Thor: Ragnarok

Na melhor produção estrelada pelo Deus Trovão, diretor Taika Watiti acerta na diversão, mas peca em história superficial

Por Luís Gustavo Fonseca

Apesar de ter ganhado um salto de popularidade desde o lançamento de seu primeiro filme, em 2011, o Thor nunca foi um dos grandes queridinhos do público. Ao menos, não nos longas estrelados por ele. Depois de duas produções medianas/boas (eu gosto do segundo filme, mas como muitos outros, é mais por causa do Loki do que pelo herói em si), o Deus Trovão chega ao seu terceiro longa com uma proposta diferente, uma pegada mais divertida e a ajuda sempre bem-vinda do Hulk, o Gigante Esmeralda.

Ao retornar para Asgard após procurar pelas Joias do Infinito, Thor (Chris Hemsworth) encontra seu planeta natal em uma situação bem diferente. Como Loki (Tom Hiddleston) usurpou o trono de Odin (Anthony Hopkins) e tomou o seu lugar, as proteções de Asgard foram enfraquecidas.Com isso, Hela (Cate Blanchett), a Deusa da Morte, consegue se libertar e, em sua busca por vingança, será a responsável por trazer o Ragnarok, o fim do mundo, para os asgardianos. Para impedir que a destruição do seu povo aconteça, Thor terá, primeiro, que superar os desafios existentes do planeta Sakaar, onde irá se deparar com um antigo – e esquentadinho – amigo Hulk.

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O filme tem um tom bem distinto das outras produções estreladas pelo Deus Trovão, e o principal responsável por essa mudança é a entrada do diretor neozelandês Taika Watiti (“O Que Fazemos nas Sombras”) no projeto. Tendo um excelente timing para o humor, o diretor consegue proporcionar uma aventura divertida e repleta de boas piadas e sacadas. Claro que, para muitos, isso é o que torna as produções da Marvel fracas e/ou desinteressantes, já que “Ragnarok” segue a mesma fórmula já estabelecida pelo estúdio. Por outro lado, Watiti consegue proporcionar uma personalidade própria a produção, misturando a pegada de “Guardiões de Galáxia” com o humor de seus outros filmes – se você ainda não viu, veja “O Que Fazemos nas Sombras”. É muito bom!

Ao abraçar essa pegada, a obra consegue explorar melhor outras potencialidades da produção, como é o caso do elenco. Mesmo que não haja atuações memoráveis, os atores se adequam ao tom e fazem bons trabalhos. Chris Hemsworth já tinha mostrado o que poderia fazer com a comédia em “Férias Frustradas” e “Caça-Fantasmas”, e mais uma vez mostra como essa é a sua melhor qualidade. As suas frases e expressões combinam com a história e o tornam um protagonista muito mais simpático e querido do que em seus outros dois filmes. Menos sério do que em suas outras aparições, Mark Ruffalo (“Truque de Mestre: O 2º Ato”) também mostra que se dá bem no humor, tanto na pele de um desorientado Bruce Banner como de um falante (!) Hulk. Jeff Goldblum (“Independence Day: O Ressurgimento”), que é apresentado como o excêntrico Grão-Mestre, é a melhor adição da produção. Cheio de pequenas manias, ele cria o personagem mais divertido da história.

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Outros atores também têm um trabalho satisfatório, apesar de que a trama poderia explorar melhor seus personagens. É o caso de Anthony Hopkins (“Transformers: O Último Cavaleiro”), que surpreende agradavelmente em um momento totalmente cômico; Tom Hiddleston (“Kong: A Ilha da Caveira”), que agora realmente se transformou em um anti-herói e consegue aliar o humor ao que resta do seu lado malfeitor; e de Cate Blanchett (“De Canção em Canção”), uma boa vilã (e mais memorável que diversos outros da Marvel, o que não é difícil, vai) e que consegue alternar entre a comédia e momentos mais dramáticos e pesados.

Contudo, apesar do longa acertar no humor e no tom (mais atraente e marcante que os demais filmes do herói), a história acaba sendo superficial, perdendo a oportunidade de desenvolver de forma mais profunda seus personagens e relações. O enredo peca no lado dramático, uma vez que a maioria dos momentos de peso acabam sendo sufocados pela a piada que acontece logo em seguida. A rivalidade entre Thor e Hela, por exemplo, tinha o potencial para se desenvolver melhor, mas a vilã acaba sendo deixada de lado no segundo ato da obra. Algo que é para se lamentar, já que cada momento da antagonista em tela é ótimo. Além disso, há momentos que a edição é falha e atrapalha o ritmo da produção, sobretudo os momentos com Heimdall (Idris Elba, de “A Torre Negra”), assim como os arcos de redenção de Valquíria (Tessa Thompson, de “Creed”) e Skurge (Karl Urban, de “Star Trek: Sem Fronteiras”) são 100% clichês e poucos inspirados.

Esteticamente, a produção acerta em cheio, como a divulgação já havia provado nos diversos pôsteres bacanas lançados. A construção dos cenários, que mistura o visual cósmico já estabelecido em “Guardiões da Galáxia” com traços que homenageiam o lendário Jack Kirby, um dos pais da Marvel, garante uma ótima ambientação. O mesmo pode ser dito do figurino, sobretudo dos moradores de Sakaar, e que remete um pouco aos visuais dos mundos de “Star Wars”. Visual de personagens como Grão-Mestre e de Hela (aqueles chifres!) são outro acerto. Mas não há a necessidade de correr atrás de um 3D, uma vez que ele pouco acrescenta.

Por fim, destaco positivamente a fotografia do longa (que investe nas cores) e as cenas de ação e de luta, que rendem vários momentos legais (uma pena que, como mostrado no trailer, o Mjönlir é destruído. A arma sempre rende boas sequências). Mas a trilha de Mark Mothersbaugh (“LEGO Ninjago: O Filme”) deixa a desejar, deixando de lado os contornos épicos que haviam na composição do segundo filme. A exceção são os momentos em que “Immigrant Song”, do Led Zeppellin, toca junto com as cenas de combate.

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Thor: Ragnarok” é o melhor filme do Deus Trovão, consolidando o personagem como protagonista e, de quebra, aproveitando o Hulk, que estava refém dos longas dos “Vingadores”. Enquanto o final deixa um claro cliffhanger para ser aproveitado em “Vingadores: Guerra Infinita”, ele também abre a possibilidade para que outros momentos nos quadrinhos possam ser adaptados para o cinemas. A produção continua com o alto nível dos filmes de super heróis deste ano, que começou com “Logan”, passou por “Mulher-Maravilha” e se encerra no próximo dia 16 de novembro com o aguardado “Liga da Justiça”. Se os deuses – asgardianos ou não – quiserem, o nível não irá cair.

Nota: 7,5/10.

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