Jurassic World: Reino Ameaçado

Com mais personalidade, continuação de sucesso de 2015 apresenta um novo rumo para a clássica franquia”

Por Luís Gustavo Fonseca

Neste mês de junho, “Jurassic Park” completou 25 anos de lançamento e, desde aquele verão americano de 1993, o cinema não foi mais o mesmo. Apresentando animatrônicos deslumbrantes, ótimos personagens, um tema musical marcante e uma aventura que conseguia ser, ao mesmo tempo, leve e aterrorizante, o longa fascinou audiências pelo mundo todo, tornando-se um dos mais célebres blockbusters de todos os tempos. Outro grande feito do diretor Steven Spielberg (“Jogador Nº 1”), que colecionava, em sua filmografia, outro sucesso, que entraria para o hall da fama de obras como “Tubarão”, “E.T – O Extraterrestre” e a trilogia original de “Indiana Jones”.

Em 2015, ás vésperas do lançamento de “Jurassic World: Mundo dos Dinossauros”, falei um pouco de como foi ver o original, pela primeira vez, em seu relançamento em 3D – uma das melhores experiências cinematográficas que tive na vida. E, após o lançamento do novo filme, havia escrito que “não precisamos voltar ao parque mais uma vez”, defendendo que seria melhor que ele e a franquia fechassem as portas em definitivo. Claro que minha mísera opinião não representa nada perto da bilheteria de US$ 1,6 bilhão e, bem, cá estamos para a continuação.

Em “Reino Ameaçado”, a vida dos dinossauros da Ilha Nublar corre perigo, uma vez que o vulcão da ilha torna-se ativo e ameaça extinguir, mais uma vez, os répteis da face da Terra. A humanidade, então, vê-se diante de uma discussão, entre salvar os dinos, protegendo-os como faria com outros animais, ou deixar que a natureza siga seu curso. Trabalhando em uma ONG em defesa da vida dos dinossauros desde o fechamento do parque, Claire (Bryce Dallas Howard, de “Ouro”) decide retornar à ilha em uma missão de resgate, com ajuda da iniciativa privada. Ela consegue o auxílio de Owen (Chris Pratt, de “Vingadores: Guerra Infinita”), que tentará reencontrar e salvar Blue, a velociraptor que ele criou durante anos em cativeiro. Apesar das boas intenções da dupla, a jornada irá provar que existem outros interesses no resgate dos dinossauros, e que o bem estar dos animais não é uma prioridade para todos.

Revendo o primeiro “Jurassic World” antes deste, consegui apreciá-lo de uma forma mais prazerosa, aproveitando melhor sua proposta. Contudo, uma das minhas maiores broncas com a produção era a sua falta de personalidade. Em sua ânsia em ser uma grande homenagem ao original, o filme acabou se repetindo muito dos elementos do primeiro, aparentando ser, apenas, uma versão mais fraca do mesmo. O primeiro mérito de “Reino Ameaçado” é propor e executar um caminho que aponte para algo diferente, ainda com características clássicas da franquia, mas com elementos novos, dando maior personalidade à sequência.

A entrada do espanhol J.A. Bayona (“Sete Minutos para Meia-Noite”) na direção, no lugar de Colin Trevorrow, é um dos pontos que promove essa sensação de novidade – apesar de Trevorrow ainda ser um dos responsáveis pelo roteiro. O longa apresenta, claramente, dois momentos distintos, e é no segundo, mais soturno, com uma pegada de terror mais forte e que se distancia do espetáculo blockbuster da primeira metade, que Bayona melhor se destaca. Ele consegue acertar a mão na ambientação de suspense, com um posicionamento de câmera que é mais claustrofóbico, mas sem sacrificar na ação ou deixar o telespectador perdido em cena. Mesmo com a maioria das cenas deste trecho serem noturnas e em ambientes mais escuros, a fotografia não é um problema e o 3D não a prejudica, apesar de seguir o padrão de nada acrescentar aos efeitos especiais. Estes continuam com a mesma qualidade que os demais da franquia já apresentaram, em uma mistura acertada entre efeitos práticos e CGI.

O roteiro, que além de Trevorrow também é escrito por Derek Connolly (“Kong: A Ilha da Caveira”), é outra peça que apresenta uma evolução em relação ao filme de 2015, mesmo que de forma mais tímida. Além da questão sobre a vida dos dinossauros, o texto retoma e acrescenta novas nuances sobre o ponto da militarização dos animais, abrindo novas (e interessantes) possibilidades para o futuro da franquia. O longa ainda se divide em dois ou três núcleos principais, mas o enredo consegue ser mais coeso, os personagens são mais fáceis de ter simpatia – Maise, interpretado pela estreante Isabella Sermon, é uma grata surpresa mostrando-se uma criança mais carismática que a dupla anterior e com uma sinergia melhor com os protagonistas – e isso faz com a história tenha melhor ritmo, cansando menos. Ainda existem momentos em que o humor não funciona, mas por ser menos explorado em relação ao antecessor, não é um ponto que incomoda.

Se há um ponto em que a trama dá um passo para trás é no dinossauro que representa a grande ameaça para os humanos. O Indonimus Rex pode não ser tão icônico quanto o T-Rex ou os velociraptors, mas ele cumpre o papel ameaçador que lhe cabe no primeiro, principalmente por ser apresentado logo no primeiro ato e desenvolvido ao longo da obra. Não se pode dizer o mesmo do Indoraptor, o novo dinossauro que é uma mistura de vários outros, mas que, por ter um tempo de tela muito mais reduzido, não tem mesma presença antagonista que o Indominus. Em contrapartida, a trilha de Michael Gianchinno (“Planeta dos Macacos: A Guerra”) também evoluiu, mais autêntica, mas ainda respeitando o tom e a pegada da clássica trilha de John Williams.

No campo das atuações, os trabalhos são razoáveis, sem grandes destaques. A química entre Pratt e Dallas Howard está mais azeitada, proporcionando cenas melhores com os dois, mas eles ainda não são um casal que consigam carregar a produção (mesmo porque o roteiro não foca em aprofundar isso). Uma pena que a participação de Jeff Goldblum (“Thor: Ragnarok”) é curta, desperdiçando a chance de explorar melhor um dos mais icônicos personagens da franquia.

Se 2015 eu pedia o fechamento do parque, “Reino Ameaçado” renova o interesse da saga e aponta para um futuro, no mínimo, curioso, com potencial para desenvolver novas perspectivas para a série. Abraçando o tom mais autêntico, a expectativa é que Trevorrow, que retorna para comandar o terceiro filme da nova trilogia, permaneça nessa trajetória. Pelo visto, assim como a vida, a franquia encontrou o caminho.

Nota: 6,5/10.

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