então, lembre-se de postar a sua lista nos comentários.

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10º – Insônia (2002)

Insônia pode até ser um bom filme de investigação policial, daqueles para ver de forma despretensiosa e sem grandes expectativas. Mas não há NADA da assinatura de Nolan nele, sendo que raras são as características que se destacam. O plot é bacana e aponta para a construção de um bom suspense, mas a execução não é a mesma coisa. Ao contrário da maioria de suas outras obras, o longa é quase todo linear, o que faz com que as 2h se arrastem e não cativem, resultando em um desfecho esperado e pouco inspirador. A trilha não tem presença e as atuações de Al Pacino e Robbin Williams são, no máximo, medianas. O ponto mais baixo do diretor até agora.

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9º – Following (1998)

O primeiro longa de Christopher Nolan é o seu mais curto (tem apenas 1h10) e é bastante experimental. Mesmo com a curta duração, a trama se arrasta em alguns momentos, apesar da boa premissa. A filmagem em preto e branco é um dos diferenciais, sendo que já é possível perceber algumas das qualidades de Nolan, como  a forma em que a edição brinca com a percepção temporal do espectador e o plot twist no final. Ocupa a nona colocação não por ser ruim, mas por enfrentar uma forte concorrência dentro da filmografia do diretor.

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8º – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

Nunca esperei tanto um filme como O Cavaleiro das Trevas Ressurge e, apesar de ainda considerá-lo bom, ele é o mais fraco da trilogia do Homem Morcego comandado por Nolan. Enquanto os outros dois longas tem histórias mais “simples” e bem executadas, Ressurge almeja uma história megalomaníaca demais e sem necessidade. O plano dos vilões é, no mínimo, estranho e até mesmo idiota; a edição é atrapalhada e não conecta perfeitamente os diferentes subnúcleos; a extensão do longa (mais de 2h40) incomoda, sendo que meia hora poderia ser facilmente cortadas do enredo. A jornada do herói até tem uma boa premissa, mas não possui a mesma força dos antecessores, e em parte porque os vilões também não tem o mesmo peso, o que prejudica o desenvolvimento do protagonista. AInda há coisas que se redimem na história, como as atuações de Michael Caine, Anne Hathaway e Tom Hardy (sim, eu acho a voz dele maneira), a trilha sonora e a primeira luta entre Batman e Bane. Mas é um resultado aquém do esperado.

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7º – Interestelar (2014)

Eu juro que queria colocar Interestelar acima nesta lista, mas, infelizmente, não consigo. Desde que escrevi minha review sobre ele em 2014, reassisti ao longa três vezes e ainda não considero ESSA obra prima tida por muitos. Visualmente, é maravilhoso (como queria ter visto em IMAX), assim como tem uma das melhores trilhas que Hans Zimmer criou em sua parceria com Nolan. A parte científica (tirando a licença poética [?] da questão do amor) consegue apresentar alguns conceitos mais difíceis e técnicos de forma acessível, e isso merece reconhecimento. Contudo, ainda acho que falta empatia para com os personagens. Tirando o Cooper, que é um drama que você realmente compra (apesar que morrerei defendendo que ele chorando em Clube de Compras Dallas é bem melhor que aqui), todos os demais são dispensáveis, principalmente os da Terra, que eu não consigo torcer para que sobrevivam. A birra da Murphy com o pai é até compreensível, mas isso torna a personagem bem chata. A duração da obra (quase 2h50) e uma edição falha no terceiro ato (Cooper e a Brand no espaço te deixa aflito, mas cortam para a Terra e é um corta tesão) são os fatores decisivos que fazem com que esse queridinho dos fãs esteja nesta posição.

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Quando o leitor vê Interestelar em 7º

6º – Amnésia (2000)

Talvez a melhor coisa sobre Amnésia é você reassistí-lo e, mesmo sabendo como a história é contada, ainda se impressionar com a narrativa. Como a trama é narrada de trás para frente, há até uma questão de metalinguagem presente na narrativa: à medida que cada novo segmento é apresentado, o espectador tem que se esforçar para lembrar os acontecimentos da parte anterior, construindo a trama dentro de sua cabeça. Esse esforço para se lembrar (semelhante ao que o protagonista do longa faz) valoriza o árduo trabalho da edição, a melhor de toda a carreira do diretor. As atuações de Guy Pearce, Carrie-Anne Moss e Joe Pantoliano são ótimas, e ajudam a deixar o enredo ainda mais cativante. Ver a obra na ordem linear é um pecado que todos devem evitar.

