O Rei do Show

Por Luís Gustavo Fonseca

O showman P.T. Barnum foi um dos grandes responsáveis pela popularização da imagem do circo que temos hoje, do grande espetáculo acontecendo no picadeiro com uma lona gigante cobrindo tudo. Os shows comandado por ele envolviam trapezistas, animais gigantes, palhaços e seres “extraordinários” como a Mulher Barbada, anões e gigantes – tudo falso, o que consagrou o seu apelido como “Príncipe das Falcatruas”. O filme “O Rei do Show” foca na vida de Barnum, interpretado por Hugh Jackman (“Logan”), e como ele se tornou uma das figuras mais célebres dos EUA no século XIX.

Curiosamente, o longa funciona melhor quando assume o seu lado de drama do que quando atua como um musical. Não que a parte de música não seja bem feita: há um esmero nas coreografias, que são bem articuladas, chamativas e exploram o ambiente circense, o que torna tudo mais dinâmico. Contudo, todos os momentos de música e dança passam a sensação de deslocamento, de que não estamos assistindo ao mesmo filme. Não é o mesmo envolvimento que vemos em outros musicais, como “Os Miseráveis” (também estrelado por Jackman) e, ouso dizer, Caminhos da Floresta”.

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Essa sensação de deslocamento é reforçada pela parte dramática e “comum” da obra funcionar tão melhor. Quando o toque das canções e das danças é deixado de lado, focando-se na pessoa de Barnum e nos dramas pessoais dele, o filme sobe de nível. O roteiro toma cuidado para mostrar e desenvolver a figura chamativa e de várias facetas que Barnum era, transformando sua personalidade no ponto chave da trama.

Por um lado, as suas ações e ideias eram voltadas para o lucro e o crescimento pessoal, em um viés claramente egoísta – algo que afetou, inclusive, a relação com sua família, já que o deslumbre com a riqueza e a fama o cegaram para as suas relações por um bom tempo. Por outro lado, como um de seus maiores críticos dentro do filme destaca, ao empregar pessoas marginalizadas pela sociedade, de diferentes cores, tamanhos e pesos, Barnum conseguiu fazer um show que celebrasse “a diversidade da vida”, o que acaba por humanizar o personagem. Os principais relacionamentos dele também mostram esse lado mais humano do empresário, já que ele era alguém que se preocupava com a esposa e as filhas.

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Se a produção não conta com grandes atuações, duas valem ser destacadas. Hugh Jackman mostra mais uma vez a sua capacidade de apresentar lados distintos em um mesmo personagem: do carismático gente fina até a pessoa mais egoísta e centrada – além de cantar bem! Outro destaque – e nem é pela parte de musical, pelo qual ficou conhecido – é Zac Efron (“Baywatch”), no que deve ser um de seus trabalhos mais dramáticos da carreira até agora. É muito bom ver que ele consegue segurar uma cena sem depender do seu lado humorístico, explorado à exaustão em vários de seus outros filmes. As atrizes Michelle Williams (“Manchester à Beira-Mar”) e Rebecca Fergunson (“Boneco de Neve”) têm participações medianas, sendo que poderiam ter sido melhores exploradas.

Pecando na junção de suas duas metades, e infelizmente falhando no lado musical, que era seu principal diferencial, “O Rei do Show” acaba sendo uma obra incompleta, que tinha potencial para ser algo mais. Apesar disso, o filme ainda não merece ser menosprezado, valendo a pena para conhecer a vida do showman que, de muitas formas, colaborou para mudar o entretenimento americano para sempre.

Nota: 6/ 10.

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