Liga da Justiça

“Mais consistente e otimista, longa que reúne heróis da DC evita os erros do passado e confirma nova fase para o universo da editora nos cinemas.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Após os acontecimentos de Batman vs Superman, o mundo se vê diante de uma nova ameaça. Com a ausência do Superman (Henry Cavill) no papel de guardião do planeta, o conquistador Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) vê a oportunidade de invadir a Terra novamente e, desta vez, subjugar o planeta à sua vontade. Para isso, ele terá que reunir as Caixas Maternas, fontes de inesgotável poder de criação e destruição, e que são guardadas pelos atlantes, pelas amazonas e pelos humanos. Diante desta ameaça, Bruce Wayne (Ben Affleck) e Diana Prince (Gal Gadot) resolvem montar uma equipe que seja capaz de defender o planeta da invasão comandada pelo Lobo e seu exército de parademônios.

A trajetória do universo Warner/DC nos cinemas tem sido de altos e baixos. O início com O Homem de Aço deixou clara a proposta de um universo mais melancólico e realista. E, apesar de achar que este seja o grande injustiçado entre os filmes produzidos até o momento, o longa teve uma recepção amena, com as críticas marcando o Superman soturno e que te deixa com dor no pescoço.

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Este clima melodramático é parte do passado agora.

Já no último ano, o universo recém-criado sofre dois golpes importantes: o aguardado Batman vs Superman tem uma recepção ainda mais controversa, com suas qualidades (como a introdução do Batman e da Mulher-Maravilha) sendo diluídas em um roteiro estufado e sem organização. O igualmente esperado Esquadrão Suicida consegue ser ainda pior, mais desorganizado e muito menos carismático. Eis que, este ano, o tom do universo muda com a estreia de Mulher-Maravilha, que apresenta uma abordagem mais otimista e uma heroína bem mais carismática, que realmente demonstra preocupação com as pessoas.

O que torna Liga da Justiça um acerto imediato e uma evolução em relação à maioria dos filmes da DC, é que o longa preza por ser honesto com seu público, sem a pretensão (megalomaníaca) de querer ser a maior produção já feita. Em Batman vs Superman, que também foi dirigido pelo diretor Zack Snyder, tudo era para ser grandioso demais: a rivalidade e o combate dos heróis, o antagonismo de Lex Luthor e de Doomsday, a gravidade das ações tomadas pelos personagens… Um filme cheio de elementos (além dos dois vilões, o longa ainda apresentou o Batman e a Mulher-Maravilha) e subtramas que, mesmo em sua versão de 3h (o que consegue ao menos amenizar alguns de seus problemas), não satisfaz por completo e gera um resultado controverso.

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Mas em Liga, a pegada é outra: o tom é mais otimista e isso torna o filme sóbrio e consistente. Qualidades visuais que Snyder sempre apresentou em sua filmografia se fazem presentes, como as grandes e bem filmadas cenas de ação (ainda mais deslumbrantes na projeção IMAX), o seu consagrado slow motion (com a presença do Flash, usado muito bem em momentos cruciais) e a fotografia de contraste entre o escuro e o claro.

Uma pena que o 3D insiste em estragar este último quesito, uma vez que o formato nada acrescenta e só serve para escurecer as cenas. E assim como em outros trabalhos do diretor, a parte do design de produção e visual da obra acerta nos mais diversos sentidos, como no figurino do Flash (Ezra Miller) e do Aquaman (Jason Momoa) e nos visuais do Ciborgue (Ryan Fisher) e do Lobo da Estepe.

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Devido a problemas pessoais no início deste ano, Snyder acabou deixando a pós-produção do filme, e não participou das regravações (comuns para produções deste tamanho) que aconteceram em seguida. Em seu lugar, Joss Whedon (Vingadores: A Era de Ultron) assumiu a direção e o roteiro dessas regravações. E se a presença de Whedon não é tão sentida na direção, ela aparece com maior relevância no roteiro, mesmo que o enredo o tom do filme já estivessem estabelecidos anteriormente.

A obra prioriza uma abordagem mais leve e divertida, sem deixar de lado a seriedade que a situação exige. Com um caráter bem aventuresco, a trama poderia ser facilmente um arco de origem da equipe nas HQs. O enredo é previsível e dentro dos padrões, mas, aqui, é o caso de “menos é mais”. Em sua primeira meia hora, o texto procura humanizar seus protagonistas, seja pelos problemas pessoais que os atormentam, ou pela importância que eles dão em ajudar aqueles próximos a si. Ao mesmo tempo, o roteiro é claro ao apresentar as motivações do vilão que, mesmo não sendo um plano inédito, ao menos não confunde o espectador.

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A edição (a maior vilã do DC nos cinemas até agora) ainda desliza no salto que faz entre as diversas localidades e núcleos da obra, mas é feita com o maior esmero e, por isso, o longa é ágil, sem ter momentos de cansaço. O tempo mais curto, com duas horas de duração, é outro trunfo, uma vez que a história vai direto ao ponto. O tempo é aproveitado e o texto consegue estabelecer e desenvolver seus personagens e também suas relações, com boa parte delas se desenrolando de forma natural e, quando as personalidades se colidem, a resolução das desavenças é feita de uma maneira menos espalhafatosa do que o “Martha!”.

O tom também afeta o trabalho dos atores, que realizam um trabalho satisfatório. A química entre o grupo (seja nas breves desavenças, seja na união na hora do combate) funciona, e dá para ver como todos estão à vontade nos papéis. Pode esquecer o Batman que mata de Batman vs Superman: Ben Affleck apresenta um Bruce Wayne que tira sarro do Aquaman e do Flash e mostra uma faceta menos carrancuda, mais amigável.

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A Mulher-Maravilha consegue transmitir as mesmas sensações de heroísmo e segurança que o seu filme solo havia mostrado, provando que Gal Gadot pode, tranquilamente, liderar a equipe. O que mais se beneficia dessa mudança de postura em relação ao tom é o Superman, que mesmo aparecendo menos do que em outras produções, mostra a sua versão mais próxima dos quadrinhos: um símbolo de esperança e otimismo, tendo um uniforme com cores mais vibrantes.

O Rei dos Atlantes de Jason Momoa consegue ser bem humorado, sem perder a pose de durão, e nos oferece um vislumbre do potencial de onde o filme solo do personagem pode chegar. Ryan Fisher traz uma carga emocional muito grande ao Ciborgue, sendo bem construída a forma como o personagem evolui (principalmente na questão de aceitar a si mesmo) dentro da trama. No sentido oposto, Ezra Miller é a parte mais engraçada e a melhor surpresa do longa, sintetizando o otimismo que o filme quer mostrar ao público. Além do visual bacana, a voz que Ciarán Hinds dá ao Lobo da Estepe o concede certa imponência, proporcionando um vilão OK, que entregou o que podia dentro de um arco pessoal já clichê.

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Por fim, apesar de ter falhas semelhantes a outras produções do gênero, Liga da Justiça coroa o que deve ser o melhor ano para os filmes de super-heróis da história. Mais consistente, otimista e segura de si, a produção proporciona a sensação de que o universo DC nos cinemas finalmente engatou e encontrou o caminho certo. Uma pena que a editora só tenha um filme (Aquaman) no próximo ano, para dar continuidade ao bom momento. Mais do que nunca, a esperança voltou. E em formato de um S vermelho, claro.

Nota: 7/10.

P.S.: Não saia antes da hora, porque o longa tem duas cenas pós-créditos.

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