Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas

Longa apresenta as qualidades da série animada do Cartoon Network, mas também demonstra problemas não aparentes nos episódios semanais da animação.”

Por Luís Gustavo Fonseca

Hoje, o cinema blockbuster dentro da indústria de Hollywood é praticamente um sinônimo de filmes de super-heróis. O gênero se expandiu e conquistou públicos desde o começo da última década, sendo que nos últimos anos, cada vez mais produções do tipo chegam às telonas. Somente este ano, já houve cinco grandes produções sobre heróis e heroínas mascarados, com mais dois filmes estreando até dezembro. Para os fãs de quadrinhos e do gênero em geral, é uma era de ouro que permite que cada vez mais personagens tenham sua chance nas telonas.

Essa busca pelo filme próprio, algo que legitimaria alguém a ser um super-herói de verdade, é o que move a trama de “Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas”. A animação conta com uma trama metalinguística, acompanhando a equipe da DC, composta por Mutano, Estelar, Ciborgue, Ravena e liderados por Robin, em busca de seu próprio filme, algo que concederá ao time, finalmente, o reconhecimento que eles imaginam que merecem. Entretanto, para conseguirem isso, os jovens heróis devem provar que são dignos de terem um longa próprio, mostrando que são capazes de cumprir os “requisitos” do que se espera de um combatente do crime, como salvar pessoas ou ter um arqui-inimigo a altura.

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A princípio, eu fiz parte do aglomerado de fãs que torceu – e muito – o nariz para a nova versão dos Jovens Titãs, que estreou no Cartoon Network em 2013. Como tantos outros, adorava a versão anterior do desenho, lançada em 2003, e que foi um dos grandes sucessos do canal. Eu tinha dificuldade em aceitar a nova proposta do desenho, que apostava em um traço mais cartunesco e propondo uma narrativa claramente voltada para um público mais infantil.

Contudo, por recomendação de amigos, dei uma chance ao seriado e percebi que o desenho tinha, sim, suas qualidades. O longa metragem apresenta várias dessas boas características, mas também evidencia defeitos que passam despercebidos nos episódios semanais da animação.

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O humor mais infantilizado, como quando há piadas sobre peido, dignas de qualquer quinta série, alterna entre bons e maus momentos. Por vezes, ele aparece de forma bem orgânica, principalmente em algumas boas sacadas visuais e com easter-eggs que compõem o cenário da história. Por outro lado, quando a produção tenta emplacar algumas piadas, de caráter até mais sádico, voltadas para o público adulto, não funciona tão bem. É até possível rir com elas, se você entender a referência, mas em várias situações esses momentos soam bastante forçados, não se encaixando tão bem no texto.

Ainda sobre a parte cômica, muitos dos pontos altos estão presentes nas referências ao universo DC, como ao longa do Lanterna Verde, “Batman vs Superman” e mesmo a um Superman com bigode, em alusão ao episódio em que o ator Henry Cavill não poder ter fazer o bigode para as refilmagens de “Liga da Justiça”, o que acabou sendo removido digitalmente na pós-produção, e que acabou virando motivo de críticas e piada na época de lançamento do filme. Mas elas não se resumem aos personagens da editora: “O Rei Leão”, “De Volta para o Futuro” e “Animaniacs” são algumas das outras referências que aparecem na produção, e que acabam sendo bem-vindas no desenrolar da trama.

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Porém, se o humor, em geral, funciona na maior parte do tempo, não se pode dizer o mesmo do drama. Demasiadamente focado em Robin (que é de longe o personagem menos carismático dos cinco), a sua busca pela realização de um filme solo acaba tomando muito mais tempo de tela do que o esperado. Se focar em apenas um personagem, em detrimento da equipe, não é um problema em episódios de dez minutos de duração, ele se torna um em longa de 1h30.

Com isso, a obra acaba ficando mais cansativa, justamente por esse drama (que não tem peso) ser contra a proposta do seriado e do próprio filme, claramente mais compromissado com o humor e que carrega um despretensiosismo que a maioria das demais produções do gênero não procuram ter. É de se lamentar, pois este tempo de tela poderia utilizar-se dessa despretensão para subverter as expectativas que existem sobre o gênero de super-heróis, algo que a própria narrativa metalinguística do longa já facilitava.

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Por fim, “Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas” até consegue trazer boas características do desenho para as telonas, mas acaba sendo menos marcante que os melhores episódios do seriado. A produção deve agradar mais os fãs já estabelecidos da animação do que conquistar novos, uma vez que muitos ainda olham torto para  a obra. O que é uma pena, pois mesmo sendo distinto da outra versão dos Jovens Titãs, o desenho conseguiu criar uma identidade própria e que consegue trabalhar esses personagens por um novo ângulo, com sua própria qualidade.

Nota: 5,5/10.

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