Tomb Raider: A Origem

Apostando no seguro, adaptação da clássica personagem dos videogames tem resultado satisfatório, mas que desperdiça potencial.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Há mais de 20 anos, em 1996, era lançado o primeiro jogo da franquia “Tomb Raider”, que brindaria o mundo dos games com uma das mais icônicas e queridas personagens dos videogames de todos os tempos: a arqueóloga Lara Croft. Ao longo de duas décadas, a série estrelada pela aventureira ganhou inúmeros jogos, de videogames até smartphones, além de já ter sido adaptada para os cinemas, quando foi interpretada por Angelina Jolie, no que é, até hoje, um de seus papéis mais lembrados.

E neste meio tempo, a personagem não perdeu a popularidade e relevância. Agora, em 2018, a personagem ganha uma nova adaptação para para os cinemas em “Tomb Raider: A Origem”, obra que acompanha a primeira aventura de Lara. Na trama, a protagonista (interpretada por Alicia Vikander, de “A Luz Entre Oceanos) é uma filha independente e que passa por dificuldades financeiras, apesar de ser herdeira de uma enorme fortuna e de um conglomerado de empresas. Isso porque, para ter direito à fortuna, Lara deve admitir que seu pai, o excêntrico explorador Richard Croft (Dominic West, de “The Square: A Arte da Discórdia”), desaparecido há sete anos, está morto.

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Ainda acreditando que ele esteja vivo, ela encontra uma enigmática mensagem do pai, e resolve embarcar em uma aventura que a levará até uma misteriosa ilha japonesa, último paradeiro de Richard. Ele procurava por uma mística rainha japonesa, descrita pelas lendas com a capacidade de matar as pessoas com um simples toque das mãos. O objetivo do arqueólogo era impedir que o cadáver da rainha fosse obtido por mãos erradas, o que colocaria o mundo todo em perigo.

Sabendo que a recepção dos filmes baseados em games não é das melhores (só lembrar dos recentes e medianos “Assassin’s Creed” e “Warcraft: O Primeiro Encontro entre Dois Mundos”), a produção resolve apostar no seguro e, por isso, em uma trama mais simples e genérica. Isso, de certa forma, limita as possibilidades do que o filme poderia ser, ou aspectos que ele poderia explorar, mas o roteiro, escrito pela estreante Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons (“Não Ultrapasse”) consegue entregar um enredo satisfatório e, apesar dos pesares, proveitoso.

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Ir por um caminho sem maiores riscos e ficando dentro do lugar-comum não é, necessariamente, um problema. Uma boa sacada do texto é adaptar elementos referentes aos jogos, mas sem transmitir a sensação de que você apenas está assistindo ao cut scene de um jogo ou assistindo a outra pessoa jogar. Quando Lara escala penhascos, entra de modo stealth no acampamento inimigo, atira com seu clássico arco e flecha ou resolve vários quebra cabeças, é possível entender melhor a personagem e sua personalidade, o que lhe dá profundidade. A dinâmica dessas características, presentes nos jogos, funciona em tela, sem a sensação de que é algo forçado, ao mesmo tempo que agrada tanto os fãs dos games quanto espectadores casuais, que estão ali para conhecer a personagem.

Uma pena que, talvez com a exceção do vilão Mathias Vogel (Walton Goggins, de “Os Oito Odiados”), Lara é a única personagem que ganha maior profundidade no enredo. Os demais, como seu pai ou o marinheiro e aliado da heroína, Lu Ren (Daniel Wu, de “Tempestade: Planeta em Fúria”), são pouco explorados, o que os torna mais superficiais. O ritmo da obra, que dura quase 2h, não chega a ser um problema, mas o primeiro ato é mais lento e fica desencaixado do restante da produção.

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A falta de ousadia da produção (que, ainda penso, a beneficia em alguns aspectos) cobra seu preço no decorrer da trama, já que o desenrolar do enredo é previsível. Pior ainda: falta personalidade à obra. Com personagens fracos ou mal aproveitados e uma história padrão, o longa perde a chance de ser uma aventura tão marcante como outras produções similares, tais como os primeiros longas de “Indiana Jones” ou mesmo os filmes de “A Múmia” estrelados por Brendan Fraser.

Um fator que colabora para essa sensação é a direção pouco inspirada de Roar Uthaug (“A Onda“) que, salvo uma sequência mais movimentada no início do longa, não entrega cenas de ação empolgantes, sendo que a movimentação demasiada tremida da câmera em algumas cenas só pioram o resultado. A projeção IMAX ajuda a tornar o filme mais imersivo (assim como tornar a trilha de Junkie XL, de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”, mais perceptível, apesar de não ser um trabalho marcante), mas o 3D em nada acrescenta (para variar), servindo apenas para prejudicar a fotografia do longa (como de praxe).

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O ponto mais alto da obra fica sendo o trabalho de Alicia Vikander como a protagonista. Longe de ser um de seus trabalhos mais primorosos, mas a atriz se esforça em entregar uma personagem simpática, e é notável o trabalho em relação ao esforço físico exigido da atriz, o que valoriza suas cenas de ação. Walton Goggins entrega, na medida do possível, um bom antagonista, que consegue transmitir um ar ameaçador, principalmente, pelos olhares.

Tomb Raider: A Origem” está longe de ser um desastre em relação a adaptação dos games. Mesmo que não brilhe e falte personalidade, a obra tem um mérito importante: ao contrário da adaptação de “Assassin’s Creed”, você sai do cinema com a vontade de conhecer melhor a personagem e, assim, jogar algum dos jogos da série, mesmo que seja de forma casual. Esse direcionamento, para todo o legado que a personagem acumulou em sua história, é merecido e recompensador.

Nota: 6/10.

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