Planeta dos Macacos: A Guerra

“Em mais um show de efeitos visuais e de Andy Serkis, novo filme da franquia fecha com chave de ouro nova trilogia”

Por Luís Gustavo Fonseca

Ao final do segundo filme, enquanto ocorre o duelo entre os símios César (Andy Serkis) e Koba (Toby Kebbel), os humanos conseguem fazer contato via rádio com uma base do exército americano, localizada ao norte de São Francisco. Se o grupo liderado por Dreyfus (Gary Oldman) termina o longa derrotado, os militares, comandados pelo “O Coronel” (Woody Harrelson), iniciam uma guerra contra os macacos, que se arrasta por longos meses. Enquanto César procura encontrar uma saída para sua comunidade, uma ofensiva fatal dos soldados colocará o líder dos símios em uma jornada de vingança, mas também, de aprendizado.

O último capítulo da nova trilogia é novamente dirigido por Matt Reeves, que comandou Planeta dos Macacos: O Confronto e foi escalado para dirigir o novo filme do Batman. E acaba sendo uma repetição do que deu certo no longa anterior: Reeves sabe construir uma boa atmosfera de tensão, com um posicionamento de câmera que não deixa o espectador perdido e explora o ambiente que se encontra. Felizmente, a fotografia é menos escurecida que o anterior, o que permite cenas mais limpas e de melhor entendimento. Em contrapartida, a ação (algo tão bem feito no anterior) é menos explorada, o que lamento. A grande sequência do clímax é bem feita e digna do fechamento da trilogia, mas o longa poderia ter colocado mais sequências semelhantes no decorrer da história.

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Talvez eu esteja sendo um pouco injusto, já que a franquia não se caracteriza como uma ação desenfreada, mas sim um desenvolvimento de personagens e de conflitos entre as espécies. Quesitos que A Guerra cumpre muito bem, ao menos em sua maior parte. O roteiro, escrito por Reeves e Matt Bomback, cria um ótimo arco para o protagonista da obra. Se o primeiro filme tratou de como César se tornou o líder de sua espécie e o segundo foi voltado ao fardo que liderar sua comunidade (e os conflitos internos proeminentes disso), este capítulo desperta em César o sentimento de vingança e ódio para com os humanos. Assim, o texto cria um paralelo interessante entre o protagonista e o seu rival macaco do longa anterior, e ainda explora sua perda de humanidade (ou seria “macaquidade”, no caso?), aprofundando-o e colocando-o em face de novos dilemas.

Entretanto, considero que o roteiro peca em dois aspectos. Uma deles é a motivação d’ O Coronel e seus seguidores. Enquanto acho que ela parte de uma premissa bem promissora, apresentando um conflito entre os humanos que evidencia, ainda mais, o caráter antagônico da nossa espécie dentro da franquia, a justificativa e a própria execução dessa motivação não é tão agradável. Ao meu ver, é algo um tanto deslocado do universo que foi criado e, ao mesmo tempo que é apresentada, ela acaba não tendo maiores repercussões na trama, salvo servir como plano de fundo do conflito. Outro problema é o ritmo da obra: ela é a apenas 10 minutos mais longa que O Confronto, mas o segundo ato é bem arrastado e transmite uma sensação de cansaço. Entendo que ele deveria ser mais lento mesmo para poder aprofundar os pontos principais da história, mas a produção desacelera muito em relação ao começo, atrapalhando o equilíbrio da narrativa.

WAR FOR THE PLANET OF THE APES

Se há algo que não tem como colocar defeito são as atuações. Andy Serkis, como sempre foi dentro da série, é um show a parte, entregando um trabalho que envolve cada vez mais complexidade, sem perder a carisma – mesmo com o personagem articulando as falas de forma mais humana, o desafio do papel ainda é enorme. Woody Harrelson é o melhor antagonista humano dessa trilogia: ameaçador e determinado, ele fica no mesmo patamar de Serkis quando os dois dividem a cena, o que valoriza o trabalho de ambos. Uma boa surpresa, que dá um toque mais emocional a trama, é a da jovem Amiah Miller, que interpreta a humana Nova, acompanhando César e seus amigos em sua jornada.

Por fim, os pontos mais altos da obra são referentes ao seu visual e trilha sonora. Se o 3D pouco acrescenta e não compensa, chega a ser surreal o quão verossímeis e reais os macacos aparentam ser, sendo perceptível todas as emoções que são transmitidas pelas expressões ou gestos dos primatas. Michael Gianchinno retorna para compor uma nova trilha, e é louvável como ele consegue criar um novo tema para a aventura, distinto do longa anterior, mas ainda sim marcante e que aparece com força nos momentos chaves da história.

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Planeta dos Macacos: A Guerra fecha com chave de ouro o que deve ser a melhor trilogia da década. Bem elaborado e executado, a obra desenvolve o universo e seus personagens, proporcionando um final à altura da história que a franquia criou ao longo de quase cinco décadas. Se uma ligação com o original pode ser feita no desfecho da obra, encerrando a caminhada desse prequel/reboot, continuações ainda podem acontecer. E a audiência só teria a ganhar se esse fosse o caso.

Nota: 8/10.

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