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5º – O Grande Truque (2006)

A impressão que eu tenho é que as pessoas esquecem de O Grande Truque quando se falam do diretor. Pergunto-me como isso é possível, já que a obra é um exemplo do que Nolan tem de forte. A rivalidade entre os mágicos vividos por Christian Bale e Hugh Jackman (duas ótimas atuações, que se contrapõem perfeitamente) é bem construída e desenvolvida, com cada um dos núcleos recebendo o tempo de tela necessário para desenvolver os personagens. A edição não apenas deixa a obra dinâmica e com um bom ritmo, mas também não erra a mão na junção das duas histórias, e nem bagunça as idas e vindas em presente e passado na trama. Por fim, é o meu plot twist preferido da carreira do Nolan, digno de um último ato de mágica.

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4º – Batman Begins (2005)

Batman Begins não apenas é um dos melhores longas de Nolan, como também é um dos melhores exemplos de filme de origem do gênero de super heróis. Em apenas meia hora, ele consegue: definir o tom daquela interpretação do Homem Morcego, deixando claro as diferenças em relação às leituras da década de 90; apresentar o episódio trágico de Bruce Wayne, mas sem a sensação de repetição; determinar as motivações do protagonista e da Liga das Sombras, deixando claro o ponto de discordância entre as partes; definir a bússola moral do herói, com o seu desejo inicial de vingança sendo substituído pelo senso de dever. O elenco tem uma atuação sólida (a cada vez que revejo, gosto mais até da Katie Holmes!), é legal ver o Batman acertando e errando em seu início de carreira, ambos os vilões funcionam (e não são muitos exemplos disso nesse gênero), sendo que eles ainda colaboram no desenvolvimento do herói. O combate mano-a-mano pode não ser um primor, mas as grandes sequências de ação, que têm uma boa dose de efeitos práticos, encaixam na proposta da obra, assim como o novo tema do herói, que causa uma excelente primeira impressão, mesmo não sendo tão icônico quanto o dos filmes de Tim Burton.

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3º – Dunkirk (2017)

O último longa de Nolan pode ser o que lhe renda a primeira estatueta do Oscar na carreira, uma vez que a obra já é tida como uma das favoritas da premiação do próximo ano. A ação é espetacular e na projeção IMAX (formato que o diretor sempre explora bem), a operação para evacuar as tropas britânicas ganha contornos épicos. Se o longa não tem nenhuma atuação impactante (o que resulta em personagens não carismáticos), ele compensa com uma edição precisa que une três subtramas e um esmero sonoro (tanto nos sons dos ambientes como na trilha) que faz valer a ida ao cinema. Você pode conferir minha opinião completa sobre o filme aqui.

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2º – A Origem (2010)

O fato do anime Paprika, lançado quatro anos antes , ter a mesma temática e ser ótimo não diminui as qualidades de A Origem. A premissa da obra é fantástica (ao lado de Interestelar, é uma de suas ideias mais ousadas) e a construção das regras daquele universo é bem feita, de forma clara, sem se tornar cansativa – muitas vezes, essa exposição do Nolan é criticada, mas não acho que seja o caso aqui. O desenvolvimento da história é certeiro, aprofundando muito bem o drama do protagonista; a edição (já deu para perceber que é um dos pontos fortes do Nolan, né?) funciona, principalmente no último ato, transmitindo a urgência necessária; as atuações são boas, com destaque para Leonardo DiCaprio e Marion Cotillard, que apresentam uma ótima química; e a trilha de Hans Zimmer não apenas se adequa ao tom da obra e tem diversos passagens excelentes, como também foi responsável por criar a tendência do “UUOOOOOOOOMMMMMMMM” nos trailers, algo que dominou esses vídeos na primeira metade da década.

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1º – O Cavaleiro das Trevas (2008)

O Cavaleiro das Trevas pode não ser a melhor adaptação de super heróis para o cinema – para muitos, nem se trata de uma obra sobre quadrinhos, mas sim um thriller que usa personagens das HQs -, mas a obra até hoje é tida, para muitos, como referência para outros filmes do gênero. Falar da atuação de Heath Ledger é chover no molhado, mas chamo a atenção para como o Christian Bale (com sua voz com câncer de garganta ou não) evolui em relação ao Begins e, também, como o Aaron Eckhart proporciona às diversas camadas de Harvey Dent/Duas Caras. No geral, a obra é uma evolução de seu antecessor, seja na fotografia, no ritmo ou na execução da ação (é perfeita toda a perseguição do Coringa ao caminhão com o Harvey). A rivalidade do Batman com o Coringa tem uma escalada tão agradável e bem feita como a vista em O Grande Truque, sendo que o roteiro constrói uma trama que deixa o espectador tenso e sem perder o foco na obra. O uso de violinos e outros instrumentos de cordas friccionadas na trilha de Hans Zimmer só colaboram para crescer o suspense e deixar a atmosfera mais pesada (o melhor exemplo é na cena em que esperamos para ver se uma barca irá explodir a outra). A obra não apenas envelheceu bem no decorrer da última década, como ainda continuará  relevante pelos anos que estão por vir.

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Parabéns ao Nolan pela incrível carreira que ele construiu até aqui. Que venham mais 10 filmes bons!
